terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Show do Beirut (ou "Não Roubei Um Microfone, Mas...")

Zach Condon é hoje um dos mais festejados músicos de sua geração, líder da banda Beirut, que mistura ritmos difíceis mesmo para veteranos, com influências regionais que vão dos Balcãs ao México, das canções francesas à música brasileira.
Ele tem 23 anos.

Thiago Brancatelli é um desempregado já formado que escreve para um blog de música, mora com os pais, passa sua tardes lendo quadrinhos e não tem expectativas muito promissoras na sua vida.
Ele também tem 23 anos.

O público que estava na Via Funchal sexta-feira passada para ver o jovem Condon ia desde garotas adolescentes a donas de casa. De indies a garotões que queriam se mostrar por dentro das "novidades musicais". De jovens de 14 anos aos seus pais. No meio desse público, passeava um sem-número de jornalistas a caráter (isso é, chinelos, mochila e barba por fazer) e vendedores de cerveja que assistiam por suas televisõezinhas o último capítulo da novela das 8. Novela da mesma emissora que transmitiu Capitu, mini-série que tinha como tema a música Elephant Gun, que criou esse público tão diversificado (e estranho) para a banda Beirut aqui no Brasil.

Lá dentro, as pessoas ainda conversavam de pé enquanto a banda de abertura, a Manacá (cuja vocalista, Letícia Persiles, atuou em Capitu como a versão jovem da protagonista), já tocava. Ainda assim, poucas pessoas tinham se sentado em suas respectivas mesas, coisa que só aconteceu alguns minutos antes de começar a apresentação do Beirut. E, ainda assim, não durou muito tempo.
Condon e seus companheiros entraram (sóbrios, pasme!), tocaram a primeira música da noite (Nates, uma das minhas prediletas) e, como num passe de mágica, todo o público já estava levantado, dançando ao som melancólico e ao mesmo tempo empolgante da banda.
O que aconteceu depois seria capaz de surpreender desde o maior fã do grupo ao maior crítico. Por pouco mais de uma hora, o Beirut tocou seus clássicos, com destaque para Elephant Gun, Cherbourg, Siki Siki Baba e... praticamente todas as outras, cantadas em uníssono pela platéia.
E sendo bem sincero, o que mais me surpeendeu foi o carisma do Zach Condon, boa parte por conta da sua fama de garoto-prodígio, tocando seu ukelelê e seu trompete. E principamente falando (ou tentando falar) frases em português, como "eu não sei dizer português" e "toca Raul!" - por conta dos chatos que insistiam para que a banda tocasse Leãozinho, do Caetano Veloso, que o Beirut tocou no Rio de Janeiro. Os pedidos não foram aceitos (graças a Deus!!), mas não demorou para que, enrolado na bandeira do Brasil, o músico desse início ao ponto alto do show: a versão em inglês de Aquarela do Brasil, música que a banda tem o costume de tocar la fora e que fica ainda mais emocionante quando tocada em solo tupiniquim!!
E, mesmo ao fim do bis e com todas as luzes acessas, a banda voltou ao palco, graças aos pedidos do público. Visivelmente surpreso com tão boa recepção paulistana, o Beirut finalizou o show com Gulag Orkestar. Uma digna chave de ouro para a festa que fora aquele curto mas poderoso show.

Engraçado ver que, mesmo com apenas 5 músicos no palco, as músicas da banda ficam muito melhores ao vivo. A pegada da bateria, os metais bem colocados e o fato de era impossivel não perceber o quanto cada um dos músicos estava se divertindo, principalmente o líder.

E se aos 23 anos, esse cara já criou tudo isso, imagina o que o futuro lhe reserva...

5 comentários:

Douglas Funny disse...

beirut é nome de comida...

Vih disse...

Eu fui no show e ameeei!!!
E, pois é, tenho 17 anos e fui com amigas da mesma idade.. E (que eu me lembre) nunca vi uma platéia tão diversificada (em todos os sentidos) e realmente acho q eles amaram ter vindo!!
E foi lindo quando eles voltaram pra toca Gulag Orkestar!!

Vih disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Chris disse...

Foi lindo.

Renatinha disse...

Fontes internas confirmam: São Paulo foi o melhor show que eles fizeram aqui.