quarta-feira, 15 de abril de 2009

Doherty Solo

“If you’re still alive
When you’re 25
Shall I kill you
Like you asked me to?
(I really don’t want to…)”



É difícil começar mais um texto sobre o Pete Doherty.
Acho que não tem muito mais que eu possa falar sobre ele e que ainda não foi dito aqui no Two Cold Fingers (e, pra ser sincero, em toda a mídia).

Sim, ele era um dos Libertines.
Sim, ele foi preso por invadir o apartamento do parceiro e melhor amigo Carl Barat.
Sim, ele foi expulso da banda no auge dos seus problemas com drogas.
Sim, ele montou a banda Babyshambles com alguns de seus amigos junkies.
Sim, nessa época ele se afundou ainda mais na heroína e no crack.
Sim, ele geralmente é notícia pelas encrencas que arranja.
Sim, ele é ex da Kate Moss.

Mas ao mesmo tempo, o cara é um músico genial, que causou uma revolução no cenário musical britânico, sendo indiretamente responsável pelo surgimento de bandas como o Arctics Monkeys e praticamente tudo o que veio depois do Libertines.
É engraçado como a maioria das pessoas acaba esquecendo disso.

Seu primeiro álbum solo, Grace/Wastelands, está aí para relembrar os mais esquecidos.

Largando a guitarra e o peso dos seus projetos anteriores, Pete (ou Peter, como aparentemente ele prefere agora) pôde se entregar como nunca à construção de melodias e letras melancólicas, aventurando-se por meio do folk e do jazz.
Desnecessário dizer que suas letras continuam extremamente pessoais, mas cada canção mostra um lado mais introspectivo do músico britânico.
Apenas com um violão e sua voz embriagada, Pete (r) mostra músicas que se aproximam muito mais de seus lados B particulares (do qual fazem parte do álbum duas canções já conhecidas pelos fãs, Arcady e New Love Grows on Trees) que das suas bandas. Participam ainda seus colegas do Babyshambles, o Blur Graham Coxon, a cantora Dot Allison e até o suga-sangue Wolfman.
Os pontos altos provavelmente são o single Last of English Roses, a maravilhosa The Sweet By and By e a leve e discreta Sheepskin Tearaway.

Mas então Grace/Wastlands é um ótimo álbum, Brancatrolhas?
Hmmm, eu não diria isso.

Ao se desfazer do peso punk que marcava suas músicas, Pete (r) se desfaz também do tom divertido das músicas que fizeram seu nome, como Time for Heroes, What Kate Did, Up the Bracket, Fuck Forever e Delivery.
Ao invés de dosar a melancolia, Pete (r) se entrega totalmente à um clima triste e por vezes até deprimido.
Mesmo que tenha ótimas canções, o álbum peca pela... digamos assim... falta de tesão.
O próprio Pete (r) já declarou que um trabalho solo era imposição da gravadora, e de certa forma essa “obrigação” acaba transparecendo em algumas faixas do trabalho. A ausência de momentos mais animados acaba jogando ainda mais luz (ou trevas) nessa sensação.

A esperada estréia solo de Pete Doherty tinha potencial para ser algo sensacional.
Como está, é apenas um disco com ótimas músicas que vale a pena ser ouvido, mas que ao final deixa a sensação de que algo acabou faltando.

Espero que uma possível seqüência desse trabalho traga um pouco mais de boa vontade do sr. Doherty.
De certo modo, não quero associar apenas tristeza ao seu nome.

Para isso, basta abrir um jornal...

5 comentários:

Verônica disse...

que essa 'má fase' não demore a passar. :/

tem um verso the 'I am the rain' que se eu não me engano é:

"Lotions and potions just add to my fame."

bom, que poções de ânimo e alegria realmente acrescentem algo à tão merecida fama desse músico genial.

Verônica disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renatinha disse...

PRECISO ouvir esse cd! (essa vida de trabalhadora acaba com minha alegria)

Sinceramente acho que o Pete(r) nunca vai ser tãããããão bom quanto na época Libertines, apesar de eu amar o 2º cd do Babyshambles.

Douglas Funny disse...

Fiquei curioso com esse cd tbm, apesar de não ser um grande fã do guri...

escravodarosa disse...

Nossa, concordo, concordo e concordo. Mas tem uma coisa: se ele quisesse fazer um disco assim, nunca poderia ter feito com as bandas, que não eram só ele e aí tinham que ter aprovaçao de todo mundo. Muito mais fácil fazer o melancólico sozinho - e muito mais legal.
E ele também chegou aos 30... tava na hora de uma coisa menos engraçada. Mas fica tranquilo que ele volta logo a ser o que era. É só uma fase, que rendeu um puta disco, ainda bem.
bj!
Tainá