sábado, 31 de dezembro de 2011

2011

Por Renatinha

Da última vez que eu tentei sentar aqui para escrever um texto levemente otimista sobre 2011, entrei em depressão, já que não achei mais do que duas linhas felizes para escrever sobre ele.

Agora estou aqui, em uma internet mais lenta que minha vida amorosa e com um teclado mais duro que minha vida financeira, escrevendo sobre essa MERDA desse ano.

Ok, tiveram bons momentos, é inegável.
Em 2011, eu conheci o grande amor da minha vida: a Irlanda.
Ela veio, como quem não quer nada, apenas como uma passagem obrigatória nos meus planos de conhecer o Reino Unido inteiro. Quietinha, veio chegando e BANG! Sambou na cara da Inglaterra, ganhando meu coração e me fazendo sentir tanta saudade que dá até uma amargura.
Minha vida profissional, que passou o ano me amargurando, no fim deu uma guinada e voltou a me dar vontade de viver. Tudo graças à chefe (e amiga também, flw) mais linda do universo, Joice G.
E uma notícia lá em Goiânia que vinha deixando meu coração apertado também teve um desfecho feliz.

Mas 2011 me arrancou lágrimas, me arrancou vontade de viver, me arrancou gosto pelas coisas.. e, principalmente, me arrancou pessoas amadas. Não daquele jeito que você pensa "foi tarde" ou mesmo dá uma stalkada para ver o que ela anda fazendo. 2011 levou embora para sempre dois pedaços de mim, um sangue do meu sangue e outro pedaço da minha alma, que cuidou de mim quando aquele que, por laços genéticos, deveria ter feito, mas escolheu outra vida.

Mas esse texto não é um balanço do ano.
É um agradecimento a todos que estiveram ao meu lado em 2011.

Todos que me apoiaram, que xingaram o universo comigo, que me deram bronca quando mereci, que encheram a cara comigo, que dançaram (seja com dois pés ou um só), os que fizeram gordice e os que fizeram dieta comigo, os que passaram horas no tumblr fazendo piadas ou ficaram falando besteira no facebook, os que trabalharam comigo, os que me fizeram rir e os que me fizeram chorar, os que stalkearam comigo e os que stalkeei, os que me fizeram feliz apenas existindo e os que me agradeceram por existir.

2011, you're tacky and I hate you.
Pessoas da minha vida, obrigada.

E que venha 2012.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Me dá licença de gostar do que eu quiser?

Sério.
Você acha que querer julgar alguém pelo gosto musical é muito diferente de julgar pela cor da pele ou orientação sexual?
Você acha que é superior porque a banda que você escuta faz riffs de guitarras elaborados? Você acha que todo mundo que não gosta do que você gosta é idiota?
Não preciso nem dizer quem é o idiota aí né?
Eu estou cansada de gente dizendo que a geração atual é patética porque gosta de Justin Bieber. Por que? Eu não gosto dele, mas NADA me dá o direito de classificar como patético alguém que gosta dele. Eu não tenho uma coroa de dona da verdade e nem você!

Não gostar de uma banda é uma questão pessoal. As bandas que você ama hoje já foram classificadas como ridículas por alguém. É, pois é. Um idiota como VOCÊ também já se achou no direito de classificar as bandas e as pessoas de acordo com o gosto pessoal dele.

Isso não vale só para música, vale para QUALQUER coisa.

As pessoas deviam passar menos tempo odiando as coisas e se dedicando ao que amam.
Ou pelo menos deviam passar mais tempo lavando louça.

Aí sim o mundo seria um lugar menos babaca de se viver.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sobre não ter nada a dizer

Por Brancatelli


Ok, eu confesso..
Eu não consigo pensar em nenhum tema pra este texto.

Não tenho nenhuma introdução bacana que desperte minimamente a sua curiosidade.
Absolutamente nada que possa fazer com que você se interesse o bastante para adiar qualquer outro afazer, ou que te convença de que passar alguns minutos lendo estas palavras é melhor que passar esses mesmos minutos lendo alguma outra coisa. Algo que te faça se perguntar "hmm onde será que ele quer chegar com tudo isso?". E afinal, onde será?
Eu devia escrever alguma coisa inteligente por aqui, mas não consigo.
Queria conseguir atrair sua atenção, mas não sei como.


Também não sei exatamente sobre o que escrever.
Nenhum assunto bom o bastante pra encher essas linhas, nenhuma pauta que consiga render um post interessante, nada que realmente valha a pena.
Rock in Rio? Steve Jobs? Fotos de alguma celebridade pelada? Um filme bom que eu vi no cinema? Ou um filme ruim? Hm, não, nada que me empolgue.
Não existe nada neste exato momento que eu queira falar sobre.


Aqui eu deveria desenvolver o assunto, mostrar o porque de estar escrevendo sobre ele. Mas é impossível.
Como desenvolver a falta de assunto? Como mostrar a você que eu realmente não tenho nada a dizer, nada digno de nota, nada que va mudar a sua vida. Ou a minha própria vida. Nada criativo, nada sequer promissor. Porque é exatamente isso que eu tenho em mãos. Nada.
E pior, este deveria ser o momento mais longo do texto. Aquele em que eu deveria enrolar um pouco, fixar bem tudo o que eu disse, antes de partir para as linhas finais deste post. Mas de novo, se ja é difícil desenvolver a falta de assunto, como esticar ainda mais este assunto (ou a falta dele)??

Talvez criando parágrafos inúteis.

Que só sirvam para encher mais este espaço.

Mas que pareçam importantes, afinal, são parágrafos, independentes do resto do texto. Eles devem significar alguma coisa, o segredo para entender este texto.

Uhhhh, que importantes hã.

O quem sabe eu precise apelar para frases poéticas, com o intuito de preencher o espaço vazio, espaço este que jamais, jamais será preenchido. Espaço que, sob pena de estar sendo piegas demais, ja preenche o vazio do meu próprio ser, ainda que defasado pela ausência de.. de que?
De que?
Que?
?


Neste ponto, eu deveria criar a ponte para o final. Concluir todas as idéias acima, abrindo caminho para a conclusão de tudo o que foi dito.
E de repente até incluindo um pequeno "twist".
Porque talvez o problema maior não seja a falta de assunto, e sim a completa falta de estímulo.
Estímulo para escrever, estímulo para pensar, estímulo para viver.
Talvez o problema não seja a falta de assunto, mas sim a falta de coragem de olhar um espaço em branco. O medo de se perceber completamente sem idéias. O medo de, de repente, perceber que ninguém está lendo essas palavras.
O medo de falhar.


O final pode vir rápido, mas hoje deve demorar um pouco mais.
Criar as frases de efeito perfeitas, aquelas que vão fazer este texto ficar na sua cabeça, as que vão te fazer pensar, mais que qualquer outra linha aí em cima.
Normalmente elas vêm no ritmo do texto, prontas para serem usadas. De qualquer outro jeito, podem soar forçadas.
Mas hoje não. Afinal, como criar um ritmo da falta de assunto, da falta de estímulo, da falta de coragem?

Mas ainda assim, preciso tentar.
Pois é aí que está a coragem.
A coragem em falhar.

Ainda que eu não tenha assunto, ainda que eu não tenha motivos, coragem, estímulo, ritmo, ainda que eu não tenha leitores, linhas, parágrafos, poesia, começo, meio e fim.

Ainda que eu não tenha nada a dizer.


Eu preciso tentar.



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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Simples é o difícil

Por Renatinha

O difícil vem fácil, e o fácil, quase nunca vem.
E quando vem, logo vai... não sei, nunca vi o fácil.
Quer moleza, senta no pudim.
Mas o que tem de moleza nisso? Você sabe tirar mancha de pudim, por acaso?

Tá nervoso? Arranca as calças e pisa em cima. Essa eu nunca entendi, junto com a de bater a bunda no rio quando se tem frio.
A menos que esse rio seja na Pousada do Rio Quente, acho incoerente.

Deixa eu ir, que estou falando mais do que o homem da cobra.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Última Volta


Por Brancatelli

Alguns finais são mais tristes que outros.

Conheci o Ecos Falsos la em 2006, num programa da MTV chamado Banda Antes, que mostrava bandas ainda relativamente desconhecidas, apresentado pelo Rafael Losso. Lembro de achar os integrantes divertidos, as músicas originais. Existia uma química diferente dentro daquela banda, um bom-humor e um entusiasmo sincero misturado a uma despretensão quase casual. Muito diferente de tudo o que eu ouvia naquela época. Procurei quando ia ser a reprise daquele Banda Antes pra poder rever depois (em tempos pré-YouTube, esse era o jeito). E meio que me esqueci daquilo tudo..
Daí, ainda em 2006, lembro do show no Outs. Lembro de ouvir pela primeira vez aquela frase que mudaria tudo: “Eu só sou sentimental quando eu me fodo!”
Me peguei berrando o refrão de uma música que eu escutava pela primeira vez como se já fosse a minha música favorita.
E daí eu já estava conquistado.

Daí veio o primeiro CD, o Descartável Longa Vida, vários shows, mais uma porção de shows, a mudança na formação, o show no Jô Soares, o segundo CD, o Quase, e daí..
O fim.

Sábado passado aconteceu o último show oficial do Ecos Falsos.
Na platéia os fãs sempre fiéis à banda, no palco aqueles caras que eu não só tinha acompanhado de perto pelos últimos 5 anos, mas que tinham criado uma amizade real com o público.
Isso por si só já tornava tudo tão triste.
Mas não só isso.

O Ecos Falsos foi importante pra mim no sentido de me incentivar a escrever coisas novas, com um outro tom, não só em músicas mas em qualquer texto que eu escrevesse.
Me mostraram que ainda existia criatividade e originalidade num cenário habitado pelo mais do mesmo.
Descartável Longa Vida é, na minha opinião, um dos melhores discos nacionais lançados. Não, não só um dos meus favoritos, mas genuinamente um dos melhores.
E mesmo com aclamação da crítica, apoio de artistas como Tom Zé e Fernanda Takai, mesmo com os fãs fiéis e criando barulho na Internet, mesmo tendo tudo para o reconhecimento e para o sucesso..

O Ecos Falsos é a prova viva de que competência, qualidade e esforço não bastam.

Não quero acreditar que o público procura pela mediocridade.
Talvez a sorte seja fator essencial. Talvez fosse necessário abandonar a cara underground a qual a banda nunca abandonou, tornar-se mais “adequada” a um certo padrão. Talvez..

Talvez simplesmente não haja um motivo.
Como a própria banda define, a distância entre o "quase" e o "nada" é quase nada.

