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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Primoroso Top-5 do Brancatelli - 3ª Posição

Eu: Cara, o triste é que tem muito compositor brasileiro que prefere escrever em inglês. Diz que tem uma sonoridade melhor e tal...
Um Amigo Meu: Tsc... isso é desculpa de quem nunca ouviu MPB!

Essa conversa ficou martelando na minha cabeça durante toda a semana.
É fácil dizer que a língua portuguesa não se encaixa bem em uma música, que falta sonoridade, melodia nas palavras, que é bem melhor compor em inglês... mas sejamos sinceros, isso não passa de papo de gente preguiçosa ou limitada. Principalmente quando lembramos de todos os nossos compositores, de Cartola a Nando Reis, de Noel a Renato Russo.
A MPB está aí para provar que nossa língua tem sim a mais perfeita musicalidade.
Basta, lógico, saber usá-la...

Desde o começo deste século, quando eu pensava em listas com meus CDs favoritos, um álbum sempre esteve entre os primeiros.
Era o álbum que me tirou da ignorância e me fez conhecer a música popular brasileira. Aquele que me provou por A + B que nossa música é uma das melhores do mundo, não devendo nada às estrangeiras que eu escutei durante toda a minha adolescência.
Eu já estava até preparando mentalmente meu post quando...

Bom, eu mudei de idéia.
Quer dizer, a banda continua a mesma.
Mas o álbum mudou.

3ª posição
Los Hermanos - Ventura


Confesso que, se eu tivesse escrito este post ontem, vocês teriam por aqui o Bloco do Eu Sozinho, segundo CD do Los Hermanos.
Mas, ainda que menos ousado, o Ventura mostra ainda mais maturidade e domínio musical que seu antecessor. Além da enfim conquistada liberdade total dada aos barbudos.
Sem a necessidade de se provar como banda, o álbum traz algumas das melhores composições dos Hermanos, como o amor na 3ª idade em Último Romance, a chicobuarqueana Do Lado de Dentro e a talvez melhor música da banda, Conversa de Botas Batidas, inspirada em uma notícia de jornal lida pelo Marcelo Camelo (a história da música é daquelas que valem a pena ser contadas, ainda que bem resumidamente: um casal de amantes se encontrava as escondidas há 30 anos no mesmo hotel. O prédio, já velho, certo dia desabou, e nos escombros os corpos dos dois foram encontrados, abraçados).
Engraçado perceber que cada faixa merece alguns parágrafos de análise - e admito que vontade é o que não me falta - mas sei que este post não é o lugar pra isso.

Então me limito a dizer que, pelas composições inspiradas, por merecer um post para cada música e por conseguir me provar um dia antes que merecia um lugar nessa lista...
A terceira posição do PRIMOROSO TOP-5 DO BRANCATELLI é do terceiro álbum do Los Hermanos, o Ventura!!!


PS: mas eu ainda farei um post para o Bloco no futuro... se a gripe suína não me pegar antes, lógico.

terça-feira, 24 de março de 2009

Sem Palavras...?

- foto roubada ilegalmente do Orkut de um amigo -

Eu tenho um método para saber se um show foi bom ou não.
Se eu estiver cruzando os dedos para que o show acabe logo, então ele foi ruim.
Se eu sentir vontade de sentar no chão e descansar durante o show, então ele foi questionável.
Se eu não sentir a mínima vontade de sentar e descansar um pouco durante o show, então significa que ele foi bom.
Se eu não sentir a mínima vontade de sentar e descansar um pouco durante o show, mesmo estando de pé há mais de 4 horas, então ele foi muito bom.
Se eu me pegar parado de pé, com os olhos esbugalhados e hipnotizados e com a boca inconcientemente aberta no meio de um show, então ele foi fantástico.
Se eu me pegar rodeado por pessoas no mesmo estado, então o show foi perfeito.

