
- foto roubada ilegalmente do Orkut de um amigo -
Eu tenho um método para saber se um show foi bom ou não.
Se eu estiver cruzando os dedos para que o show acabe logo, então ele foi ruim.
Se eu sentir vontade de sentar no chão e descansar durante o show, então ele foi questionável.
Se eu não sentir a mínima vontade de sentar e descansar um pouco durante o show, então significa que ele foi bom.
Se eu não sentir a mínima vontade de sentar e descansar um pouco durante o show, mesmo estando de pé há mais de 4 horas, então ele foi muito bom.
Se eu me pegar parado de pé, com os olhos esbugalhados e hipnotizados e com a boca inconcientemente aberta no meio de um show, então ele foi fantástico.
Se eu me pegar rodeado por pessoas no mesmo estado, então o show foi perfeito.
Ok, eu bolei esse método no domingo, durante o festival Just a Fest.
Mas e não é que funciona?
(pelo menos na maioria das vezes)
Primeiro, vale a pena dizer que o Just a Fest, convidando bandas consideradas geniais pela crítica e público, pode ser traduzido como o festival das influências e de seus influenciados.
Afinal, o Kraftwerk é uma das principais bases do som do Radiohead, que por sua vez é um dos principais modelos do Los Hermanos. Caso o Vanguart tivesse sido realmente confirmado entre as atrações, talvez até pudessemos criar mais uma ramificação...
Mas afinal, quem quer saber disso quando eu tenho tanta coisa pra comentar, hein?
Os Hermanos subiram no palco as 6 e meia em ponto, e juro que não entendo as várias críticas que fizeram ao show dos barbudos. Claro, depois de assistir a pelo menos uns 5 shows dos caras, é fácil perceber que eles não estavam como quando tocavam juntos todos os dias... mas acho injusto chamar a apresentação de "desempolgada" ou "desanimada".
Os cara estavam há dois anos sem tocar, visivelmente preocupados e concentrados demais em tocar com a mesma qualidade da turnê do álbum 4. Mas também estavam visivelmente felizes de estar alí. Tanto o Amarante quanto o Camelo sorriam, dançavam (ainda que discretamente) e mostravam que ainda existe sim uma esperança pela volta do grupo.
Aliás, é divertido tentar escolher um "favorito" entre os dois. Assim que Marcelo Camelo te conquista com músicas como
Todo Carnaval Tem Seu Fim,
Cara Estranho e
Casa Pré-Fabricada, Rodrigo Amarante te puxa de volta com
Deixa o Verão,
Incondicional e
Último Romance.
Mas o carisma do Amarante é insuperável, principalmente porque Marcelo Camelo ainda parece estar no clima introspectivo do seu álbum solo.
Depois foi a vez do Kraftwerk.
Tudo bem, confesso que eu queria ser mais inteligente para realmente curtir o som e a postura dos caras... mas é inegável que eles são os melhores no que fazem.
A banda é o pilar que sustenta todo o cenário musical eletrônico. Não importa se você gosta ou não, você deve respeitá-los.
E vendos seus fãs dançarem cada música de olhos fechados, é impossivel não considerar o show um sucesso.
E então, aconteceu...
As 10 horas da noite, o Radiohead subiu ao palco.
E, por mais que eu queira traduzir em palavras tudo o que eu senti nas mais de duas horas de show, eu ainda sinto que isso seja impossível.
Basta dizer que, pelo método citado lá no começo deste post, é fácil concluir que aquelas mais de duas horas foram perfeitas! Simplesmente perfeitas!!
O set list passeava por toda a discografia da banda, e até sofreu alterações de última hora para adequar os clássicos
Creep e
Fake Plastic Trees. O último álbum, In Rainbows, foi tocado na integra.
Não tenho a mínima vergonha de dizer que chorei, seja nas duas músicas citadas acima, seja durante
Exit Music (For a Film) ou seja ao escutar o coro do público pós-
Paranoid Android, que obrigou Thom Yorke a se render aos seus fãs paulistanos e acompanha-los repetindo os versos finais da canção (aliás, escutar ao vivo sua música preferida? Cara, não tem preço...)
Como um amigo meu disse, a melhor banda do mundo só podia fazer o melhor show do mundo.
Foi histórico, maravilhoso, irreal.
Foi ridículo de tão bom.
Foi perfeito.
Simplesmente perfeito.
Queria saber exatamente o que dizer por aqui pra mostrar o que aconteceu naquele show.
Mas, por enquanto, é apenas isso que eu tenho.
Vai ter que ser o bastante.
Bom, pra alguém sem palavras, até que eu escrevi bastante, hein...