quarta-feira, 23 de julho de 2008

3 Atos para o Teatro Mágico

Finalmente tomei coragem de escrever sobre esse assunto.

Coragem sim, principalmente porque tenho uma pá de amigos que gostam de Teatro Mágico. E também porque, diferente de criticar o Chorão, falar mal do Teatro Mágico significa primeiramente “criar polêmica”.

Mas como aqui no Two Cold Fingers a gente perde o amigo mas não perde a crítica... isso ia acabar acontecendo hora ou outra... Minha história com o Teatro Mágico se divide em 3 atos.

Primeiro ato (romance)

Uma amiga me apresentou, lá nos idos de 2006, uma música chamada O Anjo Mais Velho. “É parecido com Los Hermanos!”, ela disse.

Minha primeira surpresa foi que... não tinha NADA a ver com Los Hermanos.

Mas minha segunda surpresa foi que, bem, aquilo era bom. Devido às minhas dificuldades com um computador e minha completa incompetência em baixar músicas (!!!), ela me gravou o primeiro (e, até aquele momento, único) CD do projeto Teatro Mágico. E não é que aquilo parecia bom mesmo, rapaz!? Tinha um clima meio intimista, melodias bacanas, letras interessantes. Músicas como A Pedra Mais Alta, Realejo e Camarada d’Água fizeram minha cabeça na hora.

Nesse momento, Teatro Mágico já estava começando a rascunhar o sucesso que ele ainda viria a fazer. Durante uma conversa qualquer sobre música, era normal a “banda” ser citada (entre aspas mesmo, já que o projeto solo do Fernando Anitelli tinha Teatro Mágico apenas como nome de CD, e acabou adotando o nome para a banda como um todo).
Assisti ao já tão aclamado show ainda naquele ano, e realmente era tudo aquilo que eu tinha ouvido falar... trapezistas, palhaços, músicos, atores, dançarinas... tudo isso junto no mesmo palco. Sem contar o público, que cantava cada palavra como se fossem as suas próprias palavras e aplaudia cada exaltação que o Anitelli fazia à música independente. Uma barraquinha simpática logo na entrada vendia CDs a preço de banana.

Tudo aquilo era muito, muito legal!!!


Segundo ato (comédia de erros)

O segundo show que eu vi do Teatro Mágico foi meio estranho.

Fiquei espremido entre milhares de pessoas que insistiam em pular e abrir os braços mesmo com o mínimo de espaço necessário para respirar. No palco, a banda parecia um pouco desanimada, um ar cansado. Tocaram O Anjo Mais Velho duas vezes, destruindo todo o impacto que uma música deveria ter no show. A barraca da entrada vendia CDs, DVDs e até camisetas (confesso que comprei uma). A interação que existia entre Fernando Anitelli e o público no show anterior, que contava até com o vocalista andando em meio ao público, pegando palavras aleatórias e criando músicas e rimas, era praticamente nula - a não ser pelo já cansativo discurso "viva a música independente" do Anitelli, principalmente por acontecerem no intervalo entre cada música. Em certo momento ele chegou a dizer que todas as críticas feitas ao Teatro Mágico eram pura inveja... afinal, as pessoas não têm gostos diferentes, elas têm apenas “inveja”.

Depois disso, tentei escutar o CD de novo. E foi uma tarefa bem difícil... tanto as letras quanto as melodias pareciam muito pretensiosas. Algumas músicas que antes eu pensava “puxa, mas que tirada genial ele teve aqui” se transformaram em “puxa, ele realmente escreveu isso a sério?”. Algumas escolhas de palavras pareciam ridículas, forçadas.

Não foi aquele Teatro Mágico que tinha me conquistado...


Terceiro ato (tragédia)

Procurei algumas músicas B-Sides do Teatro. A maioria apresentava a mesma coisa... várias tentativas fracas de jogos de palavras, uma vontade gigantesca de ser chamado de “gênio”.

Numa tentativa desesperada de reencontrar o motivo pelo qual o Teatro Mágico tinha me conquistado no primeiro ato, acabei indo eu outro show deles. O lugar era gigantesco, e soubemos que um DVD iria ser gravado por lá. E foi aí que a pá de terra foi jogada sobre o túmulo...

