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terça-feira, 3 de maio de 2011

Jeneci no Ibirapuera


Por Brancatelli

Confesso que eu estava com medo do show do Marcelo Jeneci.

Não por duvidar do talento musical dele, nisso ele já tinha se provado com o seu CD, Feito pra Acabar (sobre o qual você pode ler clicando AQUI!)
Mas à medida que o público ia chegando ao show, martelava na minha cabeça que o músico talvez ainda não estivesse preparado para comandar todo aquele monte de gente que lotava as cadeiras do Auditório do Ibirapuera.
Afinal de contas, após fazer papel de músico de apoio por tanto tempo, o "papel principal" ainda era algo novo para o Jeneci, assim como para a cantora Laura Lavieri, que o acompanha em quase todas as músicas do disco.
Será que eles teriam tato para cativar o exigente público paulistano?

O medo durou bem pouco.
Multi-instrumentista nato, alternando guitarra, piano e sanfona, Marcelo Jeneci mostrou que de iniciante ele não tem nada.

Saído de Guaianases direto para a banda de Chico César em 2000, portando uma sanfona dada de presente pelo mestre Dominguinhos, a qual aprendeu a tocar sozinho, Jeneci moldou seu nome compondo com gente como Vanessa da Mata (que inclusive participou de duas músicas do show no Auditório) e Arnaldo Antunes, tendo suas canções em destaque nas novelas da Globo, acumulando respeito e admiração dentro do novo cenário da MPB e se firmando como grande revelação da música nacional.

Tudo isso deu a Jeneci a experiência necessária para tocar com segurança todo seu álbum de estréia, além de composições novas, parcerias que não estão no CD e até uma cover do Roberto Carlos ("Do Outro Lado da Cidade", que ficou ainda melhor que a original do Rei).
Não contente em tocar com perfeição cada uma das músicas que a platéia queria ouvir, o músico ainda se divertia fazendo isso, soltando piadas entre uma música e outra, conversando com a platéia e visivelmente orgulhoso e emocionado em ver o reconhecimento dentro da sua própria cidade.
Sem esquecer a fantástica banda de apoio reunida no palco, que por si só já merecia um post extra por aqui..


Marcelo Jeneci tem o talento se conseguir se comunicar com diversos tipos de público, do mais popular ao mais, digamos assim, "intelectual".
Suas músicas não são simples trabalhos, é fácil encontrar a emoção do artista nelas.. e isso fica claro quando as ouvimos ao vivo, sentindo aquilo que ele sente, percebendo o que cada uma delas significa para seu criador.

E com a humildade de quem ainda está dando seus primeiros passos, ele prova que tem o que é necessário para marcar seu nome para sempre na música popular brasileira.

Com músicas que, com toda certeza, não foram "feitas para acabar".

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Feito Pra Acabar


No ano passado meu irmão mandou eu escutar uma música, que segundo ele era fantástica.
A música, gravada do programa Ronca Ronca, da Oi FM, se chamava "Dia a Dia, Lado a Lado", de um tal Marcelo Jeneci e da revelação musical Tulipa Ruiz. No site que meu irmão mandou, aquilo foi descrito como "histórico" para a rádio nacional, um momento único para a música brasileira.
Com toda a expectativa criada, escutei a tal música. Uma, duas, três vezes. Quatro. Cinco. Seis, sete, oito. Nove, dez vezes..

Foi quando me peguei viciado, sem conseguir parar aquele looping musical.

Verdade seja dita, é uma música simples, com uma letra sem grandes atrativos, uma melodia gostosa mas muitas vezes repetitiva.

E nada disso era o bastante para estragar aquele momento.
Histórico, único, seja o que for, aquilo era perfeito demais pra ser descrito.

Você pode escuta-la clicando AQUI pra entender melhor o que eu quero dizer..

Foi com esse momento na minha cabeça que eu escutei, no começo da semana, o Feito Pra Acabar, estréia do Jeneci em um álbum solo, depois de servir como multinstrumentista de apoio do Chico César e trabalhar em parcerias com gente como Vanessa da Mata e Arnaldo Antunes, lançado no final do ano passado.
Tudo para constatar que eu estava ouvindo em 2011 o provável grande lançamento nacional de 2010!

Feito Pra Acabar é uma delícia.

Com uma inocência e beleza raras, é daqueles discos que conquistam na primeira audição.
Tem falhas, claro, mas os acertos são tantos que compensam individualmente cada erro.
As letras mais ingênuas ganham impacto na interpretação de Jeneci e principalmente da cantora Laura Lavieri, grande descoberta do compositor que marca presença em quase todas as faixas. As melodias mais simples e repetitivas ganham a produção perfeita e criativa do músico Alexandre Kassin, que usa aqui tudo o que aprendeu em projetos como o +2, a Orquestra Imperial e o Los Hermanos. Isso sem contar os arranjos, que com uma cara falsamente simples fazem de cada música um momento especial.

As letras simples são o grande trunfo, que direcionam para as melodias muito bem elaboradas.
O que parece é que o método de composição foi o mais intuitivo possível, como na primeira faixa, "Felicidade", e nas deliciosas "Pra Sonhar" e "Por Que Nós?", por exemplo. "Quarto de Dormir" tem um início tão lindo que chega até a doer, para então ver o cantor personificando uma espécie de Roberto Carlos. Ecos da Jovem Guarda aparecem também no hino "Show de Estrelas" e na simplesmente genial "Dar-te-ei", que me deixou com um sorriso bobo no rosto por um bom tempo. O músico também evoca um momento meio Mutantes em "Pense Duas Vezes Antes de Esquecer", com a letra mais doída do CD. Sem contar a forte faixa que da o nome e fecha o álbum, "Feito pra Acabar", e a divertidíssima "Copo d'Água", que você já canta junto logo no segundo refrão.

O que surpreende nessa estréia (quer dizer, uma das coisas) é a corrente artística que Marcelo Jeneci formou nesses anos de carreira. As composições, quase todas parcerias, são assinadas por gente como Chico César, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik e Arnaldo Antunes. A banda conta com nomes como Edgard Scandurra, Curumin, Bruno Buarque e o próprio Kassin.
Apenas uma constatação da aposta que se tornou Marcelo Jeneci, que acaba se concretizando com este álbum.


Poucos álbuns conseguem cobrir sem esforço uma expectativa tão alta.
Marcelo Jeneci parece ter descoberto a fórmula do sucesso, com melodias muito bem pensadas embalando letras simples, sinceras e, muitas vezes, até inocentes.
Música de qualidade capaz de atingir tanto a crítica especializada quanto o público mais popular, base de toda sua influência musical.

Com Feito pra Acabar, Jeneci fez a coisa mais difícil de se fazer quando se trata de apostas tão altas.

Concretiza-las.

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