Alguns finais são mais tristes que outros.
Quando uma banda boa acaba no auge, tendo tido sua cota de sucesso, conseguido atingir o grande público, não é motivo de tristeza.
Mas quando uma banda boa acaba sem conseguir a consagração merecida, sem nem ao menos ter tido a chance de fazer sucesso.. bom, isso é simplesmente injusto.

Era daí que vinha a tristeza daquele último show.
Ver como as letras representavam aquele momento, ver a melancolia e o cansaço nos olhos de cada um deles. Ver a tristeza enorme da banda durante a última música, Reveillon, contrastando com a alegria e o entusiasmo daquele show 5 anos atrás.
Perceber que nenhum deles queria que fosse esse o fim.

Tudo o que eu posso fazer é agradecer ao Ecos Falsos por esse tempo que ele fez parte da minha vida.
Dizer que eu acho incrivelmente heróico eles terem mantido a banda por tanto tempo, mesmo quando nada parecia estar dando certo, mesmo com tudo que desanimaria qualquer pessoa normal.
E principalmente pedir pra que eles nunca duvidem que fizeram sim a diferença pra tantas pessoas diferentes.
Tanto com música quanto com atitude.

Porque Ecos Falsos é foda demais!

Agora chega de ser tão piegas.
Afinal, de drama no mundo já chega.
E sem esquecer, claro, louvado seja o Bom Amigo Inibié!

Sempre..

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domingo, 21 de agosto de 2011

Sobre o futuro.

Thiago Brancatelli é um velho triste de 60 anos, que mora sozinho em um minúsculo apartamento aos pedaços em um endereço que ninguém nunca se importou em anotar.
Sua maior alegria é gritar com as crianças que brincam na rua e com os pássaros que teimam em lhe tirar de seu sono a cada manhã.
Thiago Brancatelli odeia risada, bom-humor lhe embrulha o estômago e sorrisos fazem doer um ponto específico bem entre seus olhos.

Um de seus raros prazeres é sentar em uma mureta da Av. Paulista nos dias cinzentos e chuviscosos, bebendo um copo de café preto e sem gosto do Starbucks e assistindo seu pombo de estimação saltar pela calçada. Seu pombo de estimação, seu único e melhor amigo. Thiago Brancatelli o leva para passear a cada 3 semanas e meia, sempre usando uma coleira e munido de um chicote.
Sente falta dos seus amigos, mas sabe que estão melhor sem ele.

Thiago Brancatelli nunca teve emprego ou namorada.
Nunca teve futuro, odeia o presente e se esforça pra esquecer o passado.

Adora cortar sua barba com lâminas cegas e água fria, adora o som que um inseto faz ao ser esmagado com o dedão contra a parede do banheiro, adora comer comida congelada sem esquentar. Se diverte demais colocando números aleatórios nos Sudokus do jornal do dia anterior e criando palavras sem sentido nas palavras-cruzadas.
Thiago Bracatelli ri sozinho forçando e riscando a ponta do garfo no prato de comida quando janta sentado no chão de sua cozinha.
Gosta de passar horas olhando seu reflexo no espelho à procura de uma ruga nova, acha hilário quando finge conversar com sua própria dentadura e quando assiste ao canal do tempo.

Passa o tempo arrastando barulhentamente seus móveis sem motivo nenhum durante suas madrugadas insones. Quando cansado o bastante, se encolhe em posição fetal no centro do seu quarto, fecha os olhos e murmura alguma canção triste do seu tempo, até pegar no sono.
E nos seus sonhos, Thiago Brancatelli não é Thiago Brancatelli.
Nunca.
E nunca cometeu os erros que cometeu, e não carrega os arrependimentos que carrega. Não sendo Thiago Brancatelli, Thiago Brancatelli torna-se alguém.
Nos seus sonhos, Thiago Brancatelli nunca sonha em não ser Thiago Brancatelli.
Mas os pássaros o trazem de volta ao seu próprio corpo a cada manhã.
Sempre..

E ao passo que o fim se aproxima, mais Thiago Brancatelli entende que morrerá como sempre viveu, sendo quem sempre foi.
E, quase que comicamente, isso coloca um sorriso em seu rosto.


Thiago Brancatelli é um garoto de 25 anos.
Com os melhores amigos, a melhor família que uma pessoa pode ter.

E com todo um futuro pela frente..

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Chico


Por Brancatelli

Expectativas altas, boatos, opiniões intelectualóides, críticas abalizadas, comparações com o passado, notícias em todos os jornais, revistas e sites..

Um novo lançamento musical do Chico Buarque nunca é apenas um lançamento.
É um verdadeiro evento nacional.

E agora, 5 anos após o lançamento do álbum Carioca, ocupados pela criação do seu quarto romance - o festejado Leite Derramado - e pelo completo desprendimento musical, o compositor lança seu novo e breve disco, o primeiro de sua carreira a se chamar apenas Chico.
Com toda a pompa descrita la em cima, como não podia deixar de ser.

O disco é minimalista em seu nome, músicas, instrumentação e duração (pouco mais de 30 minutos).
Mas conta com canções que podem perfeitamente ser incluídas entre as melhores do músico. Um verdadeiro apanhado de todas suas fases, desde os primeiros sambas até as músicas mais difíceis dos últimos trabalhos.
Um passeio por toda sua carreira.

Chico parece ter alguns temas centrais.
Primeiro é óbvia a influência do seu romance com a cantora Thais Gulin, 36 anos mais nova. A relação entre um homem mais velho e uma garota mais nova é o foco de duas das melhores músicas do disco, o blues "Essa Pequena" e a faixa "Tipo um Baião", que é, tipo assim, um baião. O tema é percebido em "Se Eu Soubesse", com participação da própria Thais Gulin. E o peso da idade também está presente na bem-humorada e nostálgica "Barafunda".
Outro tema, como apontado pelo próprio Chico no making of do álbum (clica la, vale muito a pena), é a própria música. "Rubato" é uma brincadeira sobre uma composição roubada por outros músicos, que colocam a letra que mais lhes convém. "Nina" é uma valsa russa falando da própria valsa russa, assim como a ja citada "Tipo um Baião", com um dos mais lindos versos criados pelo Chico: "Meu coração / Que você sem pensar / Ora brinca de inflar / Ora esmaga / Igual que nem / Fole de acordeão / Tipo assim num baião / Do Gonzaga".
Restam ainda a melancólica "Querido Diário", a triste sequência da música de Tom Jobim "Sem Você nº2", a literária e trágica "Sinhá" e o divertidíssimo samba "Sou Eu", gafieira com a participação de Wilson das Neves.

Vale celebrar a parte instrumental de Chico.
No melhor da filosofia "menos é mais", o que é encontrado são instrumentos muito bem pensados e colocados na música. Impressiona esse cuidado em faixas como "Essa Pequena", por exemplo. Grande parte do mérito deste lançamento se deve a isso.

No final de "Sinhá", última faixa do álbum, Chico canta algo que se parece com seu próprio epitáfio musical:

E assim vai se encerrar
O conto de um cantor
Com voz do pelourinho
E ares de senhor


Com Chico, o compositor nos apresenta sua mais acessível (e talvez sua melhor) coleção de músicas em muito tempo, mostrando que ainda tem muito o que mostrar, calando a boca dos que o davam como acabado e mostrando por que é sim nosso maior compositor.
Esperamos que o conto deste cantor, com voz do pelourinho e ares de senhor, ainda esteja longe, muito longe de acabar.

domingo, 31 de julho de 2011

Adeus

Por Renatinha

Perder alguém não é fácil.
Eu já tinha perdido algumas pessoas, mas nunca as vi partir assim, na minha frente.

Não existe nada que apague essa sensação.

Estou aqui apenas para agradecer aquele que partiu por ter sido meu pai, meu amigo, meu porto seguro e até minha fonte de briguinhas sem sentido.

Quando eu já tinha aprendido a viver sem um pai, você apareceu na minha vida, dando mais significado para a frase de que pai é quem cria e não quem gera.

Eu não achei que fosse te perder tão cedo.

Agradeço ao destino, a Deus, o que seja, por ter permitido que eu tenha segurado sua mão nos seus últimos minutos aqui na Terra.

Passei minha vida me referindo a você como padrasto, mas só agora vejo como isso foi uma burrice. Você é e sempre será meu pai.

Obrigada por tudo.
Vou sentir sua falta.
Te amo.

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Maus


Por Brancatelli.

"Toda palavra é como uma mácula desnecessária no silêncio e no nada."

A frase, do escritor irlandês Samuel Beckett, é citada em uma conversa entre o desenhista Art Spiegelman e seu psiquiatra, cena real presente na sua HQ biográfica Maus ("ratos", em alemão), publicada em 1991.

A obra, inicialmente criada para contar a história de como seu pai, Vladek Spiegelman, sobreviveu aos horrores da Segunda Guerra e ao campo de Auschwitz, acabou se transformando num relato do difícil relacionamento entre pai e filho.
Mais que isso, em um acerto de contas do autor consigo mesmo e com seu passado conturbado.

Mesmo retratando os judeus como ratos e os alemães como gatos, Spiegelman humaniza seus personagens de uma maneira extremamente sóbria. Do soldado nazista ao povo polonês (retratado como porcos), dos informantes traidores até seu próprio pai, o estereótipo do judeu mesquinho, pão-duro e racista.
Não existem heróis perfeitos, o que existe são seres-humanos, tão imperfeitos e cheios de falhas que é impossível não reconhecermos a nós mesmos.

Em Maus não existe a idealização.
Apenas a realidade.

Alternando a história de seu pai à sua própria, Art tenta justificar a difícil figura do pai, moldada pela Guerra, pela perseguição, pelas perdas e pelo suicídio de sua esposa.
Desse modo, Art acaba tentando justificar suas próprias ações. Em certo momento, o autor percebe que, no fundo, ele sempre competia com a lembrança de seu irmão, morto na Guerra antes mesmo de seu nascimento, e que tudo o que ele carregava disso era culpa. Culpa por não ter passado pelo que seus pais passaram, culpa por ter sobrevivido ao seu irmão, culpa por não conseguir entender o sofrimento de se estar preso em um campo de concentração, de passar fome e estar às portas da morte, culpa por se sentir explorando a tragédia do Holocausto em sua obra, culpa pelo seu próprio sucesso.
Enquanto relata a história de seu pai, Art liberta todos seus traumas psicológicos.

"Toda palavra é como uma mácula desnecessária no silêncio e no nada."