A banda entrou no palco com um atraso de horas. Boa parte da banda não estava presente (descobri que, por brigas internas, a banda acabou “quebrando”), e músicas eram tocadas com uma certa má vontade. O clima intimista que a banda teimava em criar não combinava em nada com o público que enchia mesmo aquele lugar tão grande. Anitelli continuava cuspindo sua metralhadora de “viva a música livre” e “ninguém está fazendo isso por dinheiro”... ao mesmo tempo que a barraca comandada por seus pais vendia CDs, DVDs, camisetas, livros, bottons, adesivos, agendas personalizadas, bonequinhos articulados e tudo o mais que vc puder imaginar com a marca “O Teatro Mágico”. Ao fim de várias músicas, Fernando Anitelli ouvia por um fone algo do tipo “hmm, não ficou legal não.”, vindo de sua produção, e a música era repetida inúmeras vezes. O próprio grand finale precisou ser repetido umas 4 vezes, com o Anitelli pedindo para o público FINGIR que tudo era espontâneo.

Toda aquela magia que eu senti ao escutar pela primeira vez O Anjo Mais Velho tinha se tornado uma grande farsa.

Escutei o segundo CD da trupe, intitulado “Segundo Ato”.
É um amontoado de pretensões. Toda a sinceridade que existia em algumas canções acaba soterrada por uma vontade irracional de transformar tudo em algo “genial”, desde as letras aos arranjos. É impossível escutar coisas como Os Insetos Interiores e não imaginar o Anitelli dando um sorrisinho orgulhoso a cada linha que escrevia, com palavras que nem tem razão para estar lá... ele apenas achou que seu público diria “meu Deeeeeeus, que cara geniaaaaaaaaaal esse Fernando” e escreveu aquele amontoado de coisas sem sentido.
Outras músicas que tinham tudo para serem ótimas ficam apenas medianas no meio de tantas repetições desnecessárias.
E até mesmo uma das poucas músicas que se salva, a inteligente crítica Pena, tem em seus versos a frase “poesia metamorfoseada em cifrão”... que ficaria muito bem na voz de uma banda pequena, que ainda não se rendeu ao dinheiro e à fama. Na voz de Fernando Anitelli soa apenas como uma grande hipocrisia.

Como disse a Renatinha no post dela, longe de mim culpar uma banda por querer ganhar dinheiro em cima do seu trabalho... o grande problema é quando ela continua dizendo que não está lá pela grana, enquanto é óbvio que é exatamente por isso que ela está lá. O Teatro Mágico já se transformou em uma indústria de dinheiro, e os discursos feitos por Fernando Anitelli em seus shows já perderam o sentido faz tempo. Soam apenas como grandes mentiras.

Tudo o que o projeto Teatro Mágico poderia ter sido foi destruído pela vontade de fazer sucesso e ganhar dinheiro.
Músicas forçadas e uma postura falsa.

Ou será que é tudo inveja minha?

16 comentários:

Vitinho disse...

Branca, eu tenho uma dúvida, entretanto. Gosto de teatro mágico e, apesar disso, fazem meses que eu não ouço uma música deles.
De qualquer jeito, não conheço nada do universo de bandas e, por este motivo, peço sua ajuda para responder uma pergunta: existe alguma banda que não queira ganhar dinheiro?

Douglas Funny disse...

Tocou na ferida.

Eu gosto de teatro mágico, mas sou suspeito para dizer, pois de certa forma "uso" o show dos caras para me reanimar. Se eu não me engano fui em 3 shows, e cada um teve seu estilo e eu estava em 3 diferentes "vibes", então acabaram sendo diferentes.

Venderam-se? Yeah. Quando a coisa faz sucesso outros poderes externos começam a influenciar a banda. Se preciso trabalhar pra ganhar dindin e viver, transformarei meu hobby em "ganha pão". O tempo joga contra e essa é a tendencia...

Não sei se o mundo q eles criam me cega e eu não enxergo todas as criticas, mas eu gosto... sinto q eles estão decaindo (o ultimo cd não está com uma cara boa) e como foi dito muitos musicos da banda foram embora... mas ainda guiam minhas "viagens" e me animam.

Guilherme disse...

Cara, assino embaixo em td o que vc escreveu!

E vou adorar quando surgir o "ato final" deles...O fim está próximo!! (acho)

Abraço!

