terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Injustiça da "Década Passada"


Na passagem de 2009 para 2010, inúmeras revistas, blogs e sites resolveram simplesmente ignorar que a década acaba somente daqui 11 meses e meio e resolveram nomear a "banda mais importante da década".
Quase que unanimimente, o Strokes foi a banda mais lembrada, por ter retomado o rock de garagem em um cenário dominado por rappers e bandas pops e influenciado muita coisa boa que veio depois, tanto no estilo cuidadosamente despojado quanto musicalmente.
Mas o grande problema dessas eleições, assim como acontece com qualquer tipo de premiação, é que ela de certo modo impõe que uma banda merece mais crédito que a outra. Elegendo uma "melhor" ou "mais importante" banda, tudo isso acaba desmerecendo as outras.
E nessa dança, entre os inúmeros injustiçados, um nome importante demais foi esquecido:

O Arcade Fire.

Espécie de Belle & Sebastian menos "Simon & Garfunkel", o Arcade Fire é tão importante para a música indie quanto o Strokes.

Escutei a banda pela primeira vez no Tim Festival de 2005, no mesmo ano em que o carro-chefe do festival era a banda do Julian Casablancas.
E mesmo sem conhecer nenhuma das músicas tocadas, impossível eu não dizer que aquele foi o melhor show do festival!! Cada integrante da banda se apresentava no palco como se aquele fosse o show mais importante de suas vidas, ignorando o fato que a maior parte do público esperava a banda principal da noite.
E por mais que eu tenha adorado todo aquele show, me arrependo profundamente por não ter conhecido o Arcade Fire antes daquela noite.

Até aquele momento, a banda (formada pelo casal Win Butler e Régine Chassagne) só tinha lançado um álbum, o Funeral, nomeado assim por conta dos parentes que faleceram durante a gravação do disco.
E vale dizer que Funeral é perfeito do começo ao fim!
Cada intrumento tem motivo para estar lá, nenhuma nota é tocada a toa.
Com clara influência de David Bowie (que acabou se tornando ele próprio fã da banda), o álbum apresenta clássicos como a já bem conhecida "Rebellion (Lies)", a épica "Wake Up" e "In The Backseat", uma obra de arte caótica cantada com emoção e fragilidade pela Régine.
Tudo isso com uma maturidade inacreditável para uma banda iniciante.

Dois anos depois a banda lançou seu segundo álbum, o "não-tão-bom-quanto-o-primeiro-mais-igualmente-interessante" Neon Bible.
Ainda que tenha bons momentos, como "Black Wave/Bad Vibrations", a animada "(Antichrist Television Blues)" e a oitentista "Keep The Car Running", o álbum acaba se mostrando cansativo em alguns momentos, em vários momentos por conta do vocal de Win Butler, e não consegue atingir a genialidade de Funeral... o que não significa que é um CD ruim ou descartável, longe disso!

O terceiro álbum da banda está programado para a metade de 2010.
Quem sabe ele sim consiga consolidar o Arcade Fire como uma das maiores bandas da atualidade, não apenas para a crítica e para público indie, mas para um público muito maior.

Eles criaram um dos melhores álbuns dos últimos anos e que definiu toda uma geração indie.
Vai saber o que a nova década reserva para o Arcade Fire...


E se não for pedir muito, seria legal um novo show por aqui! =D

3 comentários:

Renatinha disse...

Eu já tinha ouvido muito sobre eles.
Já tinha até ouvido música deles, sem saber que era deles.
Você já tinha me dito pra ouvir milhões de vezes.
Mas precisou vocÊ finalmente colocar o cd no seu carro pra eu conhecer... e AMEI!!!!

Eles tem uma coisa meio orquestra, adoro.

matheus disse...

sempre to lendo, mas muito tempo que eu não entrava aqui, e vim só pra comentar que não acho o neon bible cansativo .__. gosto bastante dos dois cds e do ep que eles lançaram com o david bowie (L)__(L). e realmente as pessoas são muito injustas com as bandas boas, levando em consideração as que mais apareceram na mídia e não as que musicalmente fazem bastante diferença, mas não aparecem tanto.

bjs :**

Mirele disse...

Conheco mais o Neon Bible que o Funeral e adoro! No cars go e My body is a cage sao classicas pra mim.

Agora eh soh esperar esse terceiro album, ia sair lah pra marco, mas acho que agora soh no segundo semestre... :(