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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

T.H.E.H.I.V.E.S.


Aqui estou eu na difícil tarefa de transformar em palavras a experiência de ir a um show do Hives.


Preciso começar explicando que só lendo esse texto você não terá 1 milésimo da noção do que foi estar lá...


Quando os roadies do Hives começaram a arrumar o palco minha tensão começou.

Entrou a bateria do Chris, toda estilizada... Trouxeram os amplificadores que tinham estampados os nomes dos integrantes que os usavam. Dois microfones foram colocados, então eu e minhas amigas nos perguntamos qual seria o do Pelle... nossa pergunta foi respondida logo a seguir quando um roadie posicionou um pedestal com um microfone que devia ter mais ou menos uns mil metros de fio.

As luzes apagaram e o brasão com um ‘H’ preto e branco surgiu no telão. Meu coração batia quase tão rápido quanto na hora em que eu os havia encontrado na sessão de autógrafos.

“A stroll through hive manor corridors” começou a tocar e eu tive certeza que se não morri do coração naquela hora, não morria mais. Meu coração veio na boca. Era agora... era nesse momento que minha visão do que era um show mudaria.


Eles foram entrando, um a um... com aquele terninho e gravata listrada. Hollowin’ Pelle entrou no palco. "Hey little world” começou e esqueci que tinha um mundo a minha volta.

Sabe quando você diz “Ah, esse aí nasceu pra ser médico? Sempre preocupado e querendo cuidar de todos” ou “Essa nasceu para ser professora...adora ensinar.”, então... aqueles 5 nasceram para serem rockstars! Nasceram para estar num palco...!!! Todos estão absurdamente a vontade com o que fazem e mostram muita competência em suas determinadas áreas... mas não tem como não destacar 3 integrantes:


O baterista Chris Dangerous, com sua bateria um pouco elevada para aparecer melhor pro público, já que seria um baita desperdício ninguém conseguir ver seus malabarismos com as baquetas, os momentos em que fica quase de pé tocando com uma energia contagiante e carregando no canto da boca um cigarro pra fazer a imagem de cafajeste!


O guitarrista Nicholaus Arson, como diz uma amiga, parece que fugiu de um manicômio e resolveu fazer uma banda. Olhos arregalados, não parando quieto, andando pelo palco inteiro... parando na frente das pessoas e lambendo o dedos e encostando em si como quem diz “estou fervendo, baby”. Indo até a platéia, deixa as pessoas tocarem na sua guitarra com uma expressão de “estou te dando a honra de tocar nela”. Genial...!


E pro fim, seu irmão e “vocalista, vocalista” (ele repetia as palavras e apontava pra sim mesmo) Pelle Almqvist. A energia desse sueco, que em seus trejeitos mistura Iggy Pop com Mick Jagger criando um estilo Pelle de ser, não permite que você desanime nem por um minuto, eles transforma os intervalos das músicas um momento de intimidade entre ele e o público... ora elogiando a banda, ora dizendo ‘eu te amo’ (que eu fui uma das responsáveis pra ele saber como dizer) para quem estava ali. Antes de começar cada música ele fazia uma introdução divertida e brincava com o público. Com algumas simples palavras aprendidas em português, ele mostrou que é capaz de controlar qualquer platéia em qualquer parte do mundo... “grita aí”, “batam palmas”, “pára” e “tira o pé do tchão”... pronto... Pelle fazia com a gente o que ele queria... e isso foi provado no “experimento” que ele propôs... “Grita aí!... pára... Grita aí!... pára! Grita aí e bate palma... pára!” e sem nem pensar duas vezes nós gritávamos e parávamos... Durante as músicas ele não parava quieto, rodava o microfone, pulava, abaixava, encarava toda platéia nos olhos (e que olhos *___*)...


Entre “yeahs” e vozes mais graves, ele cantou um setlist mais do que aprovado por mim...

Juro que não senti falta de nenhuma música, e eu, que tinha desistido de ouvir minha amada “A.k.a. I-D-I-O-T”, já que eles não cantavam mais coisas do primeiro cd, fui surpreendida quando ele disse que por ser a primeira vez ia cantar algo antigo... uma música sobre ele...e bang!!! Lá estava eu me esgoelado ao som da minha favorita e tomando umas pancadas da rodinha de bate-cabeça ao meu lado. Durante todas as músicas ele mandava beijos e sorria... sorria muito! Se tinha alguém ali mais feliz que os fãs, era o Pelle... A platéia só não sabia cantar a música inédita que eles tocaram “A thousand answers”, de resto o coro era lindo...!