Mar e Ana disse...

Polêmicas são legais, antes de tudo. É bom discutir! :D

Eu, infelizmente e pro meu desespero, não fui em nenhum show do TM. Mas depois de ouvir o 2° ato, sinceramente, até perdi a vontade, rapaz!
Tirando a presença dos shows, eu concordo com vc com o que aconteceu com a banda, além do que, achei que o 2° ato ficou muuuito sem graça, muita regravação e faltou a criatividade, a inocencia e magia que tinha nas músicas que fizeram com que eu me apaixonasse por eles...
Fazer sucesso é o que toda banda quer... mas gentes, perder a identidade e agir com hipocrisia, nem rola neh?

(Será q eles procuram no google quem fala sobre eles e vão chegar aqui e ler td isso?)

(Ah, eu acho q sim, vc tá com inveja)
:*

p.s.: vai toma no cu essa porcaria d verificaçao de palavras gaydacu -.-

Francisco disse...

Definitivamente, Brancatelli, você é um invejoso, hein?
Haha, o post caiu muito bem, fez-me lembrar de uma conversa com a Renata em que ela sintetizou o que você disse, e como eu fiz na hora, concordo de novo. É isso aí, música pretenciosa demais, bem que podiam pegar aquele verso do Charlie Brown, e repetir "Eu não sei fazer poesia" nos shows.

giovanna disse...

definitivamente, eh tudo que sinto em relacao ao teatro (nao tao mais) magico...
tive uma conversa sobre isso com o fran, e comentei sobre esse sentimento. enfim...
achei um otimo post, otimo!

Tchelo disse...

Hum.....
Eu sinceramente não consigo ver diferença nessa pretensão do Anitelli em querer parecer gênio em várias das letras do Teatro Mágico, com a pretensão do Marcelo Camelo, por exemplo, em Cadê Teu Swin...

Se o cara sabe escrever letras inteligentes, se ele sabe fazer um jogo de palavras legal, não há pq não fazer. Seja Anitelli, seja Marcelo Camelo, seja quem for... Pode ter muita coisa forçada, muito joguinho ruim, enfim, mas não fosse essa pretensão, eles poderiam começar a fazer letras como as do Chorão. Já pensou?! huahau

E po, num país onde a MULHER MELANCIA faz um PUTA sucesso, acho que devemos dar valor às tentativas de música inteligente, como Xanéu n°5, Pena (como vc citou), entre outras.

Enfim, eu teria mais coisas pra comentar, mas o resto é besterinha. O principal da miiinha opinião, foi dito.

Beijao

Chris disse...

Teatro Mágico pra mim é sabedoria de rodoviária. prontofalei.


ps: linkei vocês no Disc Jóquei.

. disse...

sempre me meto quando o assunto é Teatro Magico, e achei esse post agora pra ocupar meu tempo, haha :D eu até concordo com algumas partes do que foi escrito, porém não enchergo radicalmente apenas um lado. me apaixonei pela banda há muito tempo, e pra mim as melhores musicas semrpe serão as primeiras.. mas acho que as mudanças fazem parte desse meio e crescer como artista não é escolha, afinal quem os proporciona a tal crescimento somos nós mesmos. não acho que seja mentira quando o Fernando fala que não estão alí por dinheiro, até porque é só observarmos a quantidade de pessoas comprando super satisfeitas por ter mais alguma coisa de seus idolos.. acho que toda banda tem o dever de agradar a seu público, e ganhar dinheiro ou não é uma consequencia! não gosto de rotular bandas por suposições, o único lado que eu defendo é que a música deles é muito boa e que Fernando é um gênio, quer queira, quer não.

Gabriel H. L. disse...

''Fernando é um gênio, quer queira, quer não.''
exatamente isso que penso.
Na verdade eu gosto muito de ler criticas... gosto de ver o rumo da mente das pessoas... a imaginação interagindo com a opinião do crítico que, por fim, intitula toda essa mistura de crítica.
hehehehehe....
O maior critico do mundo não tem calibre pra julgar a menor arte... artistas e críticos são homens e homens erram...arte é representação de algo maior... um sentimento.....
Imagina se criticassem Leonardo da vinci porque, supostamente, ele fez a monalisa pra ser visto como um gênio... sei lá, mas ele pensando assim ou não fez uma obra prima de genialidade e valor inestimável... criticar o artista trank... negar a sua natureza gênio e criticar a arte... sei lá... ousado demais para um mero critico.

