
Rivers Cuomo é um cara feliz!
Aos 39 anos, ele já não é mais o adolescente inseguro de antigamente.
Casado e com uma filha de 2 anos, suas crises amorosas são coisas do passado.
A onda "ser nerd é ser legal" o transformou de um garoto sem traquejo social dos anos 90 a um astro pop.
Se antes o Weezer era uma banda sem nenhuma imagem comercial, hoje ela é referência estética para qualquer grupo que quer ser chamado de "alternativo".
Enfim, faz um bom tempo que Rivers Cuomo abandonou todas suas crises existenciais.
E isso acaba ficando claro nas músicas que ele compõe!
No novo CD do Weezer, o
Raditude, ele ainda escreve sobre amor, sobre romances... mas falta exatamente aquilo que fez dos dois primeiros álbuns da banda insuperáveis:
Sinceridade!!
O sentimento que Rivers colocava em todas as músicas do Weezer, mesmo naquelas sobre garagens ou querer ir para o trabalho em uma prancha de surf, simplesmente desapareceu.
Ouvir o Rivers Cuomo dizendo coisas como "I can't stop partying" é como imaginar o Marilyn Manson cantando músicas do padre Marcelo Rossi. Letras como a de
"The Girl Got Hot" tem a profundidade de uma tábua de passar. A faixa
"In The Mall", escrita pelo batera Pat Wilson e única não escrita pelo Rivers, poderia até fazer sentido para a nossa juventude dos anos 90 - quando passar o dia dentro de um shopping era a coisa mais legal do mundo e até criou uma tribo à parte, os Mallrats - mas hoje soa datada e patética.
Fica claro que a banda agora tenta dar muito mais destaque às músicas que às letras. Só isso pode explicar a inclusão de TRÊS músicas antigas e já lançadas nos álbuns Alone I e II, com gravações caseiras do Rivers. Repagnadas, elas até podem soar diferente, mas apenas mostram que a banda talvez não tenha mais nada a dizer. E dessas 3, não entendo a escolha de
"I Don't Want to Let You Go" para fechar o disco. A música é idêntica a
"Pig", lançada nos extras da versão Deluxe do CD anterior, o
Red Album... só que PIOR!!!
Fechando os negativos do álbum, o Weezer conseguiu lançar sua PIOR música em 17 anos de banda, a inexplicável
"Love Is The Answer"... diga-se de passagem, outra composição antiga do Rivers e muito melhor gravada pelo Sugar Ray!!!
Mas nem só de pontos negativos é feito este post.
Apesar de algumas letras não fazerem jus ao Weezer de antigamente, a atenção especial às melodias e às músicas acaba compensando.
Além disso, algumas faixas mostram que a banda ainda consegue sim ser criativa, como
"Trippin' Down the Freeway" e a melhor música do álbum, a já clássica
"(If You're Wondering If I Want You To) I Want You To" (aquela música que me lembra o porque do Weezer ainda ser minha banda preferida. Ah, e é só clicar nela e assistir ao genial clipe dirigido pelo Marc Webb, diretor do também genial filme 500 Dias Com Ela, que a equipe Two Cold Fingers recomenda!!).
E como já é tradição do Weezer, o bônus da versão Deluxe tem verdadeiras pérolas, como
"Run Over by a Truck" e
"The Underdogs".
É difícil imaginar o Weezer fazendo algo tão bom quanto seus dois primeiros álbuns. Nós, os fãs, sabemos disso.
O problema é que a própria banda resolveu aceitar esse fato, e parece ter simplesmente parado de tentar.
No
Red Album, a banda já mostrava falta de assunto, já tentava assumir personagens, como nas músicas
"Troublemaker" e
"The Greatest Man That Ever Lived"... mas de um jeito muito melhor, mais sincero e criativo do que no
Raditude. Enquanto que no CD anterior essas músicas eram claramente um deboche irônico, agora soa apenas como uma vontade frustrada de ser o que não se é.
Aquele som cru e sincero do começo da banda desapareceu quase que completamente, dando lugar a um som mais produzido e forçado.
O
Raditude não é um álbum ruim, longe disso.
Mas como é frequente na carreira da banda, ao final do CD acaba ficando um certo gosto amargo e uma certeza:
Poderia ter sido muito melhor...