Ok, eu bolei esse método no domingo, durante o festival Just a Fest.
Mas e não é que funciona?
(pelo menos na maioria das vezes)


Primeiro, vale a pena dizer que o Just a Fest, convidando bandas consideradas geniais pela crítica e público, pode ser traduzido como o festival das influências e de seus influenciados.
Afinal, o Kraftwerk é uma das principais bases do som do Radiohead, que por sua vez é um dos principais modelos do Los Hermanos. Caso o Vanguart tivesse sido realmente confirmado entre as atrações, talvez até pudessemos criar mais uma ramificação...
Mas afinal, quem quer saber disso quando eu tenho tanta coisa pra comentar, hein?

Os Hermanos subiram no palco as 6 e meia em ponto, e juro que não entendo as várias críticas que fizeram ao show dos barbudos. Claro, depois de assistir a pelo menos uns 5 shows dos caras, é fácil perceber que eles não estavam como quando tocavam juntos todos os dias... mas acho injusto chamar a apresentação de "desempolgada" ou "desanimada".
Os cara estavam há dois anos sem tocar, visivelmente preocupados e concentrados demais em tocar com a mesma qualidade da turnê do álbum 4. Mas também estavam visivelmente felizes de estar alí. Tanto o Amarante quanto o Camelo sorriam, dançavam (ainda que discretamente) e mostravam que ainda existe sim uma esperança pela volta do grupo.
Aliás, é divertido tentar escolher um "favorito" entre os dois. Assim que Marcelo Camelo te conquista com músicas como Todo Carnaval Tem Seu Fim, Cara Estranho e Casa Pré-Fabricada, Rodrigo Amarante te puxa de volta com Deixa o Verão, Incondicional e Último Romance.
Mas o carisma do Amarante é insuperável, principalmente porque Marcelo Camelo ainda parece estar no clima introspectivo do seu álbum solo.

Depois foi a vez do Kraftwerk.
Tudo bem, confesso que eu queria ser mais inteligente para realmente curtir o som e a postura dos caras... mas é inegável que eles são os melhores no que fazem.
A banda é o pilar que sustenta todo o cenário musical eletrônico. Não importa se você gosta ou não, você deve respeitá-los.
E vendos seus fãs dançarem cada música de olhos fechados, é impossivel não considerar o show um sucesso.

E então, aconteceu...

As 10 horas da noite, o Radiohead subiu ao palco.
E, por mais que eu queira traduzir em palavras tudo o que eu senti nas mais de duas horas de show, eu ainda sinto que isso seja impossível.
Basta dizer que, pelo método citado lá no começo deste post, é fácil concluir que aquelas mais de duas horas foram perfeitas! Simplesmente perfeitas!!
O set list passeava por toda a discografia da banda, e até sofreu alterações de última hora para adequar os clássicos Creep e Fake Plastic Trees. O último álbum, In Rainbows, foi tocado na integra.
Não tenho a mínima vergonha de dizer que chorei, seja nas duas músicas citadas acima, seja durante Exit Music (For a Film) ou seja ao escutar o coro do público pós-Paranoid Android, que obrigou Thom Yorke a se render aos seus fãs paulistanos e acompanha-los repetindo os versos finais da canção (aliás, escutar ao vivo sua música preferida? Cara, não tem preço...)
Como um amigo meu disse, a melhor banda do mundo só podia fazer o melhor show do mundo.

Foi histórico, maravilhoso, irreal.
Foi ridículo de tão bom.
Foi perfeito.

Simplesmente perfeito.


Queria saber exatamente o que dizer por aqui pra mostrar o que aconteceu naquele show.
Mas, por enquanto, é apenas isso que eu tenho.
Vai ter que ser o bastante.

Bom, pra alguém sem palavras, até que eu escrevi bastante, hein...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pré - Radiohead.


[Pra começar perdoem a demora, dormi na casa de uma amiga depois do show e só consegui voltar para casa e postar agora.]

Ontem aconteceu o Just a Fest. O festival surgiu do nada, ninguém esperava por ele. Mas apareceu em grande estilo: Radiohead, Kraftwrek e Los Hermanos.

Cheguei lá e estava tocando um DJ, ou sei lá... só sei que ele era extremamente esquizofrênico! Ele tocou algo parecido com Kenny G (nada contra mas, se você quer animar alguém num festival... não dá!), aí no outro intervalo teve reggae e até música árabe. DJ Mauricio Valadares, você não nasceu pra coisa, beijos.

