quarta-feira, 4 de junho de 2008

Review - Red Album, do Weezer


"8 das 10 faixas do próximo CD do Weezer vazaram na Internet nos últimos dias. Eu queria escrever nesse post minhas primeiras impressões, mas vou deixar para falar sobre isso no dia 3 de junho, quando o "Red Album" for devidamente lançado. Basta dizer que... bem... é um Weezer BEM diferente do que estamos acostumados a ouvir... E, na minha opinião, isso é simplesmente ÓTIMO! Estou orgulhoso deles..."

Eu escrevi esse trecho algumas semanas atrás.
Na época, eu tinha escutado as 8 músicas umas duas ou três vezes.
O disco foi lançado alguns dias atrás... isso é, além das 8 músicas vazadas, ainda tivemos a chance de escutar duas músicas "oficiais" e outras 4 lançadas na versão Delux do CD.
E agora que eu já escutei as músicas alguns milhões de vezes, acho que já estou pronto pra escrever um review honesto e imparcial...
E é com toda essa honestidade que eu me sinto capaz de dizer:

Esse é o album que eu esperava desde o longínquo Pinkerton!!!!!

É fácil perceber agora que o razoável Green Album, o péssimo Maladroit e até o bom Make Belive eram apenas brincadeiras perto da qualidade desse Red Album. Ainda que cada disco tivesse sua cota de "clássicos" (Hash Pipe, Keep Fishing, Perfect Situation...), o sexto album da banda é um passo adiante de todos esses.

- O album abre com Troublemaker, animada e extremamente bem-humorada , com um vocal perfeito do Rivers Cuomo na pele de um rock-star prepotente e egocentrico! A música tinha sido a escolhida para ser o primeiro single do novo CD, mas a banda preferiu deixa-la como faixa de abertura.
- A "prepotência" continua na faixa seguinte, devidamente chamada The Greatest Man That Ever Lived. A música, de quase 6 minutos, só pode ser definida com uma palavra: Épica! Parece que a cada 30 segundos a música ganha um andamento diferente, indo desde um gangsta-rap até um coral a capela no melhor estilo Beach Boys (contei 10 estilos diferentes). É sério, só conseguirá entender este parágrafo quem escutar a música. Algo que eu nunca imaginaria escutar na voz do senhor Cuomo. A letra perde um pouco do sarcasmo da faixa anterior e ganha mais crítica. Um Weezer crítico? Exatamente, como prova a próxima música...
- Pork and Beans é o primeiro single e também a terceira faixa do CD. Acho que tudo o que eu podia falar já foi falado nesse post aqui - http://twocoldfingers.blogspot.com/2008/04/volta-dos-nerds.html - mas preciso dizer outra coisa... meu Deus, essa música é perfeita!!! Rivers Cuomo abandona o personagem convencido das canções anteriores e cria um retrato sincero da industria musical de hoje. O resultado é uma crítica bem divertida aos produtores e às gravadoras que tentam moldar o artista até criar a imagem mais comercial possivel.
- Em seguida vem Heart Songs, onde Rivers canta como se estivesse refletindo sobre tudo o que formou o músico que ele é hoje. Desde suas influências até a gravação do primeiro album... e passando por uma homenagem ao Nevermind, do Nirvana, provando o quanto a banda grunge foi importante para o surgimento do Weezer. A melodia é bem simples, mas de uma beleza discreta que, quando notada, torna esta uma das melhores baladas já criadas pelo grupo. Vejo essa canção como uma continuação direta da música In The Garage, do primeiro album da banda.
- Muita gente disse que a quinta faixa, Everybody Get Dangerous, é uma tentativa do Weezer de ser um Red Hot Chili Peppers. Eu juro que não entendi essa afirmação. É uma música divertida, engraçada, que não foi feita para ser levada a sério (apesar do final humoristico-filosófico). Foi criada para o filme Quebrando a Banca, mas não foi incluida na trilha sonora. Lembra muito uma fase mais despretensiosa da banda, assim como a próxima música...
- Dreamin tem uma letra ingênua, como se fosse uma criança refletindo sobre a vida. A melodia já não segue esse caminho, principalmente a partir do momento que a voz do baixista Scott Shriner aparece na música, em sua parte mais calma. Na minha opinião, a melhor do CD!!!
- Though I Know é cantada pelo guitarrista Brian Bell (a música foi escrita por ele para seu projeto paralelo, o The Relationchip). É divertida, mas nada surpreendente...
- Assim como Cold Dark World, cantada por Scott Shriner. A música não decola em nenhum momento, a letra em certos momentos não encaixa muito bem na música... não é uma canção ruim, mas quebra demais o ritmo do album.
- A nona faixa é Automatic, simpática mas cansativa, cantada pelo baterista Pat Wilson. Mesmo assim, tem alguns riffs bacanas de guitarra e levantam o astral depois do desanimo causado pela música anterior.
- A última música do CD, como é de costume do Weezer, é uma balada. Mas ainda assim, é uma balada totalmente diferente de qualquer balada já criada pela banda. Ela começa extretamente calma e leve, apoiando-se durante boa parte de sua duração em uma mesma melodia, meio arrastada... mas acompanhada sempre por um "crescente" instrumental, que culmina em uma distorção final e um peso inimaginavel no começo da música.

