terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Feito Pra Acabar


No ano passado meu irmão mandou eu escutar uma música, que segundo ele era fantástica.
A música, gravada do programa Ronca Ronca, da Oi FM, se chamava "Dia a Dia, Lado a Lado", de um tal Marcelo Jeneci e da revelação musical Tulipa Ruiz. No site que meu irmão mandou, aquilo foi descrito como "histórico" para a rádio nacional, um momento único para a música brasileira.
Com toda a expectativa criada, escutei a tal música. Uma, duas, três vezes. Quatro. Cinco. Seis, sete, oito. Nove, dez vezes..

Foi quando me peguei viciado, sem conseguir parar aquele looping musical.

Verdade seja dita, é uma música simples, com uma letra sem grandes atrativos, uma melodia gostosa mas muitas vezes repetitiva.

E nada disso era o bastante para estragar aquele momento.
Histórico, único, seja o que for, aquilo era perfeito demais pra ser descrito.

Você pode escuta-la clicando AQUI pra entender melhor o que eu quero dizer..

Foi com esse momento na minha cabeça que eu escutei, no começo da semana, o Feito Pra Acabar, estréia do Jeneci em um álbum solo, depois de servir como multinstrumentista de apoio do Chico César e trabalhar em parcerias com gente como Vanessa da Mata e Arnaldo Antunes, lançado no final do ano passado.
Tudo para constatar que eu estava ouvindo em 2011 o provável grande lançamento nacional de 2010!

Feito Pra Acabar é uma delícia.

Com uma inocência e beleza raras, é daqueles discos que conquistam na primeira audição.
Tem falhas, claro, mas os acertos são tantos que compensam individualmente cada erro.
As letras mais ingênuas ganham impacto na interpretação de Jeneci e principalmente da cantora Laura Lavieri, grande descoberta do compositor que marca presença em quase todas as faixas. As melodias mais simples e repetitivas ganham a produção perfeita e criativa do músico Alexandre Kassin, que usa aqui tudo o que aprendeu em projetos como o +2, a Orquestra Imperial e o Los Hermanos. Isso sem contar os arranjos, que com uma cara falsamente simples fazem de cada música um momento especial.

As letras simples são o grande trunfo, que direcionam para as melodias muito bem elaboradas.
O que parece é que o método de composição foi o mais intuitivo possível, como na primeira faixa, "Felicidade", e nas deliciosas "Pra Sonhar" e "Por Que Nós?", por exemplo. "Quarto de Dormir" tem um início tão lindo que chega até a doer, para então ver o cantor personificando uma espécie de Roberto Carlos. Ecos da Jovem Guarda aparecem também no hino "Show de Estrelas" e na simplesmente genial "Dar-te-ei", que me deixou com um sorriso bobo no rosto por um bom tempo. O músico também evoca um momento meio Mutantes em "Pense Duas Vezes Antes de Esquecer", com a letra mais doída do CD. Sem contar a forte faixa que da o nome e fecha o álbum, "Feito pra Acabar", e a divertidíssima "Copo d'Água", que você já canta junto logo no segundo refrão.

O que surpreende nessa estréia (quer dizer, uma das coisas) é a corrente artística que Marcelo Jeneci formou nesses anos de carreira. As composições, quase todas parcerias, são assinadas por gente como Chico César, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik e Arnaldo Antunes. A banda conta com nomes como Edgard Scandurra, Curumin, Bruno Buarque e o próprio Kassin.
Apenas uma constatação da aposta que se tornou Marcelo Jeneci, que acaba se concretizando com este álbum.


Poucos álbuns conseguem cobrir sem esforço uma expectativa tão alta.
Marcelo Jeneci parece ter descoberto a fórmula do sucesso, com melodias muito bem pensadas embalando letras simples, sinceras e, muitas vezes, até inocentes.
Música de qualidade capaz de atingir tanto a crítica especializada quanto o público mais popular, base de toda sua influência musical.

Com Feito pra Acabar, Jeneci fez a coisa mais difícil de se fazer quando se trata de apostas tão altas.

Concretiza-las.

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Look at your life, look at your choices...

Terça mais uma primavera da minha vida será deixada para trás e eu chegarei naquela idade em que os meninos costumam ser zombados.

Farei 24 anos.

Como em todo aniversário, entro num fase pré-aniversário chamada "Look at your life, look at your choices". Não é bem uma crise, é só uma reavaliação do que fiz até aqui, do que deu certo e errado, de como eu quero ser no futuro.