O evento em si começou com o show inusitado dos Los Hermanos. O show era MUITO aguardado, pois depois de 2 anos sem fazer um show em São Paulo, estando em hiato e com esse show ainda não significando a volta da banda, eles estavam ali.
A maior parte dos ingressos aqui na capital foram vendidos exatamente por causa deles.
Logo na hora do show, lá pelas 18:30, o lugar já estava praticamente lotado. Eu, que resolvi ficar num ambiente mais agradável (respirável), escutava o coro lá na frente cantando e aplaudindo... e veja, eu estava tão longe que em algumas horas o som do público parecia uma gravação.
Eles começaram a apresentação com a consegrada "Todo carnaval tem seu fim", cantada a plenos pulmões pelo público.
A cada música o público vibrava, gritava, dançava... juro que me senti encabulada de não saber cantar todas as músicas.
A banda começou um pouco timida mas depois foi se soltando...
Amarante sorria, dançava e falava com o público... Camelo sorria, caminhava pelo palco, agradecia todo mundo.
Meu coração se encheu de emoção quando Amarante disse "Nossa, quanta gente." e quando Camelo disse "Vocês são lindos demais.".
Se no Rio ele pareciam apáticos, como muita gente disse, em São Paulo eles me pareceram muito felizes.
Nunca fui num show deles, mas me senti muito satisfeita com o que vi.
O set list foi muito bom, com direito a música que nunca tocaram ao vivo (a não ser no show do Rio, claro), só faltou Tenha Dó, quase chorei de tristeza.

Depois de um intervalinho de 20 minutos, vieram os tiozões do Kraftwerk. Os pais da música eletrônica fizeram um show pra fã nenhum botar defeito. Abriram mão de toda modernidade que teriam disponível hoje em dia e se mantiveram com o que lhes deu fama. Claro que eu, leiga que sou, vi um show de música eletrônica que até me fez dançar um pouco. Mas vi os fãs da banda indo a loucura, emocionados e dançando loucamente. Não sei se gosto muito da idéia deles ficarem imóveis no palco, me dá um pouco de nervoso... mas se é o estilo deles, né?! Pelo menos quando eles são substituídos por bonecos no palco, o bonequinhos dançam (só assim que notei que eles tinham sido trocados).
Cheio de brinks foram e voltaram do palco milhares de vezes, quando eu achaaaaaaaava que tinha acabado lá estavam eles de novo.
Eu não compraria um cd deles, mas como show achei bacana.

Aí depois de uma espera de cerca de uma hora...
Bom, essa história eu deixo pro Brancatelli, que ele merece a honra de contar.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Breves Considerações Sobre A Semana Que Passou...

Post rápido de alguém que está morrendo de sono e deixou para escrever minutos antes de postar por aqui...
Então, apresento algumas considerações feitas durante a semana:

- O novo CD do Fall Out Boy é beeeeeeeeeem bom! Talvez falte dois ou três hits para se comparar ao album anterior, o Infinity on High... mas, como bem concluiu minha colega de blog, é engraçado perceber que a banda não faz um album igual ao outro, e esse novo não foge à regra. Ainda assim, que nem nos CDs anteriores, o destaque fica com as letras divertidas e com o vocal fodíssimo do Patrick Stump (também conhecido como "o gordim da Renatinha").

- Kevin Smith é Deus!!! Sei que não tem nada a ver com música, mas... bom, eu precisava expressar isso por aqui!

- To desde ontem escutando o Alone II: The Home Recordings of Rivers Cuomo , continuação direta do Alone: The Home Recordings of Rivers Cuomo (dãã), que conta com gravações caseiras, primeiras composições e até covers feitas pelo líder do Weezer! Não consigo ainda saber se esse segundo volume é melhor que o primeiro, mas tem sérias chances de ser (principalmente pq, enquanto o primeiro volume tem covers do Gregg Alexander, do Dion e do Ice Cube, esse tem uma cover de Don't Worry, Baby... o que praticamente já garante o CD!). As melodias grudam na sua cabeça, algumas até mesmo na primeira audição. Afinal... na essência, o Weezer É o Rivers Cuomo! Não dava pra esperar menos.