- E chegamos à primeira faixa-bônus, e... meu Deus, que música é essa??? Sem nenhum exagero, uma das melhores músicas do Weezer que eu já escutei na vida!!! É sério!!! Uma das letras mais inspiradas, românticas e divertidas já escritas por Rivers Cuomo!!! Uma das melodias mais intensas, ricas e pegajosas já tocadas pela banda!!! Merecia estar num lugar de destaque no CD oficial, e não em um disco que só os mais afortunados financeiramente poderão comprar!!! Uma música que merece todos os pontos de exclamação escritos aqui neste parágrafo!!!!!!!!!
- Agora só me expliquem uma coisa: como alguém consegue criar uma música tocante sobre... UM PORCO? A segunda faixa-bônus é exatamente sobre isso. A vida de um porco, dos tempos que ele brincava com seus amiguinhos na lama até seu leito de morte. E a música é boa! É muito boa!!
- Quanto à próxima faixa-bônus, The Spider... eu confesso, achei meio entediante. Mas não escutei muito essa música, então talvez eu apenas precise de mais tempo.
- O bônus da versão Deluxe fecha com a canção King, cantada de novo por Scott Shriner. Ela parece meio chatinha no começo, mas me pegou de jeito a partir da sua metade. E posso dizer que é sim uma ótima música! Fecha com chave de ouro essa versão do Red Album.

Eles amadureceram!
De 1994 pra cá, o Weezer criou uma máxima entre seus fãs:
Até mesmo quando o Weezer é ruim, ele é bom!
Depois de provar o rock de garagem no Blue Album, um album mais pessoal em Pinkerton, o pop simples no Green Album, o heavy metal no Maladroit e uma "volta às origens" no Make Belive, o Weezer agora se mostra uma banda mais complexa e completa, unindo tudo aquilo que aprendeu depois de 17 anos desde a sua formação em um único album.

Desde o bom humor mostrado tanto na capa quanto nas letras até devaneios melancolicos sobre a morte...
Desde uma crítica ao mercado fonográfico até uma revisão de toda sua carreira...
Desde um amor por uma secretária até o amor por um anjo...
Desde o mundo sendo visto pelos olhos de um homem maduro até o mundo nos olhos de uma criança...
E até de um porco!

A banda, antes refletindo sobre como era ser um nerd desajustado, agora mostra como é ser um ídolo musical... mudança essa que eles conhecem muito bem!
Rivers Cuomo não tem mais todo o controle criativo da banda; todos compuseram e todos cantaram no Red Album, com alguns resultados surpreendentes, outros nem tanto.
E é exatamente isso que queriamos ver no Weezer!
Eles se arriscaram, de um jeito que só haviam feito durante a passagem do primeiro para o segundo CD.
Do mesmo jeito que a crítica destruiu o album Pinkerton, ela não vem sendo muito favorável com esse sexto album da banda...
Anos depois, Pinkerton foi considerado um dos melhores da década, até mesmo por seus detratores...

O que vai acontecer com o Red Album?
Isso só o futuro pode dizer...

5 comentários:

Vitinho disse...

Faço minhas todas as palavras do Branca....exceto algumas que eu achei gay demais...

Douglas Funny disse...

hey... preciso de um cd do weezer emprestado...

Caroline disse...

Além de ter redescoberto Weezer aqui, agora tô curiosa pra ouvir o Red Album!
=)

Bjos!

Boninha disse...

Coitado do Funny... vai esperar muito, viu... uhauhauha

Ah, e o Maladroit é bom SIM!!!!
Sem comentários (opa, isso é um comentário!!!).

Thiago Borges disse...

Estou ansioso para ouvir este novo disco, o Red álbum hehe. Gostei muito do Blue álbum e acho um dos melhores da década de 90, muito inspirado, punk alternativo na medida certa e ótimas referencias musicais. Já os outros discos eu gosto de algumas músicas e espero que neste álbum, mesmo que não tenha algo de tão inovador, mas que seja pelo menos um “2º Blue album” pra matar a saudade.