quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Pequeno Livro do Rock


"Eu jamais tive uma overdose,
Não vi os Sex Pistols no Chalet du Lac,
Não estive no Bronx nos primórdios do hip-hop,
Não vi os Beatles ao vivo no Ed Sullivan Show,
Não fui aos shows do Elvis em 55,
Não compartilhei groupies com o Led Zeppelin,
Não sou um crítico de rock profissional,
Não tenho vontade de ser completo, objetivo ou de boa-fé.

Em suma, não tenho nenhuma legitimidade para escrever este livro, e foi por todas essas razões que eu mesmo assim o escrevi..."



É com essa confissão que o cartunista francês Hervé Bourhis começa sua obra, o Pequeno Livro do Rock.
E, com essa honestinada, ele acaba criando um elo com cada um de seus leitores.
Afinal, a grande graça de ser um fã de rock (ou de qualquer estilo musical) é que você não precisa ter vivido cada momento dessa história para poder aproveitá-la. Os fãs atuais não viram o Elvis ou o Sex Pistols ao vivo, não compartilharam groupies com seus ídolos, não são críticos profissionais... e, mesmo assim, são tão aptos quanto qualquer um para falar de música.

E é divertidíssimo saber o que o tal Hervé tem a dizer sobre tudo isso.

O Pequeno Livro do Rock conta toda a história do gênero, desde a criação do primeiro jukebox, quando o "rhythm and blues" ainda era conhecido como "race music", até os boatos de herpes genital do líder do Tokio Hotel, passando pelo surgimento do grunge e do britpop...
Tudo isso com uma linguagem divertidíssima, desenhos cartunescos na medida certa, sacadas engraçadíssimas e uma puta pesquisa sobre o assunto, com anotações que o desenhista mantém desde os 14 anos.
Por meio dos desenhos e um ritmo ágil, o livro consegue inclusive mostrar coisas como o surgimento do seminário musical NME (New Music Express) ou uma cena já icônica de um clipe do Blur apenas por meio de desenhos, que explicam mais que mil palavras. Afinal, o rock se alimenta da imagem tanto quanto da música.
E mesmo assim, o domínio do texto torna toda a leitura bem leve e, principalmente, informativa. Por exemplo, você sabia que o famoso "duckwalk" do Chuck Berry foi criado para esconder um rasgo em sua roupa durante um show em Nova York?

Tem também as sacadas geniais, como a relação de Frank Sinatra com o rock, Brian Wilson e a criação do álbum Smile ou as "Pop Battles", batalhas entre discografias de duas bandas (e confesso que, entre todoas as batalhas feitas, só concordei com um vitorioso... o que não estraga em nada a diversão que é saber as opiniões polêmicas do autor). Tem também coisas como capas de CDs desenhadas, listas pops e o relato de um ano na vida de Pete Doherty e da Amy Whinehouse, além de citações a fatos históricos, ao cinema, à literatura e à vida do cartunista.
E cada desenho aumenta a vontade do leitor de ir atrás de tudo o que é citado!

Uma coisa que pode ser estranha aos leitores é o quanto o autor cita bandas francesas desconhecidas por aqui (afinal, ele é francês. dããã). Mas em meio a tanta coisa, elas acabam aparecendo naturalmente.
Mas vale a pena notar que o Brasil não é esquecido, com citações a João Gilberto, Tropicalismo, Cansei de Ser Sexy, Sepultura e aos Mutantes (mostrados como "os Beatles brasileiros").

Qualquer fã vai perceber a falta de alguma banda, ou a falta de informações de alguma banda que possa julgar importante (e que até rende uma piada no final do livro).
Mas o prefácio citado no começo deste post acaba justificando qualquer "falha".

Quase um Guia Dos Curiosos da música, o livro é obrigatório para qualquer fã de música, história, quadrinhos, rock...
Podendo ser colocado tanto na prateleira de livros quanto entre a coleção de discos.

Recomendadíssimo!!

5 comentários:

Renatinho disse...

Muito legal! Eu só consigo ler livros por indicações e esse, nossa, tudo que você escreveu deu MUITA vontade de ler!
Todo mundo vive palpitando, falando que tal banda foi melhor, ou que o guitarrista é fraco pra aquela banda, mas um cara inteligente com humor e DESENHOS, quero muito ver!

Obrigado pela recomendação, agora sim to acostumando do blog falar algo mais além de notícias musicais e indicações de banda.

E outra coisa: o fundo do blog era diferente? Não lembro, só notei agora hm

Renatinha disse...

Nossa, quem te deu esse livro deve ser uma Renatinha, digo... garota muito legal! =D


Renatinha, sim! Mudamos o fundo, as fontes, o tom do vermelho,...

me disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
@SolonNeto disse...

Valeu a indicação.
Estava namorando esse livro há um tempo, mas agora veio um bom incentivo.
E aliás, justíssimo citar Mutantes em comparação aos Beatles. Sempre esquecem deles, exceto por esse blog aqui né hahaha

Twocoldfingers sempre de parabéns!

Joao disse...

Depois de ter comprado um livro do Zeca Camargo quando eu tinha 15 e gostava de fantástico e otro 1001 discos pra escuta antes de morre fiquei traumatizado com livros de música mas esse tiro meu trauma. Muito bom.