Depois de “Two timing touch and broke bones”, Pelle anunciou que a próxima música seria a última... e então tocaram “Return the favour” e foram embora... mas tava na caaaaaaaaaara que era brinks com a galere... depois de algum tempo e de alguns gritos “The Hives!The Hives!”, Chris volta ao palco (com sua cara de cafa e cigarro na boca)... começa a tocar... os outro integrantes voltam e começa “Bigger hole to fill”... Todo mundo vai à loucura... logo depois vem aquela que não poderia faltar, “Hate to say that I told you so”, onde o público e Pelle fizeram um dueto... e pra finalizar..."Tick Tick Bom”... o dueto foi repetido... nós ficamos com os ‘ticks’ e ele com o ‘bom’...

E eles foram embora de fato. Não sem antes se abraçarem na frente do palco e agradecerem à platéia.


A melhor noite da minha vida, melhor show da minha vida... Não tenho nem como expressar a saudade que estou daquele momento. Só sei que toda dor nas pernas, hematomas, suor e dor de garganta de tanto gritar valeram a pena.



PS1: O Brancatelli se apaixonou pelas francesas... e eu pelos suecos! *__*

PS2: Tipo assim, de boa... não gritem "olê, olê... hivês...hivês..." é muito feio!

domingo, 7 de setembro de 2008

Orloff Five: O Pré-Hives!!!

O post dessa segunda está sendo escrito pelo Brancatelli, visto que a Renatinha ainda está meio que em estado de choque depois da apresentação do Hives nesse último sábado, no festival Orloff Five. Por isso, enquanto ela ainda se recupera, vou falar do que teve antes do grande show da noite, preparando terreno para que a própria pobre garota dê suas impressões do show em si. Aproveitem...


A primeira banda da noite foi o Vanguart.
Vou ser sincero, a única coisa que eu tinha escutado deles foi a música Semáforo, que eu achei até bem simpática. Nada de mais, apenas simpática... do tipo que vc até se pega cantando no ponto de ônibus, mas depois de esquece.
Por isso posso dizer sem dúvidas que o show me impressionou, e MUITO!!!
O vocalista (que, como a Wikipedia me ensinou, se chama Helio Flanders) me provou ser um cara com um puta talento, de um jeito que eu realmente não esperava. As músicas remetem a um folk das antigas, agregando elementos pops atuais, sem se tornar cansativo ou mesmo chato. A banda extramamente entrosada dava a deixa pra que o garoto mostrasse, ainda que sem muita empolgação, o porque de serem conhecidos como uma das melhores coisas surgidas no Brasil nos últimos anos.
Prometo que vou atrás das músicas e comento mais sobre eles aqui no Two Cold Fingers...

A segunda banda... hmm...
Bem, digamos que eu posso dizer que o inferno que Dante pinta em A Divina Comédia não é nada se comparado a um show da banda norte-americana Melvins!!!
Aliás, as palavras "show" e "banda" não se enquadram muito bem... foi basicamente puro exibicionismo de 4 caras que acham que o que fazem pode ser chamado de música!!!
Sim, eles tem história.
Sim, eles eram uma das bandas favoritas do Kurt Cobain.
Sim, vc precisa fazer pelo menos 10 anos de aula de música para conseguir tocar qualquer coisa deles.
Mas ainda assim... qual a graça disso tudo??
Saber tocar um instrumento não significa que vc sabe fazer música!!
O vocalista Buzz Osbourn parecia querer ganhar o prêmio Diva 2008 com sua presença no palco, com o nariz empinado, olhando com desdém para o público. O baixista (que parecia saído do filme De Volta À Lagoa Azul, como bem lembrou a Renatinha) parecia estar apenas cumprindo contrato. Os bateristas (sim, eram dois) se divertiam fazendo barulhos sincronizados, mas sem a menor emoção.
Sinto muito, mas aquilo não é música... e se foi tudo uma grande piada, desculpa mas eu não peguei.
São 4 tiozões falando "olha gente, olha como eu toco bem!!".
Prepotência, o teu nome é Melvins!!!

(nota do Brancatrolhas: ou talvez os 18 reais em cerveja que eu já tinha gastado até aquele momento não me deixaram embriagado o bastante para entender o som dos caras... principalmente se levarmos em conta que a cerveja era 6 MALDITOS REAIS!!!!!)

