quarta-feira, 16 de abril de 2008

There Is A Light That Never Goes Out (ou O Rei Não Morrerá Jamais...)

No vídeo, um homem com seus quase 50 anos de idade canta em um palco. Enquanto o homem canta, à frente de uma tela que exibe o rosto icônico de James Dean, várias pessoas invadem o palco para agarrá-lo, mesmo que por apenas alguns segundos. Pessoas que têm idade para ser seus filhos. Pessoas que não eram nem nascidas quando esse mesmo homem fundou a banda que se tornou uma das mais influentes de todos os tempos. Pessoas que, se não o reconhecessem como uma lenda viva, o chamariam de tio. Pessoas que não fizeram parte da geração da qual esse homem foi considerado a principal voz.

Porque o homem que canta chama-se Morrisey.
E as pessoas que o assistem, na Inglaterra monárquica da rainha Elizabeth II, são seus súditos.

Estranho imaginar a influência que esse tio teve para a música. Estranho também ligar esse mesmo senhor de meia idade ao ícone dos anos 80 que, à frente dos Smiths, fez história num mundo ainda baqueado pelo furacão que foi o punk. A banda, criada em 1982 e batizada com o sobrenome mais comum da Inglaterra para mostrar que seus integrantes eram “pessoas comuns”, durou apenas 5 anos, mas consolidou Morrissey e o guitarrista Johnny Marr como uma das duplas mais produtivas da história do pop. As ácidas críticas políticas e a poesia melancólica das letras de Morrisey cabiam como uma luva nas músicas melódicas e certas vezes até animadas de Marr. Além disso, Morrissey sabia como causar polêmica, com suas opiniões bombásticas, seu cinismo, seu celibato por opção, sua sexualidade e seu vegetarianismo divulgado em canções e entrevistas (o nome do segundo álbum do grupo é “Meat is Murder” – carne é morte!).

Em 1987, o grupo se dissolveu, abrindo caminho para que Morrissey iniciasse sua já esperada carreira solo. O início foi promissor, com sucessos como Suedehead e Everyday Is Like Sunday... mas ele logo percebeu que o tempo não parava, e seu país de origem já começava a considera-lo algo ultrapassado. Voltando sua atenção para os Estados Unidos, onde ainda mantinha sua moral intacta, Morrissey lançou 6 álbuns até 1997, emplacando um ou dois sucessos durante esse tempo, até se ver em baixa tanto com a crítica quanto com o público. Suas músicas pareciam não avançar no tempo, e suas críticas a políticos e celebridades pareciam apenas birra de um velho solitário em busca de um pouco de atenção. Foi então que ele acertadamente decidiu dar um tempo... 7 anos, para ser mais exato.

Em 2004, ele lançou o CD de inéditas You Are The Quarry, sucesso de crítica e público. Em 2006, lançou Ringleader Of The Tormentors, que também foi muito bem. De volta ao topo, Morrissey foi considerado pelo Britain’s Greatest Livin Icon como o segundo maior inglês vivo, perdendo apenas para o apresentador e naturalista Sir David Attenborough. Com sua moral de volta, lançou agora seu Greatest Hits, que inclui a inédita Thats How People Grow Up, cujo vídeo foi citado no início deste texto. Tanta moral lhe deu o direito de recusar 75 milhões de dólares para um revival dos Smiths, dizendo – com sua devida fineza britânica - que preferia comer os próprios testículos a se reunir novamente com seus antigos companheiros. Não havia mais dúvidas: o Rei estava de volta.

A voz de uma geração que influenciou músicos de Renato Russo e Rodrigo Amarante a Pete Doherty.
A lenda viva que não se importa em falar sempre o que realmente pensa.
Aquele garoto que dançava livre no palco mexendo desordenadamente os braços hoje é um senhor de respeito, mas que ainda sabe se soltar no palco, desfiando suas letras cínicas e polêmicas. Talvez de forma mais contida que antes, como se tivesse a consciência do ícone que é.
A figura reverenciada, endeusada.
O gênio absoluto que consegue como ninguém captar os sentimentos de uma juventude que, apesar de já ultrapassada, continua viva em sua voz e em sua poesia.

Tal qual um monarca, Morrissey é aquela figura inalcançável, intocável.
Menos para seus fiéis súditos.

E mesmo que por apenas alguns segundos...

12 comentários:

Alice disse...

acho que nao devia ter comentado no outro blog, certo?
Oo

matheuss disse...

morrisey é foda, simplesmente
que inveja daquele povo''

Giselle disse...

Morrissey e Smiths *_*
Tbm quero agarrar ele, comofas/

Mar e Ana disse...

Noooooooooooooooooooosssa q legal :}
Eu sabia dele, mas não sabia de cd novo =p
(bom, o q eu sei do q acontece com música vem tudo de vocês né? hehe)

Beyjës
e tou adorando o blog, maior orgulho dos meus amicos :D

Flávia disse...

"De volta ao topo, Morrissey foi considerado pelo Britain's Greatest Livin Icon como o segundo maior inglês vivo, perdendo apenas para o apresentador e naturalista Sir David Attenborough."

Certeza que copiou do Wikipedia.. "apresentador e naturalista Sir David Attenborough" ?!?!!? Dúvido que vc sabia disso hahaha

Beijo!
Tchau!

Renato disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renatinho... disse...

Morrisey é foda!!! Na época dos Smiths era melhor ainda mas ele é orgulhoso demais pra voltar, seria um grande favor a música =P


***To virando user assíduo do blog, eu não sei bosta nenhuma das bandas que eu gosto, eu vindo aqui ta me ajudando a saber mais do que eu mais gosto.. MÚSICA..

Beijaoo mana e abraço Branca [de neve?]

Renatinha disse...

Olha só, você fica preocupado em me mostrar as novidades da música... mas nunca me mostrou Smiths!


Explique-se!

Thiago Borges disse...

Admiro muito as bandas dos anos 80, principalmente as que fugiam do popular punk e seu derivado New Wave. Smiths, Cure, Joy Division, U2 e Echo & the Bunnymen faziam um som unico e que influencia novas bandas até hoje.

Parabens pro tio Morrissey e pra vc tbm por ter lembrado do coroa hehe

Tchelo disse...

Éééé, Smiths é foda. E o Morrissey é foda.

E toda vez que toca uma certa música dele, eu corro, qndo possível, para abraçar um certo amigo meu.

Branca... comigo!
IIIIIII'M SOOOOOO SORRY!!!!!!
OooOOOooOOO IIIII'M SO A-A-A-A-A-AAA

Beijo

Mary West disse...

Tia Morrissey, o primeiro emo e o melhor de todos. Amo ele e pouca coisa eu teria desenvolvido de minha confusa personalidade se naum fosse ele.

Froio disse...

Eu gosto de Morrissey.
sem mais.