- Cara... eu finalmente me dei conta que no dia 22 de março eu estarei assistindo o Radiohead AO FUCKIN VIVO!!! Quer dizer, eu... Thiago Brancatelli... estarei vendo o Radiohead... Thom Fuckin York, Jonny Greenwood e companhia... ao vivo... na minha frente, pessoalmente, em carne e osso!!! Na época do show, podem esperar um artigo especial sobre a banda por aqui... e se eu sobreviver ao show, podem esperar um artigo depois, também! (sim, sou groupie meeeeesmo!!!)

- Correm boatos que o Los Hermanos voltará em 2009, segundo o que o próprio Rodrigo Amarante disse para um fã num show do Little Joy. Ao que parece, os 4 vão se reunir para uma apresentação especial e logo depois entrarão em estúdio para produzir o quinto disco da banda. Pergunte-me se eu estou ansioso...!

- E falando no barbudo, o Little Joy já confirmou que estará no Clash Club, aqui em São Paulo, no dia 28 de janeiro. Não sei quanto a vcs, mas eu já to lá...


Com tudo isso, ainda fica a pergunta...
Quem foi que se passou por aqui durante a semana, mesmo...?
Madonna-quem???

Ah, não devia ser importante...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Little Joy


Se você é um fã de Strokes, ou de Los Hermanos... ou até simplesmente antenado em música (leia-se "leu o último post desse blog") , já está sabendo da banda que acaba de disponibilizar 4 músicas em seu myspace.

Uma 'pequena alegria' para esses fãs curiosos que aguardaram ansiosamente saber qual seria o resultado da mistura entre um 'stroke' e um 'hermano'... Little Joy foi o nome escolhido pelo trio que conta com a atual namorada de Fabrizio Moretti, Binki Shapiro. E cá entres nós esse nome combinou muito com o projeto.

Cada música tem uma 'pegada' diferente... uma você diria que tem mais dedo do Fab... outra você acha a cara do Amarante... Mas todas são muito agradáveis aos ouvidos e até divertidas de se ouvir... A voz do hermano cantando em inglês deixa as canções aconchegantes. E todas as músicas liberadas tem cara de coisa antiga...

No One's Better Sake tem uma pitada de reggae que, por incrivel que pareça, não me faz odiá-la!

Brand New Day (uma das minhas favoritas) tem uma cara feliz, 'agitadinha',... coloca um sorriso no rosto sabe?!

With Strangers traz uma sensação de fim de um dia quente, uma coisa meio pôr-do-sol... (não vai achando que é algo meio Jack Johnson não! Não tem nada a ver!) Um violãozinho gostoso, voz arrastada e um corinho de fundo.

E a mais recente Keep me in mind (que não tem no myspace, mas eu tenho-o-o!) conquistou meu coração de cara com uma batida divertidinha de bateria.

Ainda faltam 7 músicas, sendo uma delas em português... Eu já tenho uma versão que seria meio demo, que é só voz e violão... é bem bacana também.

O cd sai em 4 de novembro e promete!

Só não decidi o que me deixa mais orgulhosa... o Fabrizio não negando a terrinha e trabalhando com um brasileiro ou o Amarante conquistando o mercado exterior! :)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sou...

"e lá vai Deus sem sequer saber de nós
saibamos pois estamos sós"


Poucos lançamentos nacionais foram tão aguardados em 2008 quanto o album Sou.
E desses poucos, raros foram os que valeram todo o hype.

Aliás, não apenas em 2008.
Desde que o Los Hermanos lançou o Bloco do Eu Sozinho e passou a ser um grupo respeitado no meio musical, o principal letrista da banda Marcelo Camelo já era celebrado como a grande revelação da MPB. Consagrado ao ser gravado pela Maria Rita (com Cara Valente, Santa Chuva e Veja Bem, Meu Bem no seu primeiro album, e com Casa Pré-Fabricada e Despedida no segundo), todos queriam ver até onde ia o talento do barbudo. Os albuns seguintes do Los Hermanos confirmou ou que já era claro: suas composições estavam cada vez mais calmas, saindo do rock e encontrando o banquinho e o violão.
Com a pausa dada pelo seu grupo, o cara não demorou para começar aquilo que todo ser com dois ouvidos funcionais estava esperando...
Seu vôo solo.

