terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Todos Estão Mudando...

Imagine a seguinte cena:
Em uma noite de sábado, você resolve sair com seu amigos para alguma balada indie cidade afora.
Chegando lá você pega uma cerveja, vasculha por algum possível interesse-romântico-de-uma-noite e finalmente vai para a pista e dança ao som de coisas como B-52's, a-ha, Franz Ferdinand e ...

Keane!



. . .


Oi?
Mas hein?
Como assim, Keane tocando em uma balada?
Tentativa de esvaziar a pista de dança?
Campanha para suicídio coletivo?

Na verdade, a banda conseguiu aquilo que qualquer um que tenha escutado os dois primeiros albuns do trio duvidava.
O Keane se tornou em seu terceiro CD - Perfect Symmetry - uma banda que pode sim integrar facilmente o set-list de qualquer DJ, mesmo nas baladas mais agitadas.

Logo na primeira música, "Spiralling", já é possível enxergar contornos de David Bowie e Killers, com o vocalista Tom Chaplin conseguindo evocar quase que perfeitamente a voz de Brandon Flowers.
O que se segue durante todo o CD é um amontoado de influências que passam por Queen, MGMT, Kraftwerk... mas em momento algum se perdendo em meio a tanta inspiração. E o principal, mantendo o estilo que consagrou a banda desde o lançamento dos primeiros singles, "Somewhere Only We Know" e "Everybody’s Changing", e tornou-a uma das principais revelações britânicas da década.
As letras melancolicas, as belas melodias, o destaque para o piano (mesmo que, pela primeira vez desde o lançamento de Hopes and Fears, a banda se arrisque a usar guitarras elétricas em suas músicas), as baladas tão românticas quanto desoladoras ... está tudo lá.
Confesso que, depois de ver o clip de Spiralling, eu sinceramente pensei que era o fim da banda. E não conseguia entender tantas críticas boas a essa nova fase.
Mas... bem... já é tradição eu morder a língua.

Perfect Symmetry não supera nem de longe seu antecessor, o fantástico Under The Iron Sea, mas prova que a banda tem sim muita coragem em mudar aquilo que já era sinônimo de sucesso.
Assim como o Radiohead (banda a qual o Keane sempre foi comparado) fez em Ok, Computer, eles reconstruiram o próprio estilo em seu terceiro album, assumindo todos os riscos que isso pode trazer.

Riscos que a maioria das bandas prefere não correr.
Infelizmente.

5 comentários:

Renatinha disse...

Entãããão, não sou profunda conhecedora de Keane... Mas sabe, não vejo nada de errado numa banda mudar, se ela conseguir ser boa e não perder a essência... Por miiiiiiiiiiiim, tudo bem! =D
Mas que tá assustadoramente igual Killers... tá!

Douglas Funny disse...

Ah não... o Keane?!

... tá, eu tbm não sei desse.

Renatinho... disse...

Putz, eu gosto bastante da banda, venho acompanhando desde o Hopes And Fears e... não gostei NADA desse último álbum.
Não sei se é porque veio depois do Under The Iron Sea que eu acho um dos melhores álbuns que existe ou se é o estilo de música que, eu sou mais chato que o normal pra gostar ^^' Pode ser também pela mudança que você admira que ocorra, é bom, mas se bem feita e eu não achei nada legal a deles =S
Enfim, Março eles estão aqui no Brasil e faço a maior força de ir no show deles, mesmo sabendo que a maioria das músicas no setlist vão ser as do álbum novo, vou me redimir de não ter ido no show na "época boa" [vista por mim =P]

Abrassss

Bonie disse...

O Perfect Symmetry é um daqueles cds que você detesta na primeira vez que escuta, mas se força um pouco a barra, acaba adorando.

A única coisa que me chateia são as guitarras. Eu era fã do Keane justamente pela ousadia de só ter piano... mas vá lá, não vou deixar de gostar deles por isso.

Beijo!

Guilherme disse...

eu queria dar uma dica de um som maneiro, vocês ja devem conhecer mas mta gente nao ouviu falar. o cd novo Attack & release da banda The black keys esta animal!! Deem uma olhada!