Eu, de verdade, não sei exatamente quem sou e que lugar que ocupo no universo.
Eu sou aquela filha que não dá muito trabalho, mas também não faz muito confete para questões familiares... não é o comportamento comum de uma caçula, eu sei, mas acabei saindo assim.

Sou aquela irmã que vai estar aqui quando precisarem, mas que raramente vai em busca de ajuda fraternal.

Sou aquela amiga que tenta se desdobrar por todos os amigos e de vez em quando fica meio frescolina e distribuí 'eu te amo' para quem gosta, mas que os amigos não sabem como ela é carente deles. E que sem eles, a vida dela não faria muito sentido.

Mas... eu mesma, Renata por Renata, ainda não sei quem sou. Sei que queria ser melhor do que sou, porque tenho a eterna sensação de não ser o suficiente... Para mim e para o mundo.
Eu sei menos do que queria saber, tenho menos talento do que queria ter, sou menos bonita do que queria ser, me esforço menos do que queria me esforçar...
Todo ano essa é a única conclusão que sempre chego.

Acho que no fim das contas isso é bom, pior seria me acomodar e dizer "ai kralio, ahazei to ótima" e parar de me esforçar para ser alguém melhor.

Não sei, não sei nem o que estou falando direito.
Sei que os 24 anos chegaram, não fiz metade do que queria ter feito, mas fui bem além do que poderia ter sido.

Espero que quando chegue aos 25, eu esteja igualmente insatisfeita e ainda queira mais, só que tenha mais vitórias no bolso para serem superadas.

Anyway, amanhã é o grande dia e toda essa auto-análise vai ficar para trás. Essa Renata filosófica vê vocês em 365 dias. ;)

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

É Confete Demais?


Saiu ontem o single novo do Strokes.
E independente de ser bom ou ruim, o que eu mais vi foi gente perguntando por que tanto confete pruma simples música.
Vou tentar explicar por aqui, com uma frase simples e direta:

O Strokes foi a coisa mais importante surgida no cenário musical desde o Nirvana.

Isso não é questão de gosto musical.
A música seria muito diferente hoje se não fosse aquele primeiro (e fantástico) disco da banda, o Is This It, de exatos 10 anos atrás. Foi ele que deu o pontapé inicial para que o indie se tornasse o que o rock psicodélico e o punk foram nos anos 70, ou o que o heavy metal e o hard rock foram nos anos 80, ou o que o grunge foi por boa parte dos anos 90.
Nascido como "a salvação do rock" sem ter a pretensão de salvar coisa nenhuma, o Strokes levou para o chamado mainstream o som de garagem, sujo, com cara de mal-produzido, que acabou influenciando meio mundo que veio depois deles e fez do chamado indie o som mais ouvido por qualquer jovem roqueiro. Mais que isso, ditou toda uma moda adotada por seus seguidores.
Cabelo, roupa, música, atitude, o Strokes personificou e globalizou tudo isso.

É por isso que, 5 anos depois do seu último álbum lançado, o novo álbum - Angles - é tão esperado.
Como nenhuma outra banda dos últimos 10 anos, o Strokes é reverenciado por toda uma geração, a banda que deu o pontapé inicial para tudo aquilo que veio depois.
E com toda razão.

E quanto ao single..

Ao que tudo indica, a espera valeu a pena.
Under Cover of Darkness é tudo aquilo que os fãs esperavam. Rápida, direta, crua em toda sua aparência, gritada, dançante, com uma letra pessoal, guitarras frenéticas, bateria empolgante e um baixo que dita todo o ritmo.
Uma sonoridade que mistura os 3 álbuns anteriores e até o álbum solo do Julian Casablancas. Um amálgama de Last Nite com I Can't Win e a maturidade do último CD.
É tudo igual e tudo diferente.
E é tudo muito bom!

O Strokes volta com a antiga aura de "a salvação do rock", mas com uma responsabilidade muito, muito maior.
Dar aos fãs um trabalho que faça jus ao nome da banda e aos anos de espera.

Se depender deste primeiro passo, eles estão no caminho certo.

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ouvir ou não ouvir, eis a questão?




Eu passei os últimos tempos tentando não pensar no assunto e nem criar expectativa. Olha, se tem coisas que são difíceis para mim é não pensar em algo e não criar expectativas.

Do que estou falando? Estou falando da tão aguardada/temida/demorada volta do The Strokes.

Depois de toda uma sensação de remake do 'Chinese Democracy', onde muito se falava sobre uma volta, mas nada de fato acontecia, eles finalmente entraram em estúdio.
Daí parece que gravaram, estavam produzindo, foram ouvir e pensaram "Affeeee, que isso?" e resolveram fazer tudo de novo.
Depois toda uma sensação e até comentários da banda de que o clima entre eles não era o mais amigável... Toda essa coisa foi criando um bolo no meu estômago e um medo do que poderia sair.

