quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Ignorância da Cabeça Fechada

"Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém..."


Certeza que boa parte do pessoal que acessa o Two Cold Fingers desistiu de ler esse post só de ver a foto acima.
"Ah, não... mais um post sobre velharias que eu não tenho a mínima vontade de ouvir!?"
Mas eu posso falar em alto e bom som, sem a mínima vergonha:

EU SOU FÃ DO BELCHIOR!!!

É engraçado pensar que o mesmo cara que escreveu hinos como A Palo Seco e Como Nossos Pais, hoje é visto muitas vezes como motivo de piada, seja pelo seu bigode cultivado por mais de 30 anos, seja pelo seu jeito incomum de cantar.
É difícil nossa geração gostar de Belchior. Eu mesmo confesso que minha primeira impressão ao ouvir uma música dele foi "meu Deus, esse cara se leva a sério cantando??". Hoje em dia, o seu jeito de cantar já não é mais um defeito para mim, e sim um charme a mais das suas músicas. É simplesmente impossível imaginar Apenas um Rapaz Latino-Americano na voz de qualquer outra pessoa (e olha que não são poucos os que interpretam sua músicas, que vão desde Elis Regina até Roberto Carlos, de Jair Rodrigues até Los Hermanos).

Mais que músicas fantásticas, Belchior insere seu tempo em suas composições.
James Dean, Jonh Lennon, censura, sua infância, Alain Delon, Bob Dylan, Deus e o Diabo, Dante, Jorge Ben Jor, Coca Cola, sua própria aparência, seu jeito de cantar e de compor, seus fãs, sexo, drogas... tudo era agarrado e colocado habilmente em suas letras.

Quem prefere não dar uma chance ao senhor bigodudo por o achar ultrapassado são os mesmo que nunca entenderão suas ironias, seu sarcasmo, suas histórias, sua melancolia, sua tristeza muitas vezes bem-humorada...
Suas músicas não são de fácil assimilação, e essa é a graça de tudo.
Belchior, ao invés de receber o mesmo respeito dos grandes medalhões da MPB, muitas vezes é relegado a segundo plano pelas novas gerações.
Suas músicas escreveram a história do mundo e da música brasileira como poucas outras composições fizeram, influenciando nomes velhos e novos.
Um artista que merecia ser descoberto e redescoberto.

Já disse isso por aqui mais de uma vez e repetirei, quantas vezes eu precisar...
O preconceito musical leva apenas à ignorância musical!

E, desse jeito, muita coisa boa permanece desconhecida àqueles que têm cabeça fechada.

5 comentários:

Bonie disse...

Deus.

Deus, Deus, Deus.

Tá, Brancatelli. Prometo que, em nome da nossa longa amizade e de todas as caronas que você já me deu, vou continuar falando com você mesmo depois de ler isso aqui.

:)

Mar e Ana disse...

Aai Bonie chatica. MPB é bom e apesar de não conhecer o Belchior cantando as músicas dele, as conheço na voz da Elis... e são fodas, os dois.

Na verdade, qualquer tipo de preconceito é ignorância... (e isso pode dar posts sobre cores das pessoas, religiões, artes, músicas, literaturas...)

Renatinha disse...

Cara, depois de ouvir mais músicas dele ontem cheguei a uma conclusão: Quem não gosta de Belchior é quem tem preconceito com MPB...
Sinceramente, algumas pessoas que torcem o nariz não devem nem ter ouvido nada dele... Elas devem olhar e pensar "Credo, olha a cara dele... deve ser tosco".
Se as pessoas parassem e prestassem atenção nas músicas dele veriam que é bacana!
É pura ignorânca ou rebeldia de "não vou ouvir nada do que meus pais escutavam".

Douglas Funny disse...

Acho q nunca parei pra ouvir um cd do Bel (pros íntimos)...

mas quanto ao preconceito... eu ouço Beto Barbosa sim e daí?!

Mary West disse...

Okay. Agoura é fato: TU VAI CASAR É COMIGO. Desabafei.

Amooooooooo Belchior. Amo. Quando ele vem aki no MA, de 10 em 10 anos eu achu, faço questão de ir aos shows e ficar mesmo no gargarejooo gritando "Estava mais angustiado que goleiro na hora do gol..."


Me empolguei.