quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ensaio Sobre a Tristeza


Uma coisa que eu tenho pensado bastante é na relação que existe entre a beleza e a tristeza.
Outro dia uma amiga comentou o quanto achava a melodia de Fake Plastic Trees triste. Ela não falou nada sobre a letra, ou mesmo sobre o próprio estado de espírito. Apenas disse que achava Fake Plastic Trees extremamente triste.

Sabe, um cachorrinho com a perna quebrada andando na rua é uma coisa triste. A miséria na África e a fome são coisas tristes. A guerra é uma coisa triste. Animais matando outros da mesma espécie, uma criança chorando porque seu sorvete caiu no chão... essas são coisas tristes.
Agora, o que diabos nos leva a escutar uma música e achá-la triste?

Tirei umas horas pra analisar Fake Plastic Trees.
É uma música com começo calmo, apenas um violão base e o Thom York cantando uma melodia bem feita, alternando altos e baixos. Entra uma bateria leve, encorpando a música. E quando você pensa que tudo já voltou a ficar calmo, tudo explode em guitarras distorcidas, uma bateria pesada e a voz quase desesperada de York, provando vir do fundo se sua alma. E de repente, não mais que de repente, do mesmo jeito que surgiu, todo o peso desaparece, fechando aqueles minutos com uma tensão única, como se fosse um medo de que tudo mude novamente.
É claro que é simplesmente impossível traduzir em palavras todos os sentimentos que uma música dessas traz.
E vocês podem até rir, mas eu sou o primeiro a admitir que é impossível escutar uma música dessas no volume máximo e não terminar com os olhos no mínimo um pouco molhados.
Mas da onde nós tiramos tanta tristeza de uma musica tão linda?

Pois é exatamente isso.
Nós tiramos do belo o triste.

Quando nos deparamos com a beleza de uma música, ou mesmo de um nascer do sol que seja, é como se apenas nós existíssemos naquele momento.
Como se o resto do mundo desaparecesse, e apenas você soubesse apreciar toda a beleza que se revela.
Você se sente completamente sozinho, e será que esse não é o mais triste dos sentimentos?
A solidão?

Na realidade, toda a tristeza que vemos no que é belo é apenas o medo da solidão.
Então será que não existe nada mais belo que a solidão?

Ou talvez isso tudo seja apenas um devaneio maluco da cabeça de um garoto que não consegue parar de ouvir Regina Spektor.
E que, por isso mesmo, se sente extremamente sozinho...

Vai saber...!

9 comentários:

matheuss disse...

já me falaram isso e eu ouvia radiohead enquanto lia o post.
e mesmo que seja feio dizer, a tristeza é bonita.

matheuss disse...

ih, quase esqueço.
lá no babacosmika tem um selo escrito 'por que ter um blog bom não tem preço' a talita deu.
ele é do two cold fingers agora ^^.

guimbas disse...

"Você se sente completamente sozinho, e será que esse não é o mais triste dos sentimentos?
A solidão?"



Dica!
Assistam:
"Na Natureza Selvagem"(Into the Wild)

Douglas Funny disse...

Complexo e super interessante...

quando realmente vivemos a musica, ela se torna triste, pq adequamos a mesma na nossa vida... se torna triste quando se mistura aos nossos sentimentos... há musicas q não se encaixam no nosso pensamento e, mesmo assim, são tristes, pois passamosa imaginar comoseria com a gente... sei lá.. to viajando...

"Em quatro cantos
ouvimos a solidão como única certeza.
Abraçamos o vento e
tiramos do belo a tristeza".

Braço querido.

Renatinha disse...

Quem te disse que Fake Plastic Trees é triste?!

Acho tão animada!

Boninha disse...

Fake Plastic Trees É triste.

O mais engraçado é que as músicas mais bonitas são sempre as mais tristes.

Mar e Ana disse...

Fake Plastic Tree é muuuuuuuuito triste, muuuuuuito linda e sim... coisas tristes são lindas e coisas lindas, algumas, são tristíssimas.

bHAKTIN áUREA. disse...

Sei.

Sandrynho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.