A terceira e última banda de abertura da noite foi o Plasticines (que já teve um post por aqui, como vc pode ver neste link).
As 4 maravilhas criadas por Deus entraram no palco, empolgaram mesmo quem não se aguentava mais de ansiedade pelo último show, conversaram com o público, fizeram cover de Nancy Sinatra e levantaram toda a Via Funchal, que naquela hora já estava COMPLETAMENTE abarrotada de gente (3500 pessoas, como me disseram depois)!!!
Mas eu mal percebi tudo isso, pois estava ocupado demais me apaixonando por aquelas 4 francesas... aiai... =P

A outra atração da noite era o DJ americano Tittsworth, que não fez nada além de tocar algumas músicas nos intervalos dos shows.
Coisa que, pra ser sincero, até EU faria melhor!
Muito pouco para o aclamado "DJ mais quente da América"...

E foi quando um imenso H estilizado surgiu no centro do palco.
As luzes se apagaram, e a angustia do "meu Deus, já vai começar!!!" bateu forte.
A Stroll Through Hive Manor Corridors começou a tocar ao fundo, como se desse o ultimato:

ELES ESTAVAM ENTRE NÓS!!!!!

Mas sobre isso vcs lerão na quinta feira.
Eu só posso dizer uma coisinha...
Oh... my... fucking...God!!!!

Um bjo nas crianças...

domingo, 22 de junho de 2008

O ano em que a Renatinha faliu.

Vou começar me desculpando pela ausência do meu post na segunda passada, é que a rede foi desligada no meu bairro e eu fiquei sem telefone e internet por 3 dias. (Só Deus sabe o quanto isso me mata...!) O post é o mesmo que eu publicaria na semana passada, com algumas alterações devido a algumas notícias no decorrer da semana! Espero que entendam e me perdoem! =)




Sério...acho que vou ter um treco antes do fim do ano com tantos boatos de bandas fodas vindo pra cá...!E estou tentada acreditar na maioria delas desde que ficaram comentando mil anos sobre a vinda do Muse e aí está...confirmado! Em julho os fãs de Muse terão oportunidade de ver a banda que é considerada uma das melhores ao vivo.


Falando em bandas boas ao vivo, no blog da Ilustrada saiu uma matéria falando de um novo festival que terá em São Paulo, em setembro, o Orloff Five...que vai trazer ninguém mais, ninguém menos que meu querido Hives... (Já consigo me imaginar gritando a plenos pulmões “Whyyyyyy me?” em ‘Main Offender’), e também as bandas Melvins (EUA), Plasticines (França), Vanguart (Brasil) e o DJ Tittsworth (EUA). As bandas já estão confirmadas, então seus fãs podem comemorar. Segundo site da Globo as vendas para os show de São Paulo começam essa segunda. Os preços são R$ 100,00 / R$ 120,00 / R$ 150,00.

Franz Ferdinand parece ser presença quase confirmada no TIM, já que a data que eles estarão no Chile bate com a do evento, e a banda já tocou aqui em parece ter gostado muito. Para o mesmo evento temos a confirmação de Gogol Bordello e os boatos de Amy Winehouse e Beirut. Acredito que o festival que ano passado trouxe atrações absurdamente fodas (ainda suspiro lembrando do show do Arctic Monkeys...) não vai me decepcionar esse ano na questão atrações... Sem contar o boato de que vem o MGMT, que é uma das minhas novas paixões...

Pro Festival Indie Rock saíram alguns nomes que até onde tenho informações estão praticamente confirmados: Broken Social Scene, The Futureheads e Vampire Weekend. (Futureheads confirmadissimo no sites oficial deles... e as outras bandas com datas vagas no período do festival...). Sinceramente não conheço muito as duas primeiras mas digo que Vampire vale a pena viu?! Com um som bem diferente e divertido eles vem tomando conta da cabeça dos britânicos, estão nas paradas e em toda edição da NME alguma coisa sobre eles é mencionada...tem gente que diz que é muito hype pra pouca banda...mas sinceramente, recomendo.

Daí ainda temos o Planeta Terra... que corre na boca pequena... Kaiser Chiefs praticamente confirmado e Kooks com muitas possibilidades de dar as caras... que eu realmente espero que seja verdade (ambas as bandas). Sabemos que entra as atrações nacionais temos o fenômeno Mallu Magallhães, com seu folk meiguinho e Marcelo Camelo (do Los Hemanos) com seu cd solo.