Todos temos o direito de criticar... não, mais que isso: todos nós temos o direito de assumir nossas opiniões, e eu sei que tenho que trabalhar esse meu preconceito a pessoas que criticam gênios sem viver a sua realidade... o seu dia-a-dia.
Vou conseguir, mas até conseguir vou continuar achando que uem critica um artista e sua obra não faz arte... quem critica a arte desama o próximo.
Pra mim isso não é inveja... é só falta de amor. abraços a todos.

Va disse...

Só tive a oportunidade de ir a um show do TM até o momento, mas venho acompanhando o trabalho deles ha tempos, e posso dizer com toda certeza: São verdadeiros artistas!!!
Sendo assim eu devo concordar com cada palavra escrita pelo Gabriel H. L., e ainda devo acrescentar de uma maneira um pouco estúpida até: Se não está bom, faça melhor!
Me desculpem, mas é o que eu penso!
Abraços

Vandilson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vandilson disse...

Curioso como tudo que se forma tem o lado pró e o contra e ambos são corretos e coerentes. Não vejo um lado certo e outro errado nessa discussão e na carreira do TM. Conheço o trabalho deles há pouco tempo e gostei de algumas músicas e outras detestei, as achei lixo. Será que sou contraditório? Preciso gostar de tudo ou odiar tudo? Claro que não!

Mas bem, a discussão não é essa. Irei ao ponto. Quanto ao fato de querer ser genial pode até ser verdade que ele tente (acho que não consegue, embora tenha algumas letras inteligentes.), mas não é isso que todos tentamos? Mas Ainda não soube de alguém que tenha conseguido. Palavras e rimas pouco comuns são justificáveis pelo tipo de música deles que é criado com a língua culta, para um cantor de funk talvez a perfeição esteja em fazer rimas com 'é nóis". Quanto a perda de encanto que alguns vêm tendo acredito que seja pelo status de genialidade que atribuíram ao TM, projetaram algo que a banda nunca foi nem será e a queda na realidade trouxe o desânimo. Musicalmente falando nem Tom Jobim foi gênio, compôs e cantou muito bem, mas até ele tem músicas "xarope", idem ao Renato Russo.

O Teatro Mágico tem muito potencial, o estilo musical soa como inovador, mas fizeram pouco pela música pra ser considerado como extraordinário. Sendo que concordo com qualquer um que há um mérito muito grande do sucesso sem divulgação dos grandes veículos de comunicação.

Mas sou cem por cento verdade ou cem por cento mentira, quem gosta está cem por cento certo ou cem por cento errado, quem detesta ou se decepcionou também, idem a quem critica? Creio que não, cada um goste do que lhe convir e no meio termo vou gostando e odiando ao mesmo tempo, julgando a música (que é o de fato o que me interessa de um músico, pouco me importa a vida pessoal dele, ou diria que o Jobim não era profissional por ser um baita alcoólatra?) sem pretensão de achar genealidade em quem quer que seja.

ps. Caso não ficou claro adoro o Jobim e o Renato Russo, mas todos são passíveis de crítica, não acho perfeição em nada humano.

Lavitz disse...

Cara... Acredito que criticas fazem parte da vida de todo artista. Adoro encontrar comentários com bons argumentos. O que não foi o caso, infelizmente.

É obvio que o "Teatro" tem todo um fundamento com o fato de ser uma "banda independente", mas é preciso saber diferenciar "independência", de "beneficência". E isso o Teatro nunca disse que faria.

Os caras não só querem, como PRECISAM ganhar dinheiro. E isso, de forma alguma denigre sua imagem e qualidade musical.

Acredito que essa transição de "atos" vivida pelo escritor do Post, reflete claramente uma mudança de opinião DELE, e não uma diferença nas músicas ou na qualidade poética do que já estava escrito.

Te aconselho a procurar no Youtube uma série de entrevistas dada pelo Fernando e pela escritora Maíra, durante o lançamento do livro "menino varrido" (Maíra Viana e Fernando Anitelli lançam "Menino-Varrido" - parte 01/05) onde ele fala sobre como foram escritas algumas músicas, em conjunto com a escritora. Entre elas está "Pena". Citada aqui nesse artigo.

