terça-feira, 2 de setembro de 2008

Como se Comportar

O mais difícil de ser um viciado em música é que, do total de CDs que você escuta durante o ano, apenas uns 20% realmente prestam.
É quando você gasta 30 reais em um lançamento qualquer e sente que enfiar a mão no bolso realmente valeu a pena.
Quando você sai da loja de cabeça erguida, coloca o album no toca-cd (!!) e, 40 minutos depois, se encontra com um sorriso satisfeito nos lábios.
E foi esse mesmo sorriso que eu encontrei no meu rosto depois de escutar todas as 12 faixas de Como Se Comportar, novo album do Moptop.

Se o primeiro album serviu para apresentar a banda ao grande público, esse novo age como uma espécie de reforço da marca.
Todas as músicas poderiam ser facilmente encaixadas no album de estréia sem causar um desequilibrio ou algo do gênero.
Tudo que tornou o Moptop uma das bandas mais celebradas do rock nacional está lá: guitarras a la Strokes, letras indecifráveis, gemidos e risadas irônicas simetricamente posicionadas no decorrer das músicas, riffs marcantes e melodias poderosas...

Mas com um "algo" a mais!
É palpável a evolução da banda, tanto dela como um todo quanto dos integrantes separadamente.
Os vocais do Gabriel Marques estão mais seguros de si, e as músicas não são mais cópias descaradas do estilo de um certo quinteto de Nova York, para citar apenas alguns avanços.
As letras também esquecem a primeira pessoa para se focar nos "outros", fugindo das conversas embriagadas para falar dos sentimentos. Tudo parece mais autêntico, mantendo a identidade que a banda contruiu durante 5 anos de carreira.

As faixas são daquelas que você só sente toda a força lá pela terceira audição... mas daí não tem mais volta. As melodias grudam na cabeça e você provavelmente se pegará cantarolando coisas como "já lhe disse que não vou ficar, já lhe disse que não vou mudar..." na fila do supermercado.
A "trindade suprema" do album, aliás, está na sequência Malcuidado, Beijo de Filme e Adeus. As três criam o ponto alto de um CD que praticamente não tem pontos baixos.

As influências são as mais diversas. Bom Par, por exemplo, tem um início que evoca algo do Legião Urbana... mas é só o vocal começar que você sente estar ouvindo uma música tirada do Yours to Keep, primeiro album do Albert Hammond Jr.
Outras trazem referências que vão desde Los Hermanos até Pretenders, mas sempre mantendo sua base ligada às bandas do chamado "novo rock", que por sua vez pegam emprestados diversos elementos do rock mais antigo.

Confuso?
Pois é esse o som do Moptop!
Uma gororoba que, de tão complexa, acaba soando simples.

E é exatamente esse o maior mérito da banda.
Criar uma música direta, simples e afiada, que não deve em nada ao som ouvido lá fora.
O tipo de música que pode agradar tanto os que amam o pop nacional quanto os que acham que só presta o que vem do exterior.

Ao contrário do que o primeiro grande sucesso da banda dizia, o rock NÃO acabou.
Basta que apareçam mais bandas como o Moptop.

Vida longa ao Moptop.

5 comentários:

Renatinha disse...

Você gostou do cd tanto assim? Não tinha nem notado... (hihihihihi)
Poxa, eu também gostei! Perdi boa parte do meu preconceito "mas eles são cópia descarada de Strokes"... No segundo cd eu percebo bem menos medo de serem eles mesmos... o que é bom, porque não é legal ficar tentando ser cópia e porque ser eles mesmos significa serem bons!

E olha...as músicas grudam mesmo...! Eu mesma me pego cantando a frase "Já são quase 5 da manhã..."

Douglas Funny disse...

Moptop é quente... ainda não ouvi mais q duas faixas desse último cd... mas um dia vou conseguir...

... e será bem melhor.

sucesso.

T disse...

Vida longa ao Moptop.



HAHAHAHAHAHAHAHAHA
ADOREI!

Beijo

Boninha disse...

Moptop é legal :)

Eles abriram algum show que eu fui sei lá quando (olha que memória boa, será que foi o Keane?) e eu gostei!

Marcelo Macedo disse...

Moptop é uma das 3 melhores bandas nacionais, na atualidade, na minha opinião.
E só não vou além pq pra dizer isso eu precisaria fazer uma comparação com mais afinco, e nao to mto afim de fazer isso.
E eu tenho o orgulho de dizer que fui eu que apresentou a banda pra vc, Branca, embora vc teime em dizer que nao. =P
Abraço apertado, vou dormir ouvindo moptop q fiquei com vontade.