terça-feira, 23 de junho de 2009

O Mutante que Cuspiu na Cara da Morte


"Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
E BRRRRRRRRUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!"


Ele é considerado um dos maiores músicos de todos os tempos.
Foi o líder criativo daquela que é considerada a maior e mais inovadora banda nacional e um dos fundadores do movimento conhecido como Tropicália.
Ídolo de gente como Tom Zé, João Gordo, Sean Lennon e Kurt Cobain, ele criou a base do rock brasileiro que é usada até hoje, dando-lhe uma identidade própria ao invés de apenas copiar o que vinha de fora.
Cultuado por qualquer pessoa com o mínimo conhecimento musical, teve que conviver com a aura de louco que o assombrava desde a juventude, fortalecida pelo uso descontrolado de ácidos, por inúmeras passagens por hospícios e por uma tentativa desesperada de suicídio (o título do post é de uma notícia de jornal da época).

Contrariando qualquer expectativa popular e qualquer diagnóstico médico, o ex-Mutante Arnaldo Baptista continua fazendo aquilo que sabe fazer de melhor:
Criar.

O documentário Loki - Arnaldo Baptista, com direção de Paulo Henrique Fontenelle e idealizado como um projeto do Canal Brasil, estreiou na última sexta-feira depois de ser aclamado em festivais mundo afora.
O filme conta a tragetória do músico desde a criação de sua primeira banda, a The Thunders, até o show-reunião do grupo Mutantes em Londres, que consolidou de fato o sucesso e o reconhecimento do grupo.
Seu período com o grupo ocupa a maior parte do filme, incluindo a participação no terceiro Festival da Música junto ao Gilberto Gil, chocando boa parte do público ao colocar guitarras elétricas em uma canção de MPB, passando pelo auge criativo da banda, seu relacionamento (e casamento) com Rita Lee e sua fase progressiva, provando que o termo "mutante" é realmente o que melhor o define.
O estigma da loucura sempre atribuído ao líder dos Mutantes é o mais explorado por Loki, mostrando por meio de depoimentos como o do parceiro (e irmão) Sérgio Dias, Lobão, Nelson Motta, Gilberto Gil e vários outros que o músico sempre andou na tênue linha que separa a loucura da genialidade. Se em uma hora ele gravava um dos melhores álbuns da música brasileira (e que, por sua vez, da nome ao filme), em outra ele chamava um ex-companheiro de banda para comandar a nave espacial que estava montando. Se em um momento ele conversava animadamente com um amigo, em outro ele simplesmente ficava incomunicável por várias horas. Se por um lado ele era um rebelde, por outro era de uma sensibilidade ímpar. Sensibilidade essa que era seu maior trunfo e seu maior fardo, que o fazia criar canções sublimes ao mesmo tempo que tornava o peso de viver algo insuportável, levando-o a se jogar do terceiro andar de uma clínica psiquiátrica nos anos 80. Depois de passar meses em coma com diversas sequelas cerebrais e ouvindo de seus médicos que jamais conseguiria criar novamente, Arnaldo superou a morte e, antes de voltar à música, encontrou abrigo na pintura (em uma sacada genial, durante todo o filme o músico pinta uma espécie de quadro autobiográfico).

Ainda assim, apesar de aplaudido em todos os festivais pelos quais passou, o documentário é bem aquém do que poderia ser feito sobre a vida de Arnaldo. Histórias curiosas como a que conta que, em uma certa época de sua vida, Arnaldo apenas se comunicava em um idioma que ele mesmo tinha criado, acabaram ficando de fora do filme. Além disso, problemas com áudio e momentos sub-ultilizados da vida do músico deixam a impressão que o filme poderia ser bem melhor. Inútil tentar pensar em por que o documentário, que insiste no ponto que os Mutantes moldaram uma identidade nacional no rock, coloca várias versões EM INGLÊS das músicas, ao invés das versões originais em português.

Independente disso, Loki - Arnaldo Baptista é obrigatório para qualquer um que deseja entender a influência dos Mutantes na música atual.
Algumas passagens, como o show de retorno dos Mutantes, conseguem deixar um nó na garganta. Em outras, é impossivel não se orgulhar, como por exemplo quando um fã reconhece o artista nas ruas de Londres, ou quando o músico Devendra Banhart afirma que os Mutantes são melhores que os Beatles.
Impossível não sentir uma ponta de vingança contra aqueles que ainda subestimam a MPB.

No final, depois de tantos debates sobre a sanidade de Arnaldo Baptista, sobre a saída de Rita Lee dos Mutantes, sobre a influência do LSD no fim da banda, sobre a tentativa de suicídio ou sobre qual o maior grupo musical de todos os tempos... a única certeza que fica é que nós não damos o devido valor aos nossos artistas, achando que a qualidade está apenas naquilo que vem do exterior.

Sem nem ao menos imaginar que um dos artistas mais influentes de todo o mundo é produto brasileiro.


PS: prometo que em breve eu faço um post dedicado exclusivamente aos Mutantes!! está no meu cronograma... =]

4 comentários:

Renatinha disse...

1) Nem me convido pra ver.
2) Tudo bem que quando ouvi a primeira vez achei que você tinha dito 'Amado Batista'.
3) Esse post de Mutantes tá virando lenda.
4) Acho que quero ver.

Douglas Funny disse...

eu tbm jurava q vc tinha dito "Amado Batista", mas blz.. hehehe

preciso ver mais um filme, o q é uma grande tendência dos atuais documentários... mas as histórias são quentes.

sei muito pouco dos mutantes, mas respeito como grandes influenciadores da música brasileira... muita criatividade.

abraço.

Caroline disse...

Eu sempre fico com vontade de ver os documentários que vc fala aqui... vou tirar uma tarde para isso! (junto com os filmes que a Re prometeu me mostrar, mas não mostra! Humpf)

=*

matheus disse...

mutantes é foda! exijo já o post dedicado só a eles. são a melhor banda de todos os tempos.

o/

quero um pedaço da pelheta do kooks (y)