
Primeiro, esqueça o que você sabia sobre o Two Cold Fingers.
Hoje nós oficialmente inauguramos nossos posts "off-topic", para que possamos falar de cinema, quadrinhos, livros, sais de banho, ações da bolsa de valores e qualquer outra coisa que não precise necessariamente ter NADA a ver com música!!!
Esse já era nosso intuito desde o começo, então nada melhor que aproveitar todas as mudanças por aqui pra finalmente fazer valer isso.
Espero que vocês gostem do novo Two Cold Fingers...
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Agora, esqueçam tudo o que vocês sabiam sobre Sherlock Holmes.
Esqueçam o sujeito alto, magrelo, fumando um cachimbo curvo, usando apenas seu cérebro para resolver qualquer mistério e ao lado do seu sidekick (ou capacho) Watson, um gordinho ignorante.
Nada está mais longe das histórias de Sir Arthur Conan Doyle do que essa imagem, cultivada pelas versões teatrais e cinematográficas do personagem.
O verdadeiro Sherlock Holmes é um sujeito detestável, anti-social, arrogantemente ciente de sua própria inteligência, ignorante de qualquer tipo de arte (a menos que lhe seja útil em suas investigações), com alto domínio de boxe e outros tipos de luta e usuário esporádico de drogas como cocaína.
O próprio Dr Watson está muito além de um sidekick coadjuvante qualquer. Longe da imagem estúpida forjada nos filmes, o personagem tem um relacionamento muito mais complexo com Sherlock Holmes, alternando a amizade com o ódio e mostrando uma interdependência mútua, uma necessidade de um estar ao lado do outro.
E é nesse relacionamento que mora o maior trunfo do filme
Sherlock Holmes, nova empreitada do detetive no mundo do cinema (e, a se dizer do final e da bilheteria até agora, o primeiro capítulo de uma nova franquia) baseada em uma história em quadrinhos (ainda não-publicada) e que mostra um personagem muito mais próximo dos contos e romances originais.
A própria frase
"elementar, meu caro Watson", prova maior da superioridade de Holmes sobre Watson e que nunca sequer foi escrita nos livros, é completamente ignorada no filme. Como o diretor Guy Ritchie mesmo disse, este é um filme sobre a amizade, lembrando a cada cena que Sherlock Holmes precisa do seu Watson para se manter são.
As cenas de ação, marca registrada de Ritchie, são um caso à parte. As cenas de luta, onde Holmes prevê cada movimento como em um jogo de xadrez, definem um herói que enxerga a lógica em cada detalhe que vê.
Além disso, preste atenção na detalhada cena da explosão em câmera lenta (quando acontecer você vai saber). Ela por si só mostra a maestria com a qual Guy Ritchie transforma a violência em arte, coisa que já mostrava em seus filmes anteriores, como
Snatch - Porcos e Diamantes.
Mas se querem saber, a real arte do filme está nas atuações inspiradas da dupla de protagonistas, Robert Downey Jr e Jude Law.
O carisma exato para os personagens junto da química perfeita entre os dois...
Não tinha como dar errado.
Com certeza a maior parte do público vai estranhar esse "novo" Sherlock Holmes, e com razão.
Mesmo os que leram os romances, provavelmente já leram com uma imagem pré-concebida dos personagens, criando um choque ao ver esse "herói de ação" nas telas do cinema.
Mas é fato que essa versão do personagem é provavelmente a mais fiel já apresentada nas telas grandes, e a melhor escolha para apresentar o detetive para as novas gerações.
Longa vida a Sherlock Holmes.
PS: divertido também vai ser ver os fãs da série House finalmente entendendo daonde veio a inspiração para o personagem título da série... e até para o Dr Wilson. Ahhhh, agora tudo faz sentido, não é!? =P