quarta-feira, 17 de março de 2010

Angel Villa, Laerton e Glauquito


Acho que era lá por 1995, quando eu tive o meu primeiro contato com quadrinhos nacionais.
Não, não estou falando de Turma da Mônica... os quadrinhos nacionais que eu digo são muito mais underground, muito mais politicamente incorretos, onde os três protagonistas se divertiam com violência, sexo, drogas e as mais diversas perversões, assassinando indios e infinitos garotos de sombreiro chamados Miguelitos.

Foi com mais ou menos uns 9 anos que eu comprei uma revista chamada "Los 3 Amigos"!

Os 3 personagens eram alter-egos de seus criadores, os cartunistas Angeli, Laerte e Glauco.
Angeli, criador de personagens clássicos como Rê Bordosa, Bob Cuspe, Wood & Stock e os Skrotinhos.
Laerte, mestre em colocar um espelho na frente da sociedade e mostrar como realmente somos, tanto nosso melhor quanto, principalmente, nosso pior.
E Glauco, de longe o mais anárquico dos três, aquele que colocava em suas tiras o que a maioria das pessoas tem vergonha só de pensar, aquele que fazia com que o público se identificasse com tarados, drogados, ninfomaníacas, bêbados e profetas dos apocalipse.

Não apenas 3 cartunistas, como também - eu logo iria descobrir - os 3 maiores cartunistas do Brasil, influências obrigatórias para qualquer desenhista que se preze!
Gênios dos desenhos, das piadas, das críticas sociais, das relações humanas!
Simplesmente gênios!


Na semana passada, um louco colocou fim nas histórias de um desses 3 amigos.
Invadiu a casa do Glauco e o matou a sangue frio, para depois assassinar também seu filho Raoni.


Juro que nem sei direito o que escrever por aqui.
Só queria, de algum modo, homenagear um dos maiores cartunistas brasileiros, que em contraste ao seu bom-humor, acabou morrendo por conta de uma tragédia sem nenhuma explicação ou desculpa.
Uma loucura que colocou fim na vida de alguém que só se preocupava em colocar um sorriso no rosto daqueles que liam todos os dias suas tiras.

Triste perceber que, mesmo com toda sua importância para os quadrinhos brasileiros, ainda exista muita gente que não conhece o artista, ou que só o conheceu por conta do que saiu nos jornais nos últimos dias.

Tudo o que eu posso esperar é que o sensacionalismo dessa tragédia não apague seus anos de serviço ao humor, esta sim sua marca registrada.


. . . e que os novos talentos que estejam nascendo tenham ao menos metade do talento do mais maluco daqueles três amigos.

Um comentário:

Guilherme disse...

Fazendo um gancho com o post da Rê, é difícil ser adulto num país cada vez mais sem graça...