
Ele ficou conhecido como “Gordinho Zangief”, por causa do personagem do jogo Street Fighter, mas seu nome verdadeiro é Casey Heynes.
Incomodado por um outro garoto, ele acaba perdendo o controle, vira o garoto de ponta cabeça e o joga no chão. Enquanto o garoto sai mancando, Casey se vira calmamente e vai embora.
O vídeo do episódio, colocado no YouTube logo depois, virou sensação da Internet.
Casey, de 15 anos, se tornou uma celebridade instantânea, do tipo que surge a cada semana na rede. Mas, ao invés de ser apenas motivo de piada e montagens mundo afora, Casey conheceu um outro tipo de fama..
A de um herói.
Vitima de gozações por toda sua vida, devido principalmente ao seu peso, ele finalmente revidou. Após engolir todos os tipos de provocações e agressões, ele não suportou mais e, no fim, acabou se tornando um exemplo a qualquer um em sua situação.
E, de um exemplo, tornou-se um herói.
É interessante ver a comoção causada pelo episódio.
O bulliyng, palavra que serve para denominar o tipo de agressão que Casey sofre diariamente, finalmente está se tornando foco de discussões. Livros, programas jornalísticos, séries de TV, filmes..
E tudo o que eu consigo pensar é:
Onde vocês estavam no MEU tempo?
Esse assunto se torna pessoal para mim porque eu sofri tudo isso nos meus tempos de colégio.
O garoto estranho e inseguro, que passava o intervalo lendo ou ouvindo música no fundo da sala, que não conseguia se relacionar direito com ninguém. Um alvo fácil pra qualquer um que quisesse se divertir com alguém mais fraco, qualquer um que quisesse se sentir melhor consigo mesmo às custas de outra pessoa.
Sim, eu era um alvo fácil.
Quem mandava eu ser como eu era, eu era o culpado por tudo aquilo que acontecia comigo.
Eu era o único culpado pelo que acontecia.
Confesso que isso era exatamente o que eu achava.
Entendam uma coisa, no bullyng o pior não é a humilhação, as surras, os insultos.
O que te mata por dentro é a sensação de se estar completamente indefeso, a vergonha, a submissão. Essa é a verdadeira humilhação. Ser agredido, física e psicologicamente, e não fazer nada, e se ODIAR por não fazer nada. É a sensação de que, por aceitar aquilo calado, você merece tudo aquilo. Afinal, você fez por merecer. Você é fraco, não é?! Você é estranho, não é?!
Então aceite.
Calado.
Vou contar uma coisa que eu não costumo contar.
Teve um dia, durante um intervalo entre as aulas, que eu estava sozinho na sala, sentado na minha mesa, lendo uma revista, como eu costumava fazer para me manter longe de problemas.
Eles então entram na sala, andam até a minha mesa e arrancam a revista das minhas mãos. Aí eles seguram meus braços, me arrastam pela sala, me levantam e, rindo, me colocam dentro da lixeira. Tudo isso numa fração de segundo. Enquanto tudo isso acontece, um grupo de garotas, reunidas no corredor, vê aquela cena e ri. Entre elas, uma garota que eu gostava, que eu considerava minha amiga. Quando eles vão embora, gargalhando e me xingando, eu faço exatamente o que eu podia fazer: levanto, limpo a sujeira e, silenciosamente, volto para a minha mesa. E a aula recomeça.
Só quem passa por isso entende a sensação que é ser tratado como lixo.
E só quem passa por isso pode entender o que isso faz com o espírito de uma pessoa.
Para a minha sorte, eu tinha a melhor família do mundo, e os melhores amigos do mundo.
Mesmo que eu não contasse isso pra ninguém, eles estavam la, me ajudando a me sentir melhor comigo mesmo, me ajudando a rir, de mim e do mundo.
E se eu passei por tudo isso com um pingo de sanidade, foi por ter aprendido a rir. Se eu sorrisse, mesmo no pior dos dias, então eu sabia que eu conseguiria passar por tudo aquilo. E, num passe de mágica, tudo ficava bem.
Então eu sorria.
E isso fez de mim a pessoa que eu sou hoje.
Acho que, no geral, tudo o que eu passei me tornou uma pessoa melhor.
Sei que muitos dos meus problemas têm origem naquela época, muita merda que eu faço é um reflexo da insegurança que o meu passado moldou em mim, mas ainda acho que eu sai no lucro.
Tem uma história que diz que dois prisioneiros estavam em um campo de concentração nazista. Fracos, magros, humilhados e indefesos. Então um deles começa a rezar. O outro pergunta “o que você está fazendo” e ele diz “eu estou agradecendo a Deus”. O outro então pergunta pelo que diabos ele pode estar agradecendo, e ele diz:
“Por eu não ser como eles”.
Independente do que eu passei, eu me sinto agradecido, por um simples motivo.
Por eu não ter sido como eles.
Foque nos dias bons, mantenha o queixo erguido e lembre-se que a escola não irá durar para sempre.
Segundo Casey, é isso que ele diria para os milhares de garotos que passam pelo mesmo que ele.
Eu acho que é exatamente o que eu diria.
Ah, e sorria.
Sempre.
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