Possíveis capas, nomes e datas saíram e eu tentei não pensar sobre o assunto. Mas agora tinha um sample da música escolhida como single.

...
E agora?
Escuto ou não escuto?

Entenda, não era uma fã desnaturada e sim uma fã assustada. O Strokes foi a banda que fez um twist no meu gosto musical, que me abriu para novos estilos de música e que embalou noites e noites de reflexão sobre a vida com suas letras. Eles conseguiram ter 3 albuns ótimos, um diferente do outro, mas ÓTIMOS! Cada um tem uma estilo, mas o mais importante é que, você consegue ver Strokes em cada um deles...
Meu medo era que acontecesse, como com o Arctic Monkeys... não me leve a mal, o Humbug é ótimo, mas eu não escuto Arctic Monkeys, eu escuto uma banda diferente... e isso me fez perder um pouco da paixão. Mas isso não pode acontecer com Strokes! Não com eles... Eles são importantes demais para mim!

Bom, engoli o medo e escutei. São só 30 segundos. 30 segundos do primeiro single que se chamará "Under Cover of Darkness".
Ok... respira... aperta o play...


...

Todo o medo me abandonou e se transformou em alegria.
São 30 segundos inexplicavelmente ótimos!

Isso me acalma, mas por outro lado... me faz começar a criar expectativas.
A verdade é que teremos que esperar até março para descobrir se meu mundo entra em colapso ou se eu posso voltar a ser feliz tendo mais Strokes na vida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Terça-Feira dos Vampiros


O público lotou, ainda que lenta e timidamente, o Via Funchal nessa terça-feira.
Desfilando seus modelitos milimetricamente hipsters, com as músicas na ponta da língua e energia de sobra para dançar a noite toda.
A bem-vinda ausência da área VIP permitiu que os fãs se aglomerassem à frente do palco, ansiosos para assistir uma das bandas mais celebradas do chamado "cenário indie", e os mais animados já pulavam ao som que o esquizofrênico DJ tocava, de "Alagados" do Paralamas a "Nosso Sonho" do Claudinho e Buchecha.

Ainda assim, mesmo com o clima de jogo ganho, o Vampire Weekend ainda tinha um desafio nada fácil pela frente, o mesmo que deve encontrar a cada apresentação que faz:
Mostrar, ao vivo, cada textura, cada mistura e cada camada das suas músicas gravadas em estúdio. Violinos, percussão, piano, corais, tudo ao mesmo tempo, coisa demais para apenas quatro garotos.


E afinal, Brancatrolha, eles conseguiram?

Hmm, em parte.


Pela primeira vez em terras paulistanas após um show no festival MECA, em Porto Alegre (e sobre o qual você pode ler clicando AQUI), a banda abriu o show com a energética Holiday, já convidando todo o público pular. E foi o que o público fez.
O que se viu depois, na falta de um termo melhor, foi uma grande micareta!
Como se ainda precisasse conquistar o público, o Vampire Weekend interagiu com o público o show inteiro, comandando o "backing vocal" da platéia em hits como Cape Cod Kwassa, M79, Cousins, A-Punk e Oxford Comma.
Isso sem contar Giving Up the Gun, provavelmente a melhor música ao vivo da noite.
Pelas minhas contas, a banda só não tocou Taxi Cab e The Kids Don't Stand A Chance, mas que podiam muito bem ter sido encaixadas, já que o show durou cerca de 1h10, que ainda passaram voando.


Ah, mas então o show foi foda, né?!

Bom, sim e não.


Ok, foi um bom show sim. A banda é ótima, as músicas são ótimas.
Mas ouvir as músicas ao vivo, sem toda a produção que as músicas tiveram no álbum.. acaba ficando uma sensação de que faltou algo.
Várias músicas são tocadas em cima de bases prontas, por conta da percussão complexa. Instrumentos são dublados pelo sintetizador do teclado, músicas ficam mais lentas do que deveriam ser. E em meio a tanto som artificial, alguns instrumentos acabavam ofuscados durante certos momentos. A bateria perdia o poder, o teclado perdia o tempo. Casos raros, mas que aconteceram.