Tentar definir o horror do Holocausto nazista é uma tarefa impossível, mesmo para quem sentiu suas marcas na própria pele. Pior ainda seria tentar entendê-lo.
Na conversa onde essa frase é citada, Art é questionado por seu psiquiatra do porque de existir tantas obras sobre o Holocausto, se ainda assim as pessoas não mudaram.
Maus não tenta explicar o que aconteceu, e tão pouco justificar. A obra apenas mostra, em uma leitura pesada e perturbadora, as profundas cicatrizes que tudo aquilo deixou em seus sobreviventes, seja nos diretos quanto nos indiretos.
Não importa os culpados, apenas as vítimas.

A ilimitada maldade humana não é algo compreensível.
E qualquer tentativa de representá-la acaba sendo apenas uma mácula desnecessária no silêncio, que por si só já diz muito mais.

Mas conseguir transformá-la em arte?
Isso sim é admirável.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

#vitorvieiraday


Por Renatinha

Entendam, sou eu reclamona de mão cheia.
Tenho PhD em reclamar da vida.

Mas tem uma coisa que nem minha avançada capacidade me permite reclamar: meus amigos.

Tenho amizades fortes e duradouras.
Tenho aqueles amigos para se rir e chorar.

Hoje é aniversário de um deles.
Essa não é só uma celebração de mais um ano de vida dele, para mim, é a celebração do nascimento dele que por consequência e pelos tortuosos caminhos da vida, trouxeram ele até uma sala do 6º andar da Faculdade Cásper Líbero batendo na porta, jogando sua franja e levando embora uma das únicas pessoas que ainda fazia alguma coisa naqueles benditos trabalhos.

Vi ele passar de um garoto punk para um malandro sambista, vi ele sofrer de amor e partir corações, vi ele de pijama e na sua mais fina estica (/soumalandra), estava lá quando uma Ice bastava e quando doses de vodca eram tomadas repetidamente, até quando ele desafiou Iemanjá, eu estava lá para temer pela vida dele...

Sobrevivemos à Cásper, a JUCAs, a Ferpps, a viagens para Australia, a todas brigas possíveis que esse grupo já enfrentou e espero sobreviver a muito mais coisas, boas e ruins (já que sabemos que elas virão).

Ele não tem noção do tanto que eu o admiro. Acho-o excelente em tudo que faz, gosto da postura dele em 99% das coisas (menos em relação às músicas que eu gosto haha), respeito suas opiniões e gosto de vê-lo falar sobre os assuntos da vida.

Estou ficando sem palavras para declamar meu amor, então terei que encerrar com a frase mais bonita que ele já me ensinou e que resume nossa amizade:


"Só quem é".


Te amo, Vitinho.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Suck It And See


Por Brancatelli

Tudo começou com a incapacidade de 4 adolescentes de Sheffield em colocar suas próprias músicas na Internet.

O barulho criado em torno do Arctic Monkeys já era alto em meados de 2004 quando, buscando preencher o vazio deixado pelo fim do Libertines, a Inglaterra voltou seus olhos à procura do futuro do rock britânico.
O "futuro" em questão, sem saber como colocar suas próprias músicas na Internet, contou com a ajuda dos fãs, a partir de demos distribuídas durante algumas apresentações. Não demorou para que o perfil criado no MySpace (sem o conhecimento da banda) começasse a levar cada vez mais gente aos shows e, claro, atraísse a atenção da crítica musical especializada.

O resto é história..


Agora, 5 anos após o lançamento do álbum de estréia - Whatever People Say I Am, That's What I'm Not - o Arctic Monkeys lança seu quarto disco, chamado sutilmente Suck It and See (uma expressão comum na Inglaterra, que significa algo como "dê uma chance").
E enquanto eu engolia em seco esperando (ou seria "temendo") uma continuação do álbum anterior, o Humbug, quem imaginaria que a banda iria por um caminho completamente diferente?!

Quem esperaria?
Bom, eu já devia esperar.
Acostumados em surpreender a cada música lançada, Alex Turner e companhia deixaram de lado os acordes sombrios e o clima arenoso do Humbug e criaram faixas cheias de "shalalalas" e "iéiéiés".

Não me levem a mal, o Humbug é um ótimo CD.
Mas não era, nem de longe, o CD que eu esperava do Arctic Monkeys.
Com forte influência do co-produtor Josh Homme e do clima desértico da Califórnia, onde foi gravado, o álbum tinha um clima carregado demais, sombrio demais, pesado, escuro.
Sempre que eu falava sobre ele, os elogios vinham acompanhados de um "mas".
Ótimo álbum, com ótimas músicas, mas..


Suck It and See é o CD que eu esperava do Arctic Monkeys.


Mais leve, mais pop, mais "acessível".
As letras de Turner marcam, em certos momentos, um retorno ao seu "estilo observador" dos dois primeiros álbuns, só que mais refinado.
Os riffs e as guitarras rápidas deram lugar a algo mais bem pensado, por assim dizer. Se a banda perdeu parte da energia que vinha a partir disso, ela acabou ganhando em harmonia. Cada instrumento parece ter um lugar exato em cada faixa.
Vemos então uma coleção de músicas que vai do rock à balada. Da experiência rítmica esquizofrênica à faixa final de apenas dois acordes. Do romance à ironia. De Sundance Kid a modelos topless.


Em seu quarto álbum, o Arctic Monkeys criou o meio termo perfeito entre os dois primeiros e o terceiro trabalho.
Se tivesse sido lançado entre eles, talvez tivesse tornado o Humbug um tanto mais facilmente "digestível".
Do jeito que aconteceu, a banda se aproxima de uma década de existência confirmando todas as apostas feitas quando suas músicas não passavam de uma demo distribuída nos shows.

Talvez até superando-as.

A expressão britânica "suck it and see" é como um convite. Arrisque. Experimente algo novo. Faça algo novo.
Alex Turner não fala mais sobre garotas em pistas de dança e questões adolescentes.
Suas composições cresceram e amadureceram tanto quanto os 4 garotos de Sheffield, que há pouco tempo não sabiam nem colocar suas próprias músicas na Internet.

Ao que parece, ele ainda tem muito o que falar.

Dê uma chance.

Arrisque.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Patrick F**** Stump


Por Renatinha

Se existe um músico subestimado, esse alguém é o Patrick Stump.

Patrick, para quem não lembra, era o vocalista do Fall Out Boy e sim, fazia toda a diferença na banda.

O problema de ser subestimado começou com o próprio Patrick, que não se achava capaz de sair de trás da bateria (pois é, ele era baterista antes) e assumir os microfones.
Foi graças ao seu amigo e ex-companheiro de banda Pete Wentz que Patrick se descobriu como vocalista.

Sorte deles e sorte nossa.

No meu post sobre FOB, eu já destacava que achava que um dos pontos mais fortes da banda eram os vocais e comentei também que no começo Patrick não sabia usar sua voz da forma correta, e que conforme ele foi aprendendo o que era capaz de fazer a banda foi ficando melhor.

Agora, o Patrick não se subestima mais... ao contrário, sabe do seu valor e quer mostrá-lo para o mundo.

Depois do fim da banda, ele resolveu que a sombra de Pete Wentz o encobriu por tempo demais (isso sou eu que digo e não ele) e que ía lançar um álbum solo.

Solo no sentido bem literal da coisa.
Ele gravou em seu estúdio caseiro, todos os arranjos das músicas do seu EP Truant Wave. Pois é, veja bem você que ele não é só um baterista-vocalista, Patrick Stump é um artista completo.
Porque até a atitude timída no palco mudou e ele ensaia até passos de danças em suas apresentações, isso sem contar os inúmeros vídeos que fazia de suas peripércias em estúdio. Esse trabalho de interagir com o público em seu tempo de FOB ficava nas mãos de Wentz, liberando Patrick para ser mais apagado... Mas agora não tem mais jeito.

*medo começou a tocar FOB no meu shuffle*

Ele enrolou, enrolou e enrolou, mas esse EP saiu e saiu muito bom.
Não tem nenhuma semelhança com nada feito pelo FOB e essa é a parte mais positiva do álbum, outra coisa muito importante é que ele continua descobrindo o quanto consegue fazer com sua voz e tem tirado vantagem disso. Se antes sua voz e a atitude de Pete dividiam o spotlight, agora ela reina no centro das atenções.

E é exatamente Spotlight o nome da principal música de trabalho desse EP. Antes do lançamento ele pediu para que os fãs na sua página de Facebook escolhessem a versão da música que gostavam mais e a escolhida iria ser a lançada.
No canal do moço no Youtube (clica, bocoió!), você pode ver os vídeos dele em estúdo, as versões das músicas e o lindo clipe da versão escolhida de Spotlight.

Mesmo que a mídia e muita gente não dê o valor que o Patrick merece, não seja bobo e pare para escutá-lo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Toque Dela


Por Brancatelli

Sim, o novo álbum do Marcelo Camelo, Toque Dela, foi lançado há mais de dois meses, e só agora ele aparece por aqui no blog.
Mas confesso, esse foi o tempo que eu precisei para começar a simpatizar com ele.

A primeira música lançada, "Ôô", já tinha se mostrado meio chatinha. Não era necessariamente ruim, mas simplesmente não dava vontade de ouvir de novo, falha fatal em qualquer música. Foi com essa cabeça que eu escutei o CD, no conforto do meu carro, e precisei parar na metade sob risco de dormir ao volante. Saí falando para quem quisesse ouvir que o CD era chatíssimo, um verdadeiro porre.
Dei outra chance alguns dias depois. Algumas músicas já começaram a soar melhor, e dessa vez fui até o final. Foi suportável, mas nada que me impulsionasse a ouvir de novo. E ele voltou ao meu porta-luvas.
A terceira chance foi bem melhor. Percebi algumas músicas bem boas, que inclusive dava vontade de ouvir de novo, e de novo, e de novo. Conseguia encontrar momentos bacanas inclusive nas músicas mais fracas.

E pronto.
Pouco a pouco, fui conquistado.

Não duvido também que essa tenha sido a intenção do músico.
Um álbum que não pede por uma ou duas audições, mas exige um esforço por parte do ouvinte, como já se acostumou qualquer um dos seus fãs, desde a época do Los Hermanos.
Você precisa se afeiçoar às músicas para entende-las e, assim, aceita-las.

Sorte que a banda Hurtmold repete aqui a parceria do primeiro CD, conseguindo elevar mesmo a composição mais simples do Camelo, fazendo cada música ao menos valer a pena pelo instrumental.
Ela é simplesmente perfeita, em todas as 10 faixas.

O mesmo não pode ser dito das 10 faixas em si.
"A Noite" e "Ôô", que abrem o disco, são bem descartáveis. "Pretinha" é daquelas que você precisa aguentar os constrangedores versos iniciais para chegar na parte boa.

