quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Verdadeira Rebeldia


Uma banda de moleques com seus quase 20 anos, vestidos de um jeito estranho, odiados pelos mais velhos e idolatrados pelos mais jovens.

A definição, que a cada geração se vê aplicada a um punhado de bandas, no caso trata do último fenômeno nacional, a "melhor banda de todos os tempos da última semana" como bem diriam os Titãs.
Semana essa que já dura cerca de um ano, pelo menos desde o lançamento do primeiro álbum, em 2009..

Sim, hoje o Two Cold Fingers vai falar do tão detestado Restart!
Aiai, eu já até vejo a minha credibilidade descendo pelo ralo de muita gente por aí..

Só espero que não seja da maioria.

E se é pra falar do Restart, é claro que eu não posso fugir das célebres comparações com o passado.
E não adianta vir com "ahhh, mas neeeem ooouse comparar essa bosta com Beatles", porque qualquer fã percebe que a definição lá no começo do post serve muito bem pros 4 rapazes de Liverpool.
Garotos que começaram tocamdo músicas pops bobinhas, ingênuas até, com um visual exótico para a época, adorados pelas garotinhas, odiados pelos roqueiros conservadores, que estouraram logo no primeiro disco. Troque o termo "iê, iê, iê" pelo "happy rock" e é impossível não passar um bom tempo criando paralelos entre as duas bandas.
Que fique bem claro que eu não estou falando de talento, até porque é cedo demais pra definir o talento dos caras..
Mas a história apenas se repete.

E esqueça os Beatles, a história já foi repetida à exaustão!
A Jovem Guarda? Uma galera que tocava músicas pops bobinhas, ingênuas até, com um visual exótico para a época, adorados pelas garotinhas, odiados pelos roqueiros conservadores.
O Titãs já citados lá em cima? Garotos com um visual exótico para a época, adorados pelas garotinhas, odiados pelos roqueiros conservadores.
Beach Boys, Monkeys, Who, Sex Pistols, Clash e a grande maioria das bandas hoje reverenciadas... todas seguem a regra de rapazes de visual exótico, músicas estranhas, adorados pela juventude e odiados pelo conservadorismo.

Outro dia eu li uma entrevista com o vocalista Pe Lu em que ele falava sobre o sucesso e as críticas.
E eu devo dizer que o cara tem uma cabeça muito boa.

Sobre já ser uma banda de sucesso o cara disse que "seria prepotente da nossa parte (achar isso), ainda falta muito. Pra mim o Skank é uma banda de sucesso, por enquanto somos apenas 'bem-sucedidos'"

Sobre as críticas e ataques, ele diz, com muita razão, que "a galera do rock é muito preconceituosa e eu acho que isso enfraquece o gênero no Brasil... tudo que é novo pode gerar hostilidade. Eu prefiro tentar entender."
Vale dizer que eu particularmente passei a respeitar muito mais a banda ao ver a postura dos caras no VMB quando, ao subir no palco pra receber seus (vários) prêmios, foram vaiados por metade do público e ainda conseguiram manter a postura. Já vi muito artista de renome por aí causando climão por bem menos.

Pra completar, o cara falou o que é pra mim uma das grandes verdades da música: "Eu acho esse conceito de 'doideira', sexo, drogas e rock'n'roll meio ultrapassado, uma coisa que parou ali nos anos 80. Ele não se encaixa hoje em dia. Antigamente, ele tinha uma razão de ser, era uma maneira de se posicionar contra a sociedade quadrada da época, era uma maneira de forçar mudança. Hoje em dia, é o contrário. Tem tanto sexo e droga que até cansa. Ficou escrachado. Hoje todo mundo já fumou maconha com 14 anos, todo mundo já transou. Você pode passar tempo com seus pais e não precisa cair de bêbado para ser rock'n'roll."

Sério, é o tipo de coisa que, quando você entende, te abre um horizonte musical completamente novo. O rock não é sexo, ou drogas... o rock é MÚSICA! E se hoje tudo isso já está banalizado, a rebeldia está em ter a CORAGEM de se posicionar contra isso tudo.
E isso foi concluído por um moleque de 19 ANOS!
Com muito mais maturidade do que qualquer um que prefere criticar o novo apenas para ficar bem na fita com os amigos.

Falando bem sério, os caras têm talento, tocam bem, são carismáticos, se divertem fazendo o que fazem e, o principal, parecem ter a cabeça no lugar.
Se você não gosta da música, não ouça. Se não gosta deles por serem jovens demais, coloridos demais, adorados demais, rebeldes demais (ainda que à sua própria maneira), bobinhos demais, ou porque são feios, bobos e caras de mamão.. bom, simplesmente passe longe.

Mas se você é daqueles que fala mal só pra sair como roqueiro legalzão...
Aposto meu saco que não tem prova maior de ignorância musical.
Meus parabéns.

O preconceito apenas enfraquece a música.
Um moleque colorido sem nem barba na cara entendeu isso.

E você?

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3 comentários:

Claudinei disse...

Li uma entrevista de um integrante da restart, na revista da livraria cultura, e também achei que o muleque tem a cabeça boa. é formado em música, e disse que sabe muito bem cada letra que escreve e cada nota que compõe. Isso já quebra muita gente que diz que os eles não tem cérebro. Tudo que você citou sobre as épocas, é fato. acho engaçado alguém que gosta de qualquer uma banda citada, odiar o comportamento da restart e companhia.

Renatinha disse...

Concordo com você.
Se preconceito não é aceitável na sociedade, na música é que não vai ser.
A pessoa não gostar de um tipo de música, não faz com que quem a faz seja automaticamente um músico ruim.
Outra coisa tremendamente irritante é rotulá-los de gays por causa das roupas coloridas... Foi-se o tempo de que azul era cor de menino e rosa de menina, tá na hora de amadurecer.

Willian disse...

Eu não gosto e portanto ignoro. Nada demais. Eu presto atenção nas coisas que gosto. Se a maioria das pessoas fizesse isso as coisas seriam melhores.