Apenas para finalizar e não deixar meu texto mais longo que o do post, é preciso uma certa quantidade de bagagem literária pra entender as músicas do Teatro. Saber que "o pano cai" é uma expressão teatral, e que "pena" não é a de ave, mas é citada no sentido de demonstrar algo difícil e sofrido, ajudam na compreensão de certas coisas. Ah... tente ler Mário quintana também.

Uma dica? Continue escrevendo críticas. Isso ajuda a nos despertar pra ver que pessoas sem muito o que dizer escrevem bastante. Talvez seja a hora das pessoas cultas acordarem.

Non Nova Sed Nove disse...

"A acumulação aliterativa cria um efeito musical intenso que leva-nos a colocar num plano secundário o conteúdo". Fonte: Wikipedia.

Não gosto de Teatro Mágico. Pelo fato de ser música pop disfarçada de "alternativa".

As pessoas escutam, gostam porque a música é agradável, de fato (essa é uma das características do que é pop-ular), e se acham "cult" porque todos estão dizendo o quão original e sofisticado é o som do TM.

Tem bons arranjos? Tem. Tem vários instrumentos? Sem dúvida, mas o som deles é apenas convencional. Claro, tem que ser convencional para que o público médio (esse, que se acha "cult") se identifique com a banda.

Para mim, o cantor e compositor "genial" é um Chorão (sim, o vocalista do Charlie Brown) vestido de palhaço. Que tipo de artista performático fica pulando quando entra em cena e manda o público pular junto? Existe coisa mais clichê que isso em um show (que deveria ser um espetáculo teatral...) de música?

Os comentários dos fanáticos pelo TM são de uma arrogância ímpar. Gênio? Precisar ler para "entender" as letras da banda? Pessoas "cultas" devem acordar? É uma pena ver que uma grande parcela da população não enxerga além do próprio umbigo.

Estava ouvindo Mutantes enquanto lia esse post e me perguntando que "bagagem musical" os(as) meninos(as) e os(as) senhores(as) que escutam essa banda tem para achar que ela inova em alguma coisa...

E aí vem todo aquele discurso hipócrita de que eles estão indo contra a lógica do mercado etc. Querem ver algo original, circense, regionalista e realmente "fora" do mercado? Um artista que vive da música (e não vejo hipocrisia nenhuma em cobrar por sua "arte", não critico TM por isso)? Põe Antônio Nóbrega no Google.

Ah, e tenho "bagagem literária" suficiente (não sou leitora dos mais vendidos, nem de livros de auto-ajuda) para "entender" a mensagem das músicas "geniais" do TM. Aliás, qualquer pessoa com um mínimo de formação literária é capaz de entender o jogo de linguagem pueril que o compositor faz. Não é necessário uma aula dos múltiplos significados da palavra "pena"... Mas aí vou entrar no mérito da discussão da interpretação de textos e dos diversos usos da palavra escrita, e isso é outra história.

hygor heringer disse...

Todos os dias tento ser um gênio, e lhes digo que todos nós temos uma genialidade em algum setor do nosso eu; seja em qualquer área da arte ou até mesmo da intelectualidade.
Se tratando de O Teatro Mágico, primeiramente temos que entender que "Mágico" é só um nome, e poderia ser qualquer outro. Fernando Anitelli não quis dizer que seria algo infinitamente mágico.
Confesso ter saudade do amadorismo da banda, dá uma impressão de verdade. Porém dizer que algo está decadente no meio da arte requer uma coragem e conhecimento visionário até.
Vejam só quais são os artistas que estão em ascensão no meio fonográfico... pelo amor de Deus; pretensão ou não de Fernando Anitelli e toda sua trup, por mim pouco importa... se alguém acha que a poesia já não mais prevalece, ou pelo menos não em alto nível, digo que é opinião desta pessoa e só. Lembrando que cada um deve ter seu ponto de vista, mas só acho que quando a letra não é ofensiva já é digna de credito. Nosso momento artístico é muito destruidor de mentes jovens, para que façamos o que o dono do texto em questão fez.
No mais é só; eu passo a palavra.

Hygor Heringer de Mello Sousa