
Por Denis Araujo
Energia. Essa é a palavra que define a apresentação da banda norte-americana The Killers neste último sábado, na Chácara do Jockey em São Paulo. Nem mesmo a chuva forte e toda aquela quantidade de lama formada nos impediram de assistir a um verdadeiro espetáculo musical e visual. Aliás, a chuva tornou-se parte dessa noite especial, fazendo parte da grande quantidade de efeitos especiais da banda.
Os portões se abriram às 15hs e duas horas depois estávamos lá. Às 19h30 tiraram a lona de cima dos instrumentos e da letra K, situada no centro do palco. O show estava marcado para as 20hs e o horário foi obedecido. A banda entrou em cena poucos minutos depois, logo após uma contagem regressiva, com a música Human, que comanda o show da turnê do álbum Day and Age. Com uma introdução inconfundível, Brandon Flowers entrou em cena, acompanhado por toda aquela multidão que, mesmo com o pé na lama (literalmente), cantou e gritou sem parar. “Oi! Nós somos The Killers e essa noite somos de vocês!”, disse o vocalista nesta abertura triunfal. Confesso que foi ali que percebi quão incrível era estar naquele show.
Preocupei-me com qual seria o set list do show, visto que nos demais países da América do Sul que tocaram faltava algumas músicas que queria ouvir. Mas a preocupação logo passou conforme foram colocando em cena os melhores sucessos da banda. Depois de Human e This Is Your Life, a platéia explodiu quando tocaram Somebody Told Me. (Aliás, fica aqui minha crítica para as pessoas que foram ao show e cantaram apenas esta canção e Mr. Brightside, que veio na parte final da noite.)
O show mesclou os ritmos, fez o público dançar, pular, se concentrar e se emocionar. The Killers consegue um feito que somente os bons artistas conseguem: o som produzido ao vivo é tão bom quanto ao gravado em estúdio, e consegue, muitas vezes, ser melhor. Um exemplo disso foi na música For Reasons Unknown, que apresentou uma versão um pouco diferente da original e ficou ótima. Quem esteve por lá, ouviu Bones e The World We Live In com grande qualidade. E todos dançaram ao som contagiante e animado de Joy Ride. Nem mesmo o pequeno deslize do vocalista enquanto tocava Human no piano tirou o brilho do show. Pelo contrário. Na apresentação da música Bling, Brandon Flowers mostrou o porquê é considerado um dos melhores vocalistas da atualidade, com suas coreografias e sua presença de palco incontestável.
Eis que o palco escurece e se mistura com a noite chuvosa. Ao fundo, luzes verdes piscavam. O baterista chamou o público para bater palmas quando a música Shadowplay se iniciou (uma versão - que até me arrisco a dizer - melhor que a canção original do Joy Division). E foi nesse clima musical que o piano começou a soar com leveza, com o solo de Smile Like You Mean It logo em seguida. Pra mim, foi o momento mais emocionante do show, sem sombra de dúvida.
E depois de tocar Spaceman e Dustland Fairytale (com efeitos especiais fantásticos), The Killers nos brindaram com o clássico Can’t Help Falling In Love, de Elvis Presley, tocado a meia luz. Foi a introdução mais inusitada para Read My Mind, que veio a seguir.
Mal o público parou de cantar, Mr. Brightside surgiu e todos foram ao delírio. E quando All These Things That I’ve Done começou, as palmas ditaram todo o compasso da platéia, que continuou cantando “I got soul but I’m not a soldier!” mesmo após o término da canção. A banda saiu de cena para a popular “despedida falsa” e após o breve descanso, The Killers encerrou a noite com Jenny Was a Friend of Mine e When You Were Young.
Com aproximadamente uma hora e meia de show, a banda agradeceu a presença de todos e foi embora junto com as luzes. O resultado do espetáculo foi um par de meias jogado fora, um tênis cheio de lama e um jeans completamente sujo. Em casa, mal tinha terminado de lavar minhas roupas, percebi que me sentia de alma lavada, depois de toda aquela chuva que tomei, e após ter presenciado um show tão fantástico, do tamanho da banda The Killers. Que voltem mais vezes, porque ‘meu corazón ainda tá batendo!’ – em resposta à pergunta do vocalista no meio do show.
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Denis Araujo
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