
Gerard Way é um roteirista de quadrinhos.
Formado na Escola de Artes Visuais de New York, ele já ganhou um Eisner Award - o prêmio máximo da indústria de HQs - com a série The Umbrella Academy, criada em parceria com o desenhista brazuca Gabriel Bá. Os dois arcos lançados já são leitura obrigatória, recomendados inclusive por um dos maiores gênios do meio, Grant Morrison. Ah, e também por mim.
Sua nova série de quadrinhos, intitulada The True Lives of the Fabulous Killjoys, foi anunciada na ComicCon 2009. Desde então, nenhum outro detalhe foi divulgado.
Ah sim, Gerard Way também tem uma banda de rock, chamada My Chemical Romance.
Agora, o My Chemical Romance lança seu 4º álbum de estúdio, após o sucesso do insanamente sensacional The Black Parade (do qual eu já falei neste ótemo post AQUÊ!).
O nome do álbum: Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys.
E é onde o Gerard músico se mistura de maneira praticamente celular ao Gerard roteirista.
Num mundo kafkaniano em 2019, os Killjoys são um grupo de foras-da-lei, lutando contra mega-corporações malignas e vivendo à margem da sociedade, sem nenhuma esperança de vitória e apenas adiando o destino certo: a morte.
É nesse universo que Danger Days se situa, como uma seleção das músicas que tocariam em uma rádio pirata, comandada pelo DJ auto-denominado Dr. Death Defying.
Essa é a impressão ao ouvir o álbum. Como se fossem várias bandas diferentes em um mesmo contexto.
Esqueça a imagem "emo" dos álbuns anteriores da banda, maquiagens, melancolia e vocais teatrais, isso não existe aqui.
O que existe é apenas o rock, seja o punk (em pérolas como no genial primeiro single "Na Na Na", na acelerada "Party Poison" e na empolgante e crua "Vampire Money"), o épico (as grandiosas "The Only Hope for Me Is You" e "Save Yourself, I'll Hold Them Back") e até o dançante (na faixa "Planetary (GO!)", provavelmente a coisa mais diferente e interessante que o MCR já gravou). Sobra ainda referências a Beastie Boys, Rage Against the Machine (na pesada "DESTROYA") e algo próximo do Keane (na balada "Summertime").
Em cada música uma pegada completamente diferente da anterior.
Cada música, uma banda completamente diferente.
Voltando ao mundo nerd dos quadrinhos, podemos até tentar comparar este novo álbum com o trabalho anterior.
The Black Parade, com seus temas sobre câncer, arrependimentos e morte em uma história poética e direta, se encaixa em uma HQ autoral, filosófica, com cores pesadas e sombrias, criada para fazer seu leitor pensar e refletir sobre a vida e o fim dela.
Danger Days, com sua aparente despretensão e a impressão de que a banda só quis enfim se divertir, está mais para uma história de super-heróis, colorida e explosiva, que você lê, pensa "noooossa, que foda!" e esquece todo o mundo ao seu redor.
Dois estilos diferentes. E que, por isso mesmo, é impossível decidir qual dos dois é melhor.
A impressão é de que o My Chemical Romance pegou tudo o que aprendeu nos quase 10 anos de banda e criou essa obra.
Grandiosa, pesada, melódica, inteligente, criativa, legitimamente punk.
E principalmente muito, muito divertida!!!
.