Apesar disso, as outras se provam bem bacanas!
"Tudo Que Você Quiser" começa arrastada, e precisa ser ouvida com atenção para poder ser apreciada. "Vermelho" consegue empolgar, e "Meu Amor É Teu" foi uma ótima escolha para fechar o disco, apesar de repetitiva demais. Até "Despedida" consegue aqui uma versão muito melhor que a gravada pela cantora Maria Rita. E tem "Pra Te Acalmar", que poderia estar calmamente no quarto - e último - álbum do Los Hermanos (consigo inclusive imaginar a voz do Rodrigo Amarante cantando a música, se não com os Hermanos, com seu outro projeto, a Orquestra Imperial)).
E Toque Dela apresenta pelo menos duas músicas fantásticas: a deliciosa "Acostumar" e a épica "Três Dias", parceria com André Dahmer, criador das tiras e do site Malvados.

Com um material melhor e principalmente menos cansativo que seu álbum de estréia, Sou, Marcelo Camelo aparece aqui mais solto, mais à vontade, menos melancólico, coisa que inclusive se reflete em sua voz, melhor que nunca.
Deixando de lado as letras estruturadas dos seus velhos tempos, ele parte para a escrita intuitiva, favorecendo os sons das palavras acima do que significam, acertando em alguns momentos e errando em outros.. mas arriscando.
Se o CD anterior tinha o trunfo de algumas músicas já conhecidas, como "Liberdade" e "Santa Chuva", este faz jus ao talento criativo e melódico do compositor.
Sem contar os lindos arranjos de cada música, que por si só já garantem o disco.

Não é o tipo de trabalho que vai mudar a opinião dos que o detestam.
Mas certamente vai manter sua legião de fãs.
Da qual eu, orgulhosamente, faço parte.

Ainda que com algum esforço.

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terça-feira, 10 de maio de 2011

Tempo kd vose/


Por Renatinha

Não tá fácio (vem me corrigir que dou na sua cara!).

Estou me perdendo no mundo das séries.
O trabalho me toma o precioso tempo dedicado às aventuras dos Winchester, à busca da esposa de Ted, à busca pela solução do problema de Tara, à luta pelo trono de Westeros, à cantoria de Glee, à busca pela próxima top model americana e até para rever a história da babá de Flushing com o produtor britânico.

Me sinto deixando meus amigos de lado.
Sinto que Cas deve estar chateado comigo por não estar escutando seus problemas enquanto resolve a guerra no céu.
Aposto que o Barney nunca mais vai me ligar depois de eu ter sumido dessa maneira (ou não né? ou ele vai me achar o par pefeito).

Se eu continuar assim não vou para as Nationals e ainda corro o risco de não poder mais ver o bebê da Charmaine.

Prometo colocar tudo em dia antes que vire mais odiada que Lannister em Winterfell... Até porque essas séries são minha alegria de viver, ninguém quer ficar armagurado feito a CC.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Jeneci no Ibirapuera


Por Brancatelli

Confesso que eu estava com medo do show do Marcelo Jeneci.

Não por duvidar do talento musical dele, nisso ele já tinha se provado com o seu CD, Feito pra Acabar (sobre o qual você pode ler clicando AQUI!)
Mas à medida que o público ia chegando ao show, martelava na minha cabeça que o músico talvez ainda não estivesse preparado para comandar todo aquele monte de gente que lotava as cadeiras do Auditório do Ibirapuera.
Afinal de contas, após fazer papel de músico de apoio por tanto tempo, o "papel principal" ainda era algo novo para o Jeneci, assim como para a cantora Laura Lavieri, que o acompanha em quase todas as músicas do disco.
Será que eles teriam tato para cativar o exigente público paulistano?

O medo durou bem pouco.
Multi-instrumentista nato, alternando guitarra, piano e sanfona, Marcelo Jeneci mostrou que de iniciante ele não tem nada.

Saído de Guaianases direto para a banda de Chico César em 2000, portando uma sanfona dada de presente pelo mestre Dominguinhos, a qual aprendeu a tocar sozinho, Jeneci moldou seu nome compondo com gente como Vanessa da Mata (que inclusive participou de duas músicas do show no Auditório) e Arnaldo Antunes, tendo suas canções em destaque nas novelas da Globo, acumulando respeito e admiração dentro do novo cenário da MPB e se firmando como grande revelação da música nacional.

Tudo isso deu a Jeneci a experiência necessária para tocar com segurança todo seu álbum de estréia, além de composições novas, parcerias que não estão no CD e até uma cover do Roberto Carlos ("Do Outro Lado da Cidade", que ficou ainda melhor que a original do Rei).
Não contente em tocar com perfeição cada uma das músicas que a platéia queria ouvir, o músico ainda se divertia fazendo isso, soltando piadas entre uma música e outra, conversando com a platéia e visivelmente orgulhoso e emocionado em ver o reconhecimento dentro da sua própria cidade.
Sem esquecer a fantástica banda de apoio reunida no palco, que por si só já merecia um post extra por aqui..


Marcelo Jeneci tem o talento se conseguir se comunicar com diversos tipos de público, do mais popular ao mais, digamos assim, "intelectual".
Suas músicas não são simples trabalhos, é fácil encontrar a emoção do artista nelas.. e isso fica claro quando as ouvimos ao vivo, sentindo aquilo que ele sente, percebendo o que cada uma delas significa para seu criador.

E com a humildade de quem ainda está dando seus primeiros passos, ele prova que tem o que é necessário para marcar seu nome para sempre na música popular brasileira.

Com músicas que, com toda certeza, não foram "feitas para acabar".

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Os discos que ouvi, a vida que levei


Por Brancatelli

Sim, já começamos aqui no Two Cold Fingers as mudanças comentadas no meu último post.
Mas calhou de eu ter alguma coisa pra escrever bem numa quinta-feira.
Acho que é isso que chamam de ironia, hein..
Independente do que eu faça, meus posts sempre serão "de quinta".

Bom, isso aqui é o que eu tenho ouvido:


Pulp
Different Class

O "britpop", espécie de movimento musical britânico dos anos 90, tinha sua santa trindade.
Tinha o Oasis, com as infinitas brigas dos irmãos Gallagher e a fixação em ser os Beatles.. tinha o Blur, com suas ousadias e pretensões musicais.. e tinha o Pulp.
Confesso que só tinha escutado umas poucas músicas da banda liderada pelo (gênio) Jarvis Cocker, mas finalmente tomei vergonha nessa minha cara feia e escutei sua obra máxima, o álbum de 1995 "Different Class".

E fui tomado por uma sensação de "onde você esteve toda minha vida?"!

Primeiro vale a pena dizer que o termo "britpop" é simples demais para qualificar o som que se fazia no Reino Unido. Basta escutar qualquer banda inclusa nesse grupo (ainda que nunca por vontade própria delas) para perceber o quanto uma é diferente da outra.
E é isso que define esse álbum: algo diferente de qualquer outra coisa, e por isso tão indefinível. E se o próprio nome "different class" já não explicava isso, a frase no verso do álbum acabava com qualquer dúvida:

"Please understand. We don't want no trouble, we just want the right to be different. That's all."

Ainda não conhece?
Toma vergonha nessa cara (feia ou não) e vai atrás!

Extremamente obrigatório.

Melhor música: Common People (ok, a versão do William Shatner consegue ser ainda melhor.. mas é a música ideal pra conhecer esse disco!)


Adele
19 e 21

O primeiro álbum dela, "19", foi lançado em 2008 e já nasceu aclamado pela crítica. O segundo e mais atual, "21", foi lançado agora em 2011 e já bateu uma pá de recordes de vendas.
Então o que mais eu podia fazer a não ser escutar essa garota pra ver se é tudo isso mesmo?

Sendo uma mistura de Amy Winehouse e Duffy, mas conseguindo ainda assim manter sua própria identidade, Adele talvez falhe na tarefa de criar músicas mais fortes e marcantes.. mas até a mais medíocre das músicas torna-se grandiosa com sua interpretação. É aí que está a força da artista.
E que força! Não tão suave quanto uma Duffy nem tão forte quanto uma Amy Winehouse, Adele consegue um equilíbrio certeiro para ser única, conseguindo tornar sua voz suave ou poderosa dependendo do que a música peça.
Algo até arrepiante.

Apesar de se mostrar bem à vontade no seu CD de estréia, ele se solta ainda mais no seguinte, mostrando talvez uma evolução para algo mais pop, sem perder a raíz no soul.
Entre tantas Britneys, Gagas e genéricos, que se calcam em polêmicas e na sensualização da própria imagem, é um alívio ver uma mudança dessas no gosto popular.

Melhor música: Chasing Pavements (19) e Someone Like You (21)


The Vaccines
What Did You Expect From The Vaccines?

Perdi as contas de quantas vezes li Internet afora que o The Vaccines era o "novo Strokes".
Agora, já tendo ouvido o CD de estréia deles, preciso fazer a seguinte pergunta:

Quem afirmou isso ouviu QUALQUER música do Vaccines???

Musicalmente eles não têm nada a ver!
Fisicamente eles também não têm nada a ver!
Talvez eles usem tênis parecidos, ou compartilhem o mesmo número de dedos nas mãos, mas fora isso simplesmente não tem nada a ver!

Pronto.
Desabafei.

O álbum é bacana.
Não é a salvação do rock, não trás nada de novo, é inclusive cansativo e pouco inspirado em alguns momentos, mas apresenta antes de qualquer coisa uma banda promissora.

Engraçado perceber como algumas músicas lembram um Ramones sem a pegada punk. O segundo single do álbum, "Post Break-Up Sex", por exemplo, remete de imediato à clássica "The KKK Took My Baby Away".

Mas Brancatrolhas, você ta me dizendo que Vaccines tem mais a ver com Ramones que com Strokes?

Sim. o/

Independente disso, eles estarão aqui no Brasil no Festival Planeta Terra, juntinhos de Julian Casablancas e companhia.
Então escutar esse CD acaba sendo uma necessidade, vai..

Melhor música: If You Wanna (e é sério, é boa MESMO!!)


Engraçado, eu meio que falei do passado, do presente e do futuro da música.
Meio assustador perceber isso agora, não?!

Vamos tentar não fazer mais isso..

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Orkutização da Shakira


Por Renatinha

Parece que faz tanto que eu via uma Shakira de cabelo preto brilhando (aliás, ela foi uma das pessoas que mais me fez querer ter cabelo preto quase azulado), seu violão e repetindo que ela estava lá.

Parece que faz uma eternidade desde que ela ía no Programa Livre (oi, sou velha) e que batia cartão no Brasil.

Parece que faz tempo, mas não faz tanto tempo assim... Mas aí ela deu uma sumida, colocou a barriga de fora, pintou o cabelo (primeiro de vermelho e depois de loiro), começou a cantar em inglês... biscateou né?