O album Sou (vire a capa do CD de ponta cabeça e - tadáááá - surge a palavra Nós) chegou às lojas no começo do mês.
E se ainda existia a pergunta "será que valeu a pena?" na cabeça de Marcelo Camelo, eu digo em alto e bom som, com todas as letras:

CLARO QUE VALEU!!!
E MUITO!!!

Com melodias poderosas e letras econômicas (como se seguisse o legado deixado por Dorival Caymmi), Camelo cria em 12 faixas (sem contar as duas "reprises" finais) a MPB perfeita.
Seja com o agito de Copacabana e Vida Doce, seja com a beleza leve de Janta (com a Mallu Magalhães).
Seja com o minimalismo de Saudade, seja com a sanfona de Liberdade (tocada pelo mestre Dominguinhos).
Seja com a simplicidade de Menina Bordada, seja com um certo experimentalismo de Téo e a Gaivota.
Seja cantando sobre a solidão, a menina bonita ou os velhinhos do Bairro do Peixoto.
O músico soube dosar bem a melancolia e a alegria, não deixando o disco cair na mesmisse e criando um repertório até bem diversificado. Janta é um folk guiado por dois violões, Mais Tarde mostra Camelo acompanhado pela banda Hurtmold e Copacabana é uma espécie de marchinha que já concorre desde já como melhor música do ano - pelo menos na minha lista.
É impossível não perceber o quanto o compositor se sente à vontade tocando essas canções, mostrando sua real face e mostrando o quão perfeita foi a escolha do nome do album.

Mas claro que o disco exibe falhas.
Sua versão de Santa Chuva, ainda que bela, não consegue se equiparar à versão criada por Maria Rita. Mesmo assim, é uma das melhores composições de Marcelo Camelo, obrigatória em seu vôo solo.
Doce Solidão, apesar de simpática, acaba ficando repetitiva e cansativa no decorrer de seus 4 minutos e meio.
Os "sons ambientes" colocados por Camelo entre algumas músicas não mostra nenhum propósito (a não ser o som do mar após Vida Doce, que consegue ser de uma beleza simples e singular).
Além disso, uma chatisse minha foi o fato de ter escutado primeiro as músicas disponibilizadas antes do lançamento do CD (e gravadas em um CD pela Renatinha, que me ajuda em assuntos tecnológicos)... desse jeito, ainda não consegui aceitar inteiramente a sequência musical do CD oficial. Copacabana, que eu julgava ser a úsica de abertura ideal, é a faixa 11. A sequência perfeita Janta e Liberdade não existe oficialmente, substituida por... bem, algo mais sem graça!
Como eu disse, pura chatisse minha.

Ainda assim, Sou consegue NÃO ser chato durante toda sua quase uma hora de duração.
Um disco que não é de difícil entendimento, mas que mesmo assim deve ser ouvido com cuidado, sem se deixar enganar pela sua aparente simplicidade.
Compare Anna Júlia com qualquer canção desse novo albúm e vc perceberá que "simplicidade" não é uma palavra que cabe no vocabulário de Marcelo Camelo.

Sorte a nossa...


PS: engraçado ver que, enquanto o Camelo vai se tornando um dos principais nomes da MPB, seu parceiro Rodrigo Amarante segue para o sucesso no exterior.
No MySpace da sua nova banda, Little Joy (que conta também com o batera do Strokes, Fab Moretti) já dá pra ouvir 3 músicas.
Dá uma conferida por lá - http://www.myspace.com/littlejoymusic
Ah, e só posso dizer que são eeeeextra fodas!!! =P

terça-feira, 10 de junho de 2008

Todo Carnaval Tem Seu Fim...

Como uma banda pode mudar tanto em apenas 10 anos?