Na minha humilde opinião, o Vampire Weekend é uma das melhores coisas surgidas no cenário musical nos últimos anos. A mistura entre afropop, Peter Gabriel, rock, ska, Paul Simon, reggaeton, batidas tribais e punk (e mais um monte de coisa) é um ponto de originalidade em meio a tanta mesmice, um tipo de música corajosa e criativa que, por sua qualidade, conseguiu sair de Nova York (antro da mistura e diversificação) e alcançar o mundo.
Mas esse show, por mais divertido que tenha sido, me provou que eles são uma banda de estúdio perfeita, quando eles podem inventar e misturar o que eles quiserem.. só que no palco a situação acaba sendo bem diferente.

O show do Vampire Weekend é exclusivamente para os fãs.
A banda só conseguirá atingir a maturidade quando as qualidades criadas em estúdio não se tornarem as falhas em cima do palco.

Ainda assim, difícil achar um só fã que não saiu do Via Funchal com um sorriso nos lábios.

Inclusive eu.

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MECA Festival


Juro que esse texto começou a ser escrito no iPod porque eu não queria deixar vocês na mão nessa belíssima segunda-feira, mas o convite para deitar na grama e tomar Clericot durante meu domingo em PoA foi irrecusável.

Toda minha aventura rumo ao festival MECA e a um fim-de-semana com as manolas de PoA começou na segunda à noite, quando rumei na minha primeira viagem de avião sozinha.
Tudo funcionou normalmente e embarquei. Dentro do avião, dispensei a Heineken em lata (iécat, a em lata de SP é muito ruim) e foquei na Coca e nos pedaços de queijo do famoso "happy hour" da Tam.
Estava eu pimpona comendo queijo e lendo um livro quando... turbulêêêência!
Claaaaaaaro que eu ía pergar a pior turbulência da minha vida aérea quando estava sozinha... Foi pior que nos Andes, de verdade.
E saímos de uma área trubulenta para outra.

Mas, entre mortos e feridos, tudo ok.
Cheguei lá, fiquei 10 minutos esperando minha mala na esteira errada... idiota. E ao sair, minha queria anfitriã, Heide, já estava à minha espera... Achei um absurdo não ter glitter na minha recepção, mas achei de bom tom ela já ter ido bêbada.

Pegamos os maravilhosos ônibus com ar condicionado de Porto Alegre (oi, São Paulo... e lá nem 3 reais é viu?) até o hostel para deixar minhas coisas.
Procuramos a dona Tatiane para badalar com a gente, mas acabamos indo para a tal da Cidade Baixa, sozinhas e numa vibe freestyle.
O taxista que nos levou, além de bofinho, não tinha amor à vida (nem à dele e nem à nossa).
Começamos a noite flopando, entramos num lugar chamado "Divina Comédia" e que tocaria uma banda cujo o repertório eram trilhas de filme. Legal né?
Não.
Lá dentro era escuro e flopado. A bebida era cara e não tinhamos quase nenhuma opção. Tomamos uma tequila e fomos embora, mas não sem antes deixar 24 reais lá. É. FLOP!

Decidimos sair bebendo cerveja onde desse vontade e caminhando sem lenço e sem documento, fomos de um pub onde só tinha o dono e umas senhoras (as pessoas mais simpáticas da noite, fato) e acabamos na frente de um lugar fechado onde, mesmo com ele FECHADO, as pessoas se reunem na frente. Teria sido um bom gran finale, se não tivesse um grupo de pessoas tocando Natirut e um bêbado atacando um ônibus.
Entre mortos e feridos (de novo), voltamos para o hostel.

Na manhã seguinte acordei (sem ressaca. um beijo, naproxeno) suando bicas e me joguei em um banho gelado.
Aguardei a Heide voltar do trabalho e fomos almoçar.
Almoçar em Porto Alegre, é muita qualidade de vida... de verdade. A comida lá é muito boa e não é cara. Fomos ao encontro da Tati e foi aí que começou nossa aventura musical.

Encontramos a Tati na frente do shopping que fica ao lado do Hotel Sheraton. Estavamos lá passando calor e esperando o tio dela ir nos buscar quando de repente saem 4 caras trajando roupas um tanto quanto... incomuns.
BOOM!
Era o Vampire Weekend ali do nosso lado.

"E aí, Renata? Foto kd?"
Não tem. Chuin.
Ficamos tão pasmas de ver o Vampire a menos de 5 metros da gente e usando shortinhos sexys, que nem nos movemos.

Passeamos um pouco depois do choque e encontramos o tio da Tati.
Rumei ao incrível litoral riograndense (existe isso, Brasil?).

Nossa hospedagem era em uma cidade perto de Xangri-lá (local do MECA), em Mariluz, na casa de uma tia da Tati (tá dando para considerar essas viagem praticamente patrocinada pela família dela).
Foi um pouco difícil achar o local do show, mas foi só começarmos a seguir a trilha de hipster e foi batata.