Nada contra, ela tem mais é que fazer o que dá na telha dela, maaaaaaaaaaaaaas... eu tenho a impressão de que essa mudança causou efeitos negativos nas músicas delas.
Inegável que músicas em espanhol parecem ter mais sentimento. As músicas pareceram querer vender mais o rebolado e menos a voz fenomenal dela...

Seria uma necessidade do mercado ou a Shakira que resolveu não mentir com os quadris?
Algumas músicas dos cds ainda mantém a qualidade antiga, mas nas paradas sempre encontramos aquelas com pouca voz e muita bunda. Biscatizando, vendendo corpo ao invés do talento...
Juro que entendo isso quando não se tem talento, mas quando se tem o talento que a Shakira tem? Acho até triste que valorizem mais o requebrado do que a voz.

Nota: Nada contra a aparência dela agora, está LINDA.

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tempos de Mudança..

Pessoal, a falta de tempo/assunto nos últimos dias acabou deixando o blog às moscas na semana passada.

Vendo isso, a equipe do Two Cold Fingers (que se resume à Renatinha e a mim.. mas soa muito mais bacana quando chamamos de "equipe") está pensando em algumas mudanças pro blog, a começar pela frequência de posts.
Se atualmente tentamos manter uma ordem pré-estabelecida de que eu posto às quintas e a Renatinha posta às segundas, queremos anarquizar um pouco e acabar com isso. Cada um postando o que quiser quando quiser e se quiser. Daí quem sabe a gente evita textos forçados e acaba um pouco com a encheção de linguiça que temos aqui de vez em quando.

Como o blog não tem nenhuma pretensão financeira ou coisa do tipo, ele é apenas um prazer para nós.. e acho que essa mudança é necessária para que ele continue sendo exatamente isso.

Mas claro que queremos, se possível, ouvir a opinião de quem acompanha o blog sobre essa mudança em especial.

O que vocês acham disso? Ou melhor, vocês acham alguma coisa sobre isso??
Acham que essa mudança melhoraria o blog, os textos? Ou preferem como está? Têm algum outro pedido de mudança? Já assistiram Mudança de Hábito? Ótimo filme, não acham?! Têm algum animal aquático preferido? Se sim, qual? E quem vocês acham que venceria numa partida de gamão, ele ou o Aquaman?
Tenho comida nos meus dentes? Acham que eu ficaria bonito num decotado vestido lilás?
Se um trem parte do ponto A a 90 Km/h e outro parte na direção contrária do ponto B a 130 Km/h no mesmo trilho, em quanto tempo eles irão se chocar? E quem entraria num trem sabendo que vem vindo outro na direção contrária? Não é óbvio que eles vão se chocar? Que vai dar MERDA? NÃO É?? PRA QUE CARALHO QUE VAI COLOCAR DOIS TRENS EM DIREÇÕES OPOSTAS NO MESMO TRILHO, MEU DEUS??? NÃO PODE DAR CERTO!!!

Comentem.
Nós queremos saber!

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domingo, 10 de abril de 2011

5 motivos para amar séries britânicas


Por quê?
Por queeeee eu amo tanto séries britânicas?

1) Temporadas com menos episódios:
Não me leve a mal, existem algumas séries que conseguem manejar muito bem seus 20 e tantos episódios... Como Supernatural, que consegue manter os episódios alternando com alguns eps engraçados e fora da história. Mas tem séries que simplesmente enrolam e enrolam e você fica ali sentado, irritado esperando o desfecho do plot daquela temporada. Ok, não precisa ser nada como Sherlock Holmes e ter apenas 3 eps de 1:30, mas pode ser um Secret Diary of a Call Girl e ter 8 episódios que resolvem tudo.

2) Humor:
Sarcasmo, ironia, acidez e non sense feito com qualidade e sem barreiras. Piadas simples, ao estilo Mr. Bean ou non sense e surreal como em Monthy Python.

3) Ótimos atores:
Sabe aqueles atores que você raramente vai ver em filmes americanos porque eles não estão em Hollywood? Então, você tem a oportunidade de vê-los em diversas séries britânicas. Muita gente que demorou anos para chegar nas telas americanas como Hugh Laurie, já era alguém na noite faz tempo no Reino Unido.

4) Sem falso moralismo:
Não pode mostrar sexo, não pode mostrar drogas, todas as famílias são comercial de margarina, não pode falar de política..
Pffffff!
Séries britânicas não sustentam esse falso moralismo. Mostram famílias desajustadas, pessoas desajustadas e o quanto a sociedade dá pouco apoio a quem precisa. Mostram sexo sem criar fantasmas em relação ao assunto, mostram jovens usando drogas porque querem e não porque a família não dá suporte para os filhos.

5) Sotaque:
Claro. Tem como não amar o sotaque britânico? Passar episódios e mais episódios de séries ouvindo aquele sotaque é apaixonante.

Então se joguem: Skins, Misfits, Secret Diary of a Call Girl, IT Crowd, Dr Who, Sherlock Holmes, Merlin,...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Casey


Ele ficou conhecido como “Gordinho Zangief”, por causa do personagem do jogo Street Fighter, mas seu nome verdadeiro é Casey Heynes.
Incomodado por um outro garoto, ele acaba perdendo o controle, vira o garoto de ponta cabeça e o joga no chão. Enquanto o garoto sai mancando, Casey se vira calmamente e vai embora.

O vídeo do episódio, colocado no YouTube logo depois, virou sensação da Internet.
Casey, de 15 anos, se tornou uma celebridade instantânea, do tipo que surge a cada semana na rede. Mas, ao invés de ser apenas motivo de piada e montagens mundo afora, Casey conheceu um outro tipo de fama..

A de um herói.

Vitima de gozações por toda sua vida, devido principalmente ao seu peso, ele finalmente revidou. Após engolir todos os tipos de provocações e agressões, ele não suportou mais e, no fim, acabou se tornando um exemplo a qualquer um em sua situação.
E, de um exemplo, tornou-se um herói.

É interessante ver a comoção causada pelo episódio.
O bulliyng, palavra que serve para denominar o tipo de agressão que Casey sofre diariamente, finalmente está se tornando foco de discussões. Livros, programas jornalísticos, séries de TV, filmes..
E tudo o que eu consigo pensar é:

Onde vocês estavam no MEU tempo?

Esse assunto se torna pessoal para mim porque eu sofri tudo isso nos meus tempos de colégio.
O garoto estranho e inseguro, que passava o intervalo lendo ou ouvindo música no fundo da sala, que não conseguia se relacionar direito com ninguém. Um alvo fácil pra qualquer um que quisesse se divertir com alguém mais fraco, qualquer um que quisesse se sentir melhor consigo mesmo às custas de outra pessoa.
Sim, eu era um alvo fácil.
Quem mandava eu ser como eu era, eu era o culpado por tudo aquilo que acontecia comigo.
Eu era o único culpado pelo que acontecia.

Confesso que isso era exatamente o que eu achava.

Entendam uma coisa, no bullyng o pior não é a humilhação, as surras, os insultos.
O que te mata por dentro é a sensação de se estar completamente indefeso, a vergonha, a submissão. Essa é a verdadeira humilhação. Ser agredido, física e psicologicamente, e não fazer nada, e se ODIAR por não fazer nada. É a sensação de que, por aceitar aquilo calado, você merece tudo aquilo. Afinal, você fez por merecer. Você é fraco, não é?! Você é estranho, não é?!
Então aceite.
Calado.

Vou contar uma coisa que eu não costumo contar.

Teve um dia, durante um intervalo entre as aulas, que eu estava sozinho na sala, sentado na minha mesa, lendo uma revista, como eu costumava fazer para me manter longe de problemas.
Eles então entram na sala, andam até a minha mesa e arrancam a revista das minhas mãos. Aí eles seguram meus braços, me arrastam pela sala, me levantam e, rindo, me colocam dentro da lixeira. Tudo isso numa fração de segundo. Enquanto tudo isso acontece, um grupo de garotas, reunidas no corredor, vê aquela cena e ri. Entre elas, uma garota que eu gostava, que eu considerava minha amiga. Quando eles vão embora, gargalhando e me xingando, eu faço exatamente o que eu podia fazer: levanto, limpo a sujeira e, silenciosamente, volto para a minha mesa. E a aula recomeça.
Só quem passa por isso entende a sensação que é ser tratado como lixo.
E só quem passa por isso pode entender o que isso faz com o espírito de uma pessoa.

Para a minha sorte, eu tinha a melhor família do mundo, e os melhores amigos do mundo.
Mesmo que eu não contasse isso pra ninguém, eles estavam la, me ajudando a me sentir melhor comigo mesmo, me ajudando a rir, de mim e do mundo.
E se eu passei por tudo isso com um pingo de sanidade, foi por ter aprendido a rir. Se eu sorrisse, mesmo no pior dos dias, então eu sabia que eu conseguiria passar por tudo aquilo. E, num passe de mágica, tudo ficava bem.
Então eu sorria.

E isso fez de mim a pessoa que eu sou hoje.

Acho que, no geral, tudo o que eu passei me tornou uma pessoa melhor.
Sei que muitos dos meus problemas têm origem naquela época, muita merda que eu faço é um reflexo da insegurança que o meu passado moldou em mim, mas ainda acho que eu sai no lucro.
Tem uma história que diz que dois prisioneiros estavam em um campo de concentração nazista. Fracos, magros, humilhados e indefesos. Então um deles começa a rezar. O outro pergunta “o que você está fazendo” e ele diz “eu estou agradecendo a Deus”. O outro então pergunta pelo que diabos ele pode estar agradecendo, e ele diz:
“Por eu não ser como eles”.

Independente do que eu passei, eu me sinto agradecido, por um simples motivo.

Por eu não ter sido como eles.

Foque nos dias bons, mantenha o queixo erguido e lembre-se que a escola não irá durar para sempre.
Segundo Casey, é isso que ele diria para os milhares de garotos que passam pelo mesmo que ele.
Eu acho que é exatamente o que eu diria.

Ah, e sorria.

Sempre.

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VIPs


O maior erro que alguém que assiste um filme baseado em fatos reais pode cometer é colocar a palavra "fatos" acima de "baseado".
A vida real necessita de uma certa "romantização" nessa passagem, diálogos mais marcantes, drama, conflitos. A vida real precisa de uma dose fictícia de glamour para tornar-se interessante o bastante pra tela grande.
A vida real, seca e crua, não da bilheteria.

É aí que mora o maior pecado do filme VIPs.
No ímpeto de tornar uma história real em algo mais.. digamos assim, comercial.. VIPs exagera e perde o tom.