Eles começaram com a proposta de um hardcore mais poético, mais romântico e melódico...
Acabaram misturando à fórmula batidas inspiradas no ska e no rock...
Acabaram virando uma banda pop, na trilha de um sucesso maior do que qualquer um poderia imaginar...
Depois abraçaram o carnaval, a melancolia, o refinamento...
Juntaram tudo isso ao samba...
E terminaram bossa-nova.

Pode um grupo musical que já sentiu o gosto de estar no auge do sucesso arriscar tanto e sempre soar diferente?
Pode um grupo de hardcore tranformar-se em bossa nova em uma década?
Pode um grupo tão indeciso influenciar todo um cenária musical?
Pode essa mesma banda ter o respeito e o prestígio praticamente unânime da crítica especializada?
E o principal: pode essa mesma banda ter uma base de fãs antes apenas vista em fenômenos como o Legião Urbana?

A resposta à essa pergunta está na ponta das afiadas línguas de Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba.

Num intervalo de apenas dois anos, eles gravaram duas demos, tocaram no festival independente carioca Superdemos e foram a grande revelação do Abril Pro Rock, assinando com a gravadora Abril Music e lançando o album homônimo em 1999.
Com guitarras distorcidas, uma bateria pesada, um baixo suingado, um teclado melódico e letras românticas, aquela banda era bem diferente de qualquer coisa já vista no Brasil.

Pronto.
Estava feito.
O grande público finalmente conhecia o Los Hermanos.

Com o sucesso bizonhamente grande de Anna Julia (gravada mais tarde pelo ex-beatle e lenda da música George Harrison) jogou a banda carioca às alturas. Também fez a gravadora esquecer os ritmos pesados que davam cara à banda e tacou a balada Primavera como segundo single.
A música capturou ainda mais fãs, mas afugentou outros que se sentiam traidos. Afinal, quem aquele bando de manés acha que é para sair do cenário hardcore underground e tentar fazer sucesso com músicas pops?
O terceiro single foi a pesada Quem Sabe, mas aí o mal já estava feito.
As músicas mais pesadas foram relegadas ao segundo plano... o público queria que eles tocassem apenas Anna Júlia, Primavera... Anna Julia, Primavera... e mais Anna Julia, mais Primavera...
Logo, até os fãs mais devotos já estavam cheios de tanta Anna Julia e tanta Primavera.

Assim como a banda.

Em 2001, sem o baixista Patrick Lapran (que saiu da banda por "divergências musicais"), a banda bateu de frente com a gravadora e lançou o Bloco do Eu Sozinho.
Um album com quase nada em comum com seu antecessor... mais arrastado, mais melancólico, com direito à uma crítica bem aberta ao mercado musical na genial letra de Cadê Teu Suin- e sem nenhum hit radiofônico.
Além disso, a banda tomou para si a responsabilidade de escolher o primeiro single, para não correr o risco da gravadora novamente tentar mudar a cara da banda.
Mas o público recebeu de braços cruzados a música Todo Carnaval Tem Seu Fim. Somando isso ao fato da gravadora se recusar a fazer uma publicidade decente ao novo trabalho, os Hermanos mal tiveram suas músicas tocadas na rádio. Seus shows esvaziaram tão logo começou a turnê, restando apenas alguns fãs mais fiéis que sabiam que a banda era muito mais que uma música de sucesso.

E quando vc não tem mais a publicidade necessária, o que resta é o velho boca-a-boca...
O que nesse caso foi melhor do que qualquer campanha de marketing!

Como se começasse tudo de novo, o Los Hermanos acabou criando uma base de fãs pequena... mas muito forte, que acompanhava a banda aonde ela fosse. Essa base foi aumentando cada vez mais, principalmente devido às ótimas críticas que o album vinha recebendo, saudando Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante como os grandes novos nomes da música popular brasileira.
Depois de uma aclamada apresentação no Fordsupermodels e no programa Luau, ambos transmitidos pela MTV, a banda se sentia pronta para o próximo passo.
O Los Hermanos era mais uma vez saudada como a grande surpresa no mercado nacional.
E dessa vez eles não iriam jogar essa oportunidade fora.