Posso chocar a sociedade dizendo que o estacionamento do festival era 10 reais?
Era DEZ reais.
Pronto.

Chegamos e estava no palco o famoso Copacabana Club, que eu só conhecia de críticas da Chris e elogios do Vitinho. Bom, sei que assisti mais da metade do show deles, mas tive impressão de que estavam tocando uma música só em looping. Só que estava me divertindo com eles, eram os bichinhos de matar com pedra.

Aliás, não usar uma faixa na cabeça fez com que eu me sentisse MUITO por fora.

Fomos nos aproximando do palco para eu ver meus queridos Two Doors Cinema Club e olha, a lenda que dizia que o público de lá é mais educado (e que foi um fiasco no show do Ok Go ano passado) finalmente se fez verdadeira no MECA. Só as pessoas que estavam muito loucas de balas esbarravam em você sem pedir desculpa e não davam licensa quando você pedia.

E então, eles subiram no palco e em 5 segundos já me colocaram para dançar. Eu amo a banda e as músicas, então qualquer show mais ou menos ía me deixar feliz, mas eles não queriam fazer um show meia boca. Queriam trazer toda a energia da Irlanda para aquele público não muito grande, mas que tinha na ponta da língua cada letra de música.
Alex, o vocalista, entrou fumando e jogando sua franja ruiva (oi, já pode casar). Durante o show tomou algumas taças de vinho e sorria sinceramente quando via o público cantar sem a ajuda deles as suas letras.
Toda a banda estava animada, todos agradeciam repetidamente ao fim de casa música.
Músicas de um próximo cd e b-sides foram tocadas e não fizeram o público desanimar. E enquanto eu dançava e cantava as músicas como se estivesse no meu quarto sozinha e agradecia aos céus e a eles por aquele show absurdamente bom, eles tiraram o pensamento da minha cabeça e agradeceram ao público por ter feito o primeiro show deles no Brasil tão incrível.

Eles saíram do palco ao fim da música que é meu toque de celular, I can't talk, e levaram meu coração junto com eles.

Mas eu tinha que guardar um pouco de energia para o Vampire Weekend.

Demos uma volta, vimos os hipsters cafona, vimos os hipsters moneros, bebemos, etc.

BANG!
Vampire Weekend!
Ok, o show foi ótimo.
Não tenho como negar, mas eu esperava mais.
Eu não sei se o show sozinho teria parecido mais animado, mas achei um pouco morno pelo tipo de música que eles fazem. Mas vamos combinar de só o vocalista ter tirado o shorts e colocado uma calça jeans, metade da alegria se foi.
As músicas são ótimas, eles são ótimos, simpáticos, fofos, também estavam muito felizes com o show, mas faltou a energia que o TDCC me fez sentir.
O baterista é a grande estrela da banda, de verdade. A bateria carrega as músicas de animação e o sorriso dele te deixa feliz, aliás o sorriso de todos alí.
Não sei para outras pessoas, mas sentir que a banda está gostanto tanto daquela experiência quanto você, é único para mim, é fundamental.

Foram shows impecáveis, um ganhou meu coração mais do que outro, mas não tenho nenhuma reclamação para nenhum deles.

Depois deles, veio o tal do The Twelves. Uns djs hypados aí... a primeira música foi legal, um remix bacana de Listomania... mas aí o remix seguinte era igual... e o outro igual... e o outro igual... Só mudava a música, mas a porcaria do efeito era a mesma coisa... E a cerveja acabou. Oi? Seu evento é patrocinado pela Heineken. Como pode a cerveja acabar, Brasil?
Acabou. Mas os organizadores foram "lawyered" (vai ver How I Met Your Mother para entender, ou não né? Se você for espertinho...) pelo tio da Tati e acabamos não ficando sem cerveja.

Fomos embora munidas de cadarços novos de Converse, outra patrocinadora do evento, e com fome.
Paramos no incrivelmente gorduroso Bruxa's Burger e nos jogamos no Cheesebacon.
Dica: Quando você ler que fritas acompanham o lanche lá, é DENTRO do lanche que ela está ok?

Acho que a parte que mais interessa os fiéis leitores do TCF (oi, Branca... oi, mãe... ah, é... minha mãe não entra aqui não) fica por aqui.

Festival épico, mesmo com o fim da cerveja.
Pagar 70 reais para ver essas duas bandas foi a melhor coisa que já fiz na vida.
Essa semana o lindo post da Renatinha (eu) será na terça.
Porque vim direto da bela PoA para o trabalho! ;)