A história real é a do golpista Marcelo Nascimento da Rocha que, após servir de piloto para traficantes paraguaios, em seu trambique mais famoso se faz passar pelo irmão do dono da empresa aérea Gol, aproveitando as devidas mordomias que seu papel lhe proporciona (leia mulheres, entrevistas e puxa-sacos).
Esse caso foi retratado no livro "VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso", de Mariana Caltabiano, que serve como base para o filme.

E é a isso que se limita a história real.
Uma base.

Apesar do próprio Marcelo ter assumido que fazia o que fazia apenas pela diversão, o filme tenta criar um motivo psicológico para isso, como que na tentativa de justificar os atos do personagem. Para isso ele faz uso da figura do pai e da presença sufocante da mãe. Não contente, ainda lança mão do motivo mais clichê do mundo, o "garoto inteligente e rejeitado que não encontra seu lugar no mundo", e faz disso tudo um pretexto para a suposta crise de identidade do protagonista.
De um malandro tentando se divertir, Marcelo passa a um rapaz psicologicamente perturbado que precisa adotar outras identidades para se sentir completo.
Afinal, isso seria muito mais interessante.

Mas seria mesmo?

A escolha do elenco, da forçada Gisele Fróes ao ótimo Norival Rizzo (mãe e pai do Marcelo, respectivamente, claro) é uma montanha-russa, exemplificada na atuação do protagonista Wagner Moura. Hora fantástica, hora constrangedora.
Mas se o filme vale por alguma coisa, é pelo seu ator principal. Indepedente de alguns exageros (que aparentemente estão la para contrastar com alguns momentos mais sutis), Wagner Moura mostra por que é um dos melhores atores de sua geração, e de muitas outras. Principalmente quando comparamos seus diversos papéis ao longo de sua carreira e percebemos que cada personagem é um personagem completamente único.
Sabendo ser carismático, engraçado, charmoso e mentalmente perturbado, ele é o principal motivo para assistir ao filme.

. . . mas vale dizer que sua interpretação de Renato Russo cover soa mais um Sidney Magal gripado.

Ao ver boa parte do cinema sair achando que os fatos mostrados na tela são de fato os fatos reais, percebe-se que um aviso seria bem-vindo ao começo do filme.
Algo do tipo "apesar de se basear em uma história real, VIPs é uma obra de ficção, mostrando eventos que na verdade nunca aconteceram e moldando seus personagens de acordo com seu próprio interesse".
Isso já seria bem esclarecedor.

VIPs não é um filme ruim, mas também não é um filme ótimo.
Ele respeitavelmente tenta mostrar toda a existência patética do personagem principal (que é realmente um coitado), e até consegue em alguns momentos.
Mas no momento em que tenta maquiar demais a verdade, a própria verdade se torna seu ponto fraco. Talvez a história real funcionasse melhor.
Inclusive por, ao se focar em um golpe, acabar ignorando todos os outros, talvez tão (ou até mais) interessantes quanto o que é mostrado no filme.
Do jeito que foi, serve apenas como um entretenimento esquecível e passageiro.

A prova de que algumas histórias reais já se sustentam apenas pelo que são.

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A banda que não tem um nome muito legal, mas você precisa conhecer


Vocês se lembram quando me gabei contei sobre minha viagem para Londres?

Então... Vocês lembram que assisti ao show de uma banda chamada Somebody Still Loves You Boris Yeltsin? Ou não cheguei a mencionar? Bom, a verdade é que fui no show deles, uma banda semi-conhecida e muito divertida.

Esse foi um show bem divertido, com umas bandas de aberturas bem bacana. Tenha em mente que o SSLBY é uma banda pequena, logo as bandas que abriram o show eram menores ainda.

Pois é... ERAM!

Lá estava a aranha em seu lugar eu assistindo Skins, quando vejo a Chris comentando no Twitter que gostou da banda do encerramento do episódio.
Quando começa a cena em que eles tocam, eu penso "Eu conheço essa música...!", daí a Chris, toda engajada, posta o nome da banda: Dog is dead!

I KNEW IT!
Tipo, de verdade...
Era uma das bandas que tinham aberto o show do SSLBY! Eu sabia que o nome deles tinham "dog alguma coisa", quando abri a foto, reconheci na hora o ruivo meio estranho (não estou sendo maldosa, pode confirmar na foto) que tocava saxofone.
Eu tinha gostado bastante da música, mas não lembrava o nome da música para procurar.
Deu um orgulhinho sabe?
Ter conhecido a banda e ela ter ficado famosa, porque ela passou de um quase nada de ouvintes no Last FM, mas mais de 3.000 em questão de 1 ou 2 semanas e a música tem mais de 19 mil execuções do Myspace.
Todos citando a frase da música, que cabe bem com a temática da série: "We are a mess, we are failures and we love it!"

Clica aqui e escuta a música que mostra que de "failure" o Dog is dead não tem nada.

domingo, 27 de março de 2011

É vencer ou morrer.


Não tá fácil escrever nesse blog não... Pouca coisa interessante acontecendo, bom... tem! Mas a maioria é desgraça né?

Mas hoje farei uma breve recomendação literária-televisiva.
Game of Thrones.
Game of Thrones é o primeiro livro da série "A song of Ice and Fire" escrita por George R. R. Martin.
É um livro um tanto quanto recente, foi publicado em 1996 e ano passado, foi lançada sua primeira versão em português.

É um livro que fala sobre a luta pelo poder e é regado de todos os elementos que poderiam existir: violência, sexo, amor, vingança, traição,... uma pitada de tudo.
Ele é um livro bem cativante e serve bem para fãs de histórias medievais com pitadas fantasiosas.
Além de todos esses elementos apaixonantes, a construção dos personagens é bem humana... Fazendo com que nenhuma seja inteiramente mau ou inteiramente bom. Todos são capazes de ambas as atitudes, mas será inegável escolher um lado nessa luta.
Por enquanto, meu personagem favorito é Jon Snow, o filho bastardo do Ned Stark.
Quem é Ned Stark?
Toma vergonha e compra o livro! Ou espera o lançamento da série no Brasil...


Todo esse hype no livro começou a crescer agora que a HBO vai lançar uma série baseada nos livros. Uma super produção que está contando com a ajuda de especialistas de todas as areas no desenvolvimento da terra de Westeros e seus povos.
A série vai contar com grandes nomes e para os fãs mais xiitas, podem ficar tranquilos, que o escritos dos livros está acompanhando de perto toda a sua produção.

A série vai ser lançada nos Estados Unidos em abril e promete ser um dos maiores lançamentos do ano. Aqui no Brasil podemos aguardar essa estréia em maio! \o/

quarta-feira, 23 de março de 2011

My Angles


[Primeiro queria dizer que no dicionário do Brancatelli "comer poeira" deve significar "estar se dividindo entre trabalho, aulas de espanhol, tarefas de casa, atividades sociais e dormir". Não tá fácil, gente.]

O Brancatelli fez toda uma análise profuda sobre o Angles né? Eu até que nesse caso achei bom o texto dele vir antes, porque eu não tenho uma análise profunda para fazer... Eu só tenho como descrever a sensação ao ouvir o álbum e qual minha relação com ele.

Ao contrário de muitos álbuns, que me ganham com o tempo, Angles me perde com o tempo. Claro que o "me perder" nesse caso, seria não estar entre os meus CDs favoritos de todos os tempo. Mas mesmo assim...

A primeira vez que escutei foi "PORRACARALHOSTROKESJUNTOSDENOVOTÁMUITOBOMESSECDGRAÇASADEUS". Sério... Eu só estava MUITO feliz que o CD era bom. Escutei tudo... mas sempre com "aimeudeuselesvoltaram" na cabeça.
Só que a cada audição vai aumentando o número de "mas"... É um bom CD, "mas" não tem unidade. Essa é uma boa música, "mas" não gosto do rumo que ela pega. Gosto dessa guitarra, "mas" não tem a menor cara de Strokes.

Como disse o Brancatelli, o álbum está longe de ser ruim... Ao contrário, é um ÓTIMO álbum, que só uma banda incrível como Strokes, mesmo após tanto tempo, conseguiria fazer. Ele já se encontra entre as músicas do meu iPod.
A questão é um pouco essa... hoje, ele é mais um entre tantas músicas no meu iPod... E não deveria ser assim, um CD novo do Strokes deveria estar sendo tocado em looping no meu iPod desde que vazou! Mas não está... Algumas músicas até são passáveis, coisa inimaginável em alguns CDs anteriores para mim.

Eu acho que gostei mais desse CD do que o Brancatelli..., mas estou no aguardo do próximo já, tenho a impressão de que eles estão só aquecendo os motores para o grande retorno e que no próximo já teremos o bom e velho Strokes nos nossos ouvidos.

Senão, vou ter que começar a ouvir Rebecca Black...*brincadeira*
Fridaaaay, fridaaaay...

A verdade é que só de vê-los juntos, trabalhando nessa nítida tensão e fazendo músicas, talvez não tão parecidas quantos as de antes, mas com qualidade similar, já deixa meu coração cheio de alegria.

domingo, 20 de março de 2011

Angles


(Avisando que, como a Renatinha comeu poeira e não teve tempo de escrever o texto de hoje, a crítica do CD do Strokes fica por minha conta.. HÁ!)


Confesso, eu sinto saudade de quando o Arctic Monkeys era uma banda mais pop, menos sombria, cantando sobre garotas mimadas em pistas de danças e se divertindo com isso. Não que o Arctic Monkeys de hoje seja ruim.. ele é apenas um outro Arctic Monkeys.

Um amigo meu diz que ele gostava muito mais de Radiohead na época pré-Ok Computer. Ele entende que a banda evoluiu, procurou outros caminhos, atingiu uma certa maturidade criativa.. mas ele só prefere o Radiohead de antes.

Minha mãe gosta do Roberto Carlos. Mas principalmente da fase “Jovem Guarda”. A fase romântica é bacana, tem umas músicas lindas.. mas o que ela gosta mesmo é do Roberto roqueiro, dirigindo seu calhambeque, parando na contramão pra paquerar o broto displicente e levando tapas no cinema.


Esse é o espírito do novo álbum do Strokes.

Não é necessariamente ruim, tem umas músicas muitos boas..
Mas não é o Strokes que eu queria.


Há 5 anos atrás, depois de lançar seu 3º CD, o First Impressions of Earth, os integrantes da banda resolveram dar um tempo uns dos outros, por conta de um relacionamento já desgastado. Nas palavras do próprio Julian Casablancas, montar uma banda é a melhor maneira de acabar amizades. Assim, foi cada um pro seu lado.
O guitarrista Albert Hammond Jr. continuou seu elogiado projeto solo. O baterista Fabrizio Moretti juntou a namorada e o Rodrigo Amarante e formaram o Little Joy, banda que também teve participação do ex-companheiro de banda Nick Valensi, que por sua vez também gravou com Regina Spektor e Devendra Banhart. O baixista Nikolai Fraiture montou sua própria banda, o Nickel Eye, e o vocal Casablancas gravou seu ótimo álbum solo. E ficou claro que cada integrante quis manter uma certa distância musical do estilo Strokes em seus projetos.