Estou adorando esses festivais que estão rolando no Brasil, mais legal ainda surgirem mais... Daí rola uma competição...um querendo trazer bandas mais legais que o outro, um querendo fazer a organização melhor que o outro (espero que o TIM melhore esse ano, a organização ano passado era RIDÍCULA! Enquando dizem que o Terra chutou bundas nesse quesito...). Sem contar que tô me sentindo na Europa né?! Com aquele bando de festival, bando de banda foda, sorte que a aqui não precisamos ficar de galocha na lama durante os shows...

[Todos os nomes de bandas são links do myspace das mesmas, eu não ia deixar vocês na mão não é mesmo?!]

PS: Oi, alguém sabe de compradores do mercado negro de orgãos? Eu definitivamente precisarei vender todos os meus pra ir em todos esses shows...!

domingo, 20 de abril de 2008

We rule the world, this is our world

Eles entram no palco.
O figurino dos 5 é igual. Mas um é muito diferente do outro.
Começa a primeira música.
Um baterista cheio de pose gira as baquetas, as jogas pro alto e pega de volta no meio da música e mantém um olhar penetrante na platéia.
Um baixista baixinho e gordinho (você chega a se perguntar se aquela não seria uma figura um tanto quanto improvável em um banda de rock), ostenta um bigode simpático e uma pose séria.
Um guitarrista gordinho, daqueles que suam sem não poder mais, que faz backing vocals com tanta energia que seu rosto vai ficando cada vez mais vermelho ao longo do show.
Outro guitarrista que faz daquele show seu show pessoal, a famosa jogada de guitarra que leva o público ao delírio e outras peripécias com o instrumento, acompanha os backing vocals cheio de energia.
E por fim um vocalista com um carisma visto em poucos, que dá saltos, sacode a cabeça e o corpo, grita até a voz falhar, vai até o público e conversa com a platéia o tempo todo. O repertório de frases dele é cheio de uma arrogância (que logo é notada ser extremamente montada para criar uma imagem pra banda) e coisas nonsense.
Chris Dangerous, Dr. Matt Destruction, Vigilante Carlstroem, Nicholaus Arson e Pelle Almqvist.

Ou melhor: The Hives

Hives é uma banda sueca que surgiu em 1993, mas atingiu prestígio no começo dos anos 2000. A música ‘Hate to say that I told you so’ atingiu as paradas e mostrou que o Hives, com seu ‘garage rock revival’/punk/um rock agitado, tinha vindo pra ficar. Antes desse sucesso a banda já tinha um cd, o Barely Legal. Depois dele vieram Vini Vedi Vicious, Tyrannosaurus Hives e o novo The Black and White Album.

Os cds são todos recheados de músicas cheias de força e de uma energia frenética, e de letras que compõe a identidade da banda.
A chegada do novo álbum assustou muita gente, ainda mais quando saiu que na produção encontravam-se figuras como, Pharrell e Timbaland. Um disco ousado, com algumas músicas com uma levada mais lenta, mas em sua maioria mantendo um ritmo ‘hives’ de ser fazer rock.

Mas além de tudo isso, eu diria que o grande trunfo da banda é sua apresentação ao vivo. A descrição que dei no começo do texto não é nada perto do que é um show deles. Mais de uma hora onde a banda não pára um minuto, onde a energia dos acordes flutua e contagia a platéia, a voz de Pelle instiga todos a não ficarem calados (menos nas raras ocasiões em que ele manda todos calarem a boca para falar alguma de suas frases) e não pararem de se mexer. Os terninhos e as poses imponentes vão se dissolvendo e eles viram os 5 suecos que sabem fazer rock como poucos. Não é a toa que já foram eleitos uma das melhores atuações ao vivo do rock. A figura do carismático, frenético e surtado Pelle é essencial para o espetáculo, ele que não deixa o ritmo cair nem por um minuto e talvez por isso tenha sido considerado um dos 50 melhores ‘frontmans’ da história da música.






Tem muito mais para se escrever sobre Hives, cada característica da banda (atitude, mistérios, piadas, clipes e até os nomes verdadeiros dos integrantes) renderia um post. Mas vou finalizar por aqui dizendo que se Hives no cd é muito bom, ao vivo eles são FANTÁSTICOS! (Pelle diria que eles são os melhores do mundo, mas vou ser mais humilde.)