Com o fim do selo Abril Music, a banda migrou para a BMG e lançou o album Ventura.
Tido como uma continuação direta do Bloco, com um misto de rock e samba, o Ventura convenceu aqueles que ainda não acreditavam no talento da banda. Principalmente as rádios, que se renderam aos singles Cara Estranho e O Vencedor.
O album, além das vendas respeitáveis, ainda rendeu o DVD "Ao Vivo no Cine Íris".
A massa de fãs crescia cada vez mais, seja pelas músicas tocadas na rádio, seja pelos shows sempre memoráveis feitos pela banda.

Em 2005 chega às lojas o CD "4", onde a banda conseguiu se reiventar novamente.
Mantendo ainda alguns bons rocks, principalmente na figura de Rodrigo Amarante, a banda se rendeu definitivamente à bossa nova, na voz de Marcelo Camelo. Dividindo os fãs que gostavam do banquinho e violão de Sapato Novo e os fãs que preferiam a muralha sonora distorcida de Condicional, o album não passou despercebido, seja nas rádios (com o single O Vento), seja nas lojas (sempre entre os mais vendidos).
Mais do que qualquer coisa, o "4" mostrava que o caminho da banda era incerto.

Mas ninguém esperava pelo real futuro.

Em 2007, 10 anos depois de seu início, o Los Hermanos anunciou aos fãs um hiato indefinido.
O comunicado, divulgado no site da banda, caiu como uma bomba.
Diante da indecisão dos integrantes da banda, só havia uma coisa que os fãs podiam fazer:

Esperar.

E claro, criar boatos.
Foi muito dito que era o fim definitivo da banda, que havia acontecido um racha entre Camelo e Amarante...
Tudo foi, claro, devidamente negado pela banda, que insistia em dizer que não faziam idéia do que aconteceria, e que esse é o significado de "hiato inderteminado".

Surgiram os projetos paralelos.

Rodrigo Amarante lançou o CD "Carnaval Só Ano Que Vem", com a Orquestra Imperial, além de compor e fazer participações especiais no trabalho de vários artistas.

Marcelo Camelo participou do Acústico Sandy e Jr. Atualmente ele prepara o lançamento do seu trabalho solo (que deverá sair entre agosto e setembro), do qual duas músicas foram colocadas no MySpace do músico, mostrando o album voltado para o "banquinho e violão", como já era de se esperar.

Rodrigo Barba participou de várias bandas nesse meio tempo, como o Canastra e o Latuya, além de dar aulas de bateria.

Bruno Medina escreve para seu blog Instante Posterior, acompanha a cantora Adriana Calcanhoto em sua turnê e prepara um programa de televisão que planeja mostrar várias etapas da construção de uma canção, unindo artistas diversos que não se encontrarão na concepção da música.


Segundo as palavras de Rodrigo Amarante: “Agora o Marcelo vai lançar disco solo, então vamos esperar mais um tempinho. A gente vai voltar alguma hora, com certeza, só não sei quando”.
Bruno Medina faz coro: "Está acontecendo exatamente o que haviamos dito que ia acontecer. Algumas idéias só surgem ou se desenvolvem quando possuem espaço para tal. Acho que quando voltarmos será com certeza de um jeito diferente, e isso é a melhor coisa que pode acontecer para a banda. A renovação, em qualquer aspecto, é um processo saudável que deveria ser sempre bem-vindo. Acredito que boa parte dos nossos fãs entendeu que esse hiato será positivo. É a palavra 'indefinido' que assusta as pessoas”

Goste ou não, o Los Hermanos influenciou boa parte das bandas que surgiram depois de 1997, criou padrões a serem seguidos e mudou a cara da música brasileira.
Elevados ao patamar de "gênios musicais", eles souberam olhar o mundo sempre de baixo pra cima, com a humildade de quem está começando.
Talvez esse "hiato indefinido" seja o fim do grupo... ou talvez seja apenas um hiato indefinido.
Seja o que for, o Los Hermanos já escreveu seu nome na longa história da MPB.
Seja ganhando ou perdendo algumas batalhas, eles souberam arriscar.

Afinal, como já disse o próprio Marcelo Camelo...
Quem sempre quer a vitória perde a glória de chorar.