O problema é que esse distanciamento não ficou apenas em seus projetos solos.

Neste novo álbum, Angles, a banda resolveu tirar das mãos de seu vocalista o monopólio criativo sobre as músicas e cada um contribuiu como bem queria. Daí o nome do álbum, mostrando que cada música mostraria um ângulo diferente dos Strokes.

E é aí que mora o maior problema do disco.

A visão do Julian criava uma certa unidade às músicas, unidade que simplesmente não existe mais. Não existe mais uma cara, uma identidade, o que existe são colagens, músicas que ficariam ótimas em um outro álbum que não um do Strokes.
"Machu Picchu" e "Two Kinds of Happiness" soam algo como um Phoenix (banda que sempre assumiu se inspirer no quinteto novaiorquino), enquanto que "Gratisfaction" bebe da fonte do Queen. "Call Me Back" tem um começo que mistura uma pegada Little Joy do Moretti com 11th Dimension, single solo do Casablancas. "You’re So Right" e "Metabolism" têm um peso incomum, enquanto que "Life is Simple in the Moonlight" é – pasme! - praticamente uma bossa-nova.
Ainda assim, Angles tem 3 legítimos momentos em que o Strokes não tenta ser nada além do Strokes. "Taken for a Fool" e "Games" poderiam se encaixar muito bem no 2º álbum do grupo, o Room on Fire. Isso sem falar na fantástica "Under Cover of Darkness", que reúne todos os elementos que fizeram do Strokes o que ele é, como se fosse uma colher de chá da banda aos fãs.

O único “retorno à fórmula” que Angles traz talvez seja o tempo de duração.
Diferente da pretensão dos 52 minutos do álbum anterior, o Strokes voltou aos 30 e poucos minutos dos dois primeiros álbuns, o que acaba sendo seu maior mérito. Desse jeito, o ouvinte sente vontade de repetir o álbum desde a primeira música e assim tem mais chances de se acostumar com essa nova cara da banda.

A gravação do álbum foi tensa, com várias mágoas ainda guardadas, cada um gravando sua parte no seu canto, uma experiência horrível segundo os próprios músicos, que eles não pretendem repetir no próximo álbum – que já está sendo devidamente planejado. Pelo menos, ao que parece, o prazer de tocar junto voltou à banda.
Em entrevista, o guitarrista Nick Valensi afirmou que ele sente que os Strokes ainda têm seu maior álbum guardado dentro deles, esperando para ser colocado para fora.
Eu, como fã, queria ver o Strokes do começo dos anos 2000 de volta. O Strokes despretensioso, com guitarras sujas, músicas simples e diretas e simplesmente divertidas.

Repito que Angles não é um álbum ruim.
Tem ótimas músicas, é corajoso no sentido de ir contra expectativas (para o bem ou para o mal) e sacia um pouco a sede por material inédito.
Mas a minha esperança é que o próximo álbum do Strokes seja, diferente de Angles, exatamente o que o nome diz:
Um álbum do Strokes.

É pedir demais?

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terça-feira, 15 de março de 2011

Three Hot Candles


Como o privilégio de falar primeiro sobre o novo álbum do Strokes é da Renatinha, vou guardar minha opinião pro meu próximo post..

Dito isso.. bom, acho que não tenho muito o que dizer agora.


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Hmmm, na verdade eu tenho sim.
Algo que deveria ser dito apenas na semana que vem, mas vai agora mesmo.

Olha que bacana, gente.
Antes do recesso de carnaval, o Two Cold Fingers tava com uma média boa de acessos, la pelos 100 diários. Agora o número caiu pra uns 25! Huahahahahahaha
Mas o que a gente aprendeu nesses 3 anos (é isso mesmo?) de blog é que.. esses números significam para nós o mesmo que uma temporada na rehab significa pro Charlie Sheen: um grande NADA!

Quer dizer, no dia 18 de fevereiro, o blog atingiu a marca de 156 acessos.
O que isso significa? Bom, isso significa que 156 computadores diferentes ao redor do mundo visitaram o blog. Bacana, né?
Mas tudo o que esse número prova se limita a isso. Foram 156 visitas. Isso não significa que 156 pessoas leram minha crítica sobre o álbum do Marcelo Jeneci, escrito e postado no dia anterior. Ou qualquer outro post, novo ou antigo. Esse número apenas entrou no blog, mas quem pode provar que foi para LER alguma coisa?
A média de permanência de uma pessoa no Two Cold Fingers é de 1 minuto e 20 segundos, às vezes nem isso. Então aparentemente boa parte deste número de visitantes entra no blog direcionado por alguma palavra-chave, le o título de algum post, olha a imagem, e.. fecha a janela. Puf.
Então de que vale um número como esse?
O que significa um número que, no fundo, não significa nada?

Que fique bem claro, eu não falo isso com rancor.
É apenas uma constatação pessoal.

O Two Cold Fingers nasceu da simples vontade de escrever.
Mais que isso, da necessidade de ter um prazo a ser cumprido, um incentivo, uma obrigação.
No lucro disso tudo, conseguimos alguns leitores, conhecidos e desconhecidos, amigos ou não. Um número bem menor do que aquelas 100 visitas diárias, mas que nos orgulha como se fosse um milhão de acessos.

Continuamos escrevendo para nós mesmos, mas saber que uma única pessoa está lendo essas bobagens que colocamos aqui é mais do que nós realmente esperávamos.
Saber que você está do outro lado do monitor, interessado no que temos a dizer, é o que da a graça pra isso tudo.
Senão, bom, bastava ter um diário..

Então este post é um agradecimento a cada um que le o Two Cold Fingers, seja toda segunda e quinta, seja aleatoriamente. Seja eu mesmo ou seja a Renatinha. Sejam quantos forem. Gostem ou não.

Ah, sim.
Feliz aniversário, Two Cold Fingers.
E obrigado por dar mais sentido à minha vida nos últimos anos.

Três velas quentes pros dois dedos gelados, pessoal.

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domingo, 13 de março de 2011

A pocket full of subjects


Nossa... esse blog ficou cheio de confusão e textos do Brancatelli, né?
Vim salvar vocês da monotonia de textos bem escritos.

Depois de passar uma semana na lindíssima Irlanda e ter dois dias corridos de trabalho+aula de espanhol, tive um fim-de-semana onde dormi 60% do tempo, não saí da cama em 30% e saí de casa em 10%.

Mas nesses últimos tempos aconteceram muita coisa, eu dei uma chance para a tal de Jessie J... que é "menos pior" do que imaginava. Ela tem uma boa voz, algumas músicas são super toscas, mas outras tem potencial.
Também comecei a ouvir Janelle Monáe, que é SENSACIONAL! Recomendo do fundo do meu coração.
Fora a linda da Adele, que eu ouvia em todos os lugares em Dublim, né? A Adele foi minha melhor descoberta recente.

Musicalmente falando tem o novo álbum do The Strokes, que acabou de vazar. Eu ainda não ouvi, o download acabou agora. Mas devo dizer que das músicas que foram liberadas, achei bastante promissor. Acho que estou livre do medo de uma decepção. Mas prefiro ouvir todas as músicas antes de um parecer final. Aguardam até segunda que vem.

Eu ando vendo muitas séries, muitas mesmo.
As de sempre como Supernatural, How I Met Your Mother, Modern Family,... Todas que eu recomendo e se vocês não assistem é porque são bestas. =P
Comecei faz um tempo a ver Being Human versão americana. Eu tentei ver a versão britânica antes e achei os personagens pouco carismáticos, o que é consertado na versão US, na minha opinião. Recomendo ver o primeiro ep das duas e comparar.
Também comecei a ver Secret Diary of a Call Girl, com a Billie Piper (ex-namorada do Richie do Five e ex-companheira do Dr. Who). São eps curtos, divertidinhos, com pitadas de drama. Muito bom. Se você gosta de uma boa adaptação de uma história real combinada com episódios lotados das paisagem londrinas, go for it.
A nova temporada de Skins está bem fraca, com uma vibe mais Malhação e menos sexo,drogas e roquenrou, mas tem mais personagens cativantes que a edição anterior. Recomendo se você tem tempo livre.
Tem também a nova série do Matthew Perry, Mr. Sunshine. It ain't no Friends, claro... mas é beeeem bacaninha. Devo dizer que infinitamente melhor que a do Matt Le Blanc. Vale a pena conhecer e passar do primeiro ep, que ela vai ficando melhor.
E siiiiiiim, saiu o primeiro ep da Camelot... Hummm... o que dizer sobre essa série. Não consegui muito definir... Não é ruim, mas preciso de mais episódios para dar minha opinião. Mas entre o primeiro ep dela e Merlin... Merlin ganha num piscar de olhos. Ok, são duas vibes diferentes, mas mesmo assim...

By the way, nessa foto do post vocês podem ver os Cliffs of Moher.

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quinta-feira, 3 de março de 2011

Três Dias Pra Sorrir

Post enche-linguiça de carnaval com música do Elton Medeiros.
Sim, porque a gente merece.


SEM ILUSÃO
Elton Medeiros

No carnaval
Não vou querer me fantasiar
Não vou querer me vestir de rei
Não quero mais colorir a dor
E se alguém quiser me aplaudir
Vai ter que ser assim como eu sou
Não quer dizer que não vou nem brincar
Só não quero é enganar o meu coração

No carnaval não vou mais sair fingindo
Que passo a minha vida inteira a cantar
Eu vou me divertir
Na certa eu vou sambar
Mas dessa vez a ilusão não vai me pegar

No carnaval eu sempre saí sorrindo
Me divertindo só pra desabafar
Três dias pra sorrir
Um ano pra chorar
Mas dessa vez a ilusão não vai me pegar


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Mas o espírito continua sendo o deste post aqui!

"Eu me sinto bem, é carnaval nessa cidade
Todo mundo transbordando de felicidade
Mesmo que digam que o mundo acaba amanhã..
"

Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar.

Ah, o carnaval.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Apenas ótimo..


Da pra entender a confusão que uma banda como o Radiohead causa.

Uma banda de rock que trocou hits como Creep e High and Dry por sons eletrônicos, estranhos, difíceis de serem digeridos numa primeira audição.
Que trocou a melodia sentimental de uma Fake Plastic Trees por músicas literalmente e conscientemente sem melodia nenhuma.
Que se arriscou para chegar ao auge do sucesso de crítica e de público para depois experimentar um caminho completamente diferente e ainda mais arriscado.

Mas provavelmente a principal confusão que uma banda como o Radiohead causa é:
Como uma banda tão alternativa, tão estranha, tão fora dos padrões, conseguiu fazer de um simples lançamento o maior evento musical deste começo de ano

Saiu na semana passada, apenas uma semana após ser anunciado pela própria banda, o álbum The King of Limbs, o oitavo dos ingleses.

Discutido à exaustão Internet afora, pauta de matérias de capa dos principais jornais e sites do mundo, alvo de especulações, teorias conspiratórias, opiniões incendiárias, trocas de ofenças entre os fãs..
Poucas vezes um lançamento foi tão comentado, não só pela mídia, mas também pelo público.
Mas será que o disco realmente merece tanto barulho?

E é quando você percebe que, nesse cenário todo, a música é o que menos importa.

Nada define melhor essa histería do que cair no clichê e dizer que o Radiohead se tornou maior do que sua própria música.
Desde o lançamento do segundo álbum, o The Bends, a banda se tornou unanimidade entre a chamada "crítica especializada". Quanto mais estranho, quanto mais experimental, quanto mais esquizofrênico o som do grupo se tornasse, mais ele era aplaudida. Quanto mais diferente, melhor. Todo álbum desde então é considerado um novo clássico.
O Radiohead parece ter se tornado à prova de balas, à prova de críticas. Criticar o Radiohead é correr o risco de tornar-se um pária musical, e ninguém quer correr esse risco. Dizer que o Radiohead não acerta sempre é um sacrilégio, uma afronta, um desrespeito.

Mas eu sou obrigado a dizer.
Não, o Radiohead não acerta sempre.

O que não significa que The King of Limbs seja um álbum ruim.

E ele começa bem, com as dançantes (ao estilo Radiohead, claro) Bloom e Morning Mr Magpie, emendando a levemente esquizofrênica Little by Little. Feral é apenas batida e barulhos, montando clima para o ótimo primeiro single Lotus Flower. Segue a lenta e um tanto quanto arrastada Codex e a acustica Give Up the Ghost, para então fechar o álbum com Separator, talvez a melhor entre as oito faixas, provando que a banda se sai melhor quando consegue equilibrar a própria estranheza com algo mais digestível, guitarras colocadas no lugar certo e uma melodia definida.

Mas a real falha deste novo álbum não está no que é apresentado, e sim no que falta.
Falta guitarra. Falta pegada. Falta sentimento. Falta música. Falta os momentos de "normalidade" que a banda sempre soube administrar tão bem nos trabalhos anteriores.
Tudo parece abstrato demais, mesmo para os padrões firmados pela banda.
Isso da uma cara "menor" às músicas, como se fosse uma coleção dos últimos Lados-B da grupo e não um álbum propriamente dito.
Ao fim dos 38 minutos, fica a incômoda sensação de que estávamos esperando mais.

O fato é que fomos mal acostumados, tanto pelo histórico da própria banda quanto pela crítica, a sempre esperar uma obra-prima a cada lançamento do Radiohead.
Dessa maneira, um álbum que é "apenas" ótimo acaba se tornando decepcionante.

A principal teoria (não confirmada pela banda) é que essas oito faixas lançadas são apenas a primeira metade do real The King of Limbs.
Mas seja apenas uma parte do todo ou não, o álbum como foi lançado é sim um ótimo álbum, principalmente depois de algumas audições.

Um ótimo álbum de B-sides, mas ainda assim um ótimo álbum.

Longe de pertencer ao limbo, The King of Limbs constata que, musicalmente ou não, o Radiohead se mantém como a maior e mais comentada banda de rock do nosso tempo, e prova que, mesmo depois de tanta estranheza, ainda tem muito mais o que mostrar.
Afinal, é como diz uma linha de Separator, como um aviso:

If you think this is over
Then you’re wrong


Eu estarei esperando pelo próximo evento.

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tudo sobre nada.

Eu não sei o que escrever para vocês...
De verdade, não me sinto com nenhuma banda na manga para indicar... não tenho nenhuma história batuta para contar... minha cabeça dói como fazia tempo que não doía.
Aposto que foi o fato de ter assistido Jersey Shore ontem, deve ter fritado meu cérebro. Não tenho culpa que aquela merda é engraçada. Eles são toscos, beleza... mas e daí? Tanta gente tosca por aí, pelo menos eles são espertos e ganham dinheiro com isso. Aliás, eles são menos pau no cu do que parecem.

Eu comecei a achá-los engraçados no vídeo do Michael Cera tentando se transformar em um deles, porque eles são muito simpáticos com ele.



E eu e o Brancatelli que estavamos vendo que o post do 'forever alone' ganhou mais de mil visitas?
Aí decobrimos que escrever tags populares faz muitas pessoas entrarem sem querer aqui e fica parecendo que NÓS somos muitos populares.
Se escrever 'forever alone' gerou mais de mil visitas, imagina escrevendo: sexo, lésbicas, pornô, grátis.
Pronto, depois desse post serei o novo fenomeno de visitas.
Próxima semana uma foto minha nua.
q/
HAHAHAHAHA Mentiiiira.

Hoje fui tomar milk-shake 'cas amigue' e na hora de embora percebi que a forma de se despedir mais sincera que pode existir no nosso grupo de amigos é "te vejo mais tarde no Tumblr". Sério.
"Te ligo mais tarde", "a gente se fala", "vamos fazer algo essa semana"... Nada disso é mais verdadeiro que "te vejo mais tarde no Tumblr".

Pois é.
Agora tô vendo minhas gatas brincando-duelando. Como se fosse a coisa mais legal do mundo. Para mim, nem tanto... mas para elas deve ser. Ou não, já que não durou muito. Uma cansou e falou "beleza, vou dormir".

Eu que não entendi porque as pessoas comparam o Andrew Garfield com o Bambi... Não sei, dou risada das montagens, mas não captei o contexto. Será por causa de todo clima 'bromance' que tem no A Rede Social?

Filme que acho que não merece ter mais espaço nas premiações que A Origem. Affe. Como assim...? Brancatelli vai discordar, porque ele virou 'redesocial whore', mas caramba! Cadê os prêmios do Nolan? Santa injustiça, Batman! Batman, interpretado pelo Christian Bale, que acho que vai ganhar Oscar. Eu não vi o filme, mas acho ele um ator fudido.

E agora que no Tumblr tem o meme das princesas hipsters? Muito bom.


Vocês deviam passar mais tempo no Tumblr, gente. Esse negócio de vida social não tá com nada.

Essa é minha recomendação... Keep calm and make a tumblr.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Feito Pra Acabar


No ano passado meu irmão mandou eu escutar uma música, que segundo ele era fantástica.
A música, gravada do programa Ronca Ronca, da Oi FM, se chamava "Dia a Dia, Lado a Lado", de um tal Marcelo Jeneci e da revelação musical Tulipa Ruiz. No site que meu irmão mandou, aquilo foi descrito como "histórico" para a rádio nacional, um momento único para a música brasileira.
Com toda a expectativa criada, escutei a tal música. Uma, duas, três vezes. Quatro. Cinco. Seis, sete, oito. Nove, dez vezes..

Foi quando me peguei viciado, sem conseguir parar aquele looping musical.

Verdade seja dita, é uma música simples, com uma letra sem grandes atrativos, uma melodia gostosa mas muitas vezes repetitiva.

E nada disso era o bastante para estragar aquele momento.
Histórico, único, seja o que for, aquilo era perfeito demais pra ser descrito.

Você pode escuta-la clicando AQUI pra entender melhor o que eu quero dizer..

Foi com esse momento na minha cabeça que eu escutei, no começo da semana, o Feito Pra Acabar, estréia do Jeneci em um álbum solo, depois de servir como multinstrumentista de apoio do Chico César e trabalhar em parcerias com gente como Vanessa da Mata e Arnaldo Antunes, lançado no final do ano passado.
Tudo para constatar que eu estava ouvindo em 2011 o provável grande lançamento nacional de 2010!

Feito Pra Acabar é uma delícia.

Com uma inocência e beleza raras, é daqueles discos que conquistam na primeira audição.
Tem falhas, claro, mas os acertos são tantos que compensam individualmente cada erro.
As letras mais ingênuas ganham impacto na interpretação de Jeneci e principalmente da cantora Laura Lavieri, grande descoberta do compositor que marca presença em quase todas as faixas. As melodias mais simples e repetitivas ganham a produção perfeita e criativa do músico Alexandre Kassin, que usa aqui tudo o que aprendeu em projetos como o +2, a Orquestra Imperial e o Los Hermanos. Isso sem contar os arranjos, que com uma cara falsamente simples fazem de cada música um momento especial.

As letras simples são o grande trunfo, que direcionam para as melodias muito bem elaboradas.
O que parece é que o método de composição foi o mais intuitivo possível, como na primeira faixa, "Felicidade", e nas deliciosas "Pra Sonhar" e "Por Que Nós?", por exemplo. "Quarto de Dormir" tem um início tão lindo que chega até a doer, para então ver o cantor personificando uma espécie de Roberto Carlos. Ecos da Jovem Guarda aparecem também no hino "Show de Estrelas" e na simplesmente genial "Dar-te-ei", que me deixou com um sorriso bobo no rosto por um bom tempo. O músico também evoca um momento meio Mutantes em "Pense Duas Vezes Antes de Esquecer", com a letra mais doída do CD. Sem contar a forte faixa que da o nome e fecha o álbum, "Feito pra Acabar", e a divertidíssima "Copo d'Água", que você já canta junto logo no segundo refrão.

O que surpreende nessa estréia (quer dizer, uma das coisas) é a corrente artística que Marcelo Jeneci formou nesses anos de carreira. As composições, quase todas parcerias, são assinadas por gente como Chico César, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik e Arnaldo Antunes. A banda conta com nomes como Edgard Scandurra, Curumin, Bruno Buarque e o próprio Kassin.
Apenas uma constatação da aposta que se tornou Marcelo Jeneci, que acaba se concretizando com este álbum.


Poucos álbuns conseguem cobrir sem esforço uma expectativa tão alta.
Marcelo Jeneci parece ter descoberto a fórmula do sucesso, com melodias muito bem pensadas embalando letras simples, sinceras e, muitas vezes, até inocentes.
Música de qualidade capaz de atingir tanto a crítica especializada quanto o público mais popular, base de toda sua influência musical.

Com Feito pra Acabar, Jeneci fez a coisa mais difícil de se fazer quando se trata de apostas tão altas.

Concretiza-las.

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