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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quem Tem Medo de Regina Spektor?


Difícil dizer o que é, pra mim, escutar Regina Spektor.
É uma experiência tão boa quanto... asustadora.
Engraçado isso, mas a beleza das músicas dela me dão uma sensação estranha de "medo".
Como se pra mim fosse assombroso que alguém possa criar pequenas obras-primas em cada melodia, cada toque da tecla do piano, cada vogal cantada.
Talvez a perfeição seja, ao seu próprio modo, assustadora. Como naquela cena de Beleza Americana, quando o personagem do Wes Bentley diz "Às vezes, há tanta beleza no mundo. Penso que não vou suportar e meu coração parece que vai sucumbir..."
É isso que eu sinto...

Regina Spektor é meu saquinho plástico voando com o vento!


Depois de alguns meses, eu tomei vergonha na cara e finalmente escutei o último álbum da Regina Spektor, Far.
Difícil falar de um álbum assim, porque nada que eu escrever aqui vai passar exatamente o que é um álbum dessa cantora, compositora e pianista.
Mas... bom... ninguém disse que ter um blog sobre música seria fácil, né.

Far não chega a superar a perfeição do seu álbum anterior, Begin to Hope, mas eu não acreditava que ele fosse conseguir, mesmo.
Ainda assim, músicas como "Genius Next Door", "Wallet" e "One More Time with Feeling" (que covardemente vêm em sequência, sem dar muito tempo para respirar) quase conseguem a façanha. Ela também parece bem à vontade vocalmente, como em músicas como "Folding Chair" e "Dance Anthem of the 80's", e até mais dançante, com em "The Calculation".
Cada música é uma pérola única, que merece ser apreciada aos poucos, até que se consiga absorver tudo o que ela tem a oferecer.
É um álbum para se ouvir sozinho no quarto, se deixando levar pelos mais diversos sentimentos.

Sentimentos como emoção e euforia.
Tristeza e alegria.
Calor e solidão.
Esperança.
E medo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ensaio Sobre a Tristeza


Uma coisa que eu tenho pensado bastante é na relação que existe entre a beleza e a tristeza.
Outro dia uma amiga comentou o quanto achava a melodia de Fake Plastic Trees triste. Ela não falou nada sobre a letra, ou mesmo sobre o próprio estado de espírito. Apenas disse que achava Fake Plastic Trees extremamente triste.

Sabe, um cachorrinho com a perna quebrada andando na rua é uma coisa triste. A miséria na África e a fome são coisas tristes. A guerra é uma coisa triste. Animais matando outros da mesma espécie, uma criança chorando porque seu sorvete caiu no chão... essas são coisas tristes.
Agora, o que diabos nos leva a escutar uma música e achá-la triste?

Tirei umas horas pra analisar Fake Plastic Trees.
É uma música com começo calmo, apenas um violão base e o Thom York cantando uma melodia bem feita, alternando altos e baixos. Entra uma bateria leve, encorpando a música. E quando você pensa que tudo já voltou a ficar calmo, tudo explode em guitarras distorcidas, uma bateria pesada e a voz quase desesperada de York, provando vir do fundo se sua alma. E de repente, não mais que de repente, do mesmo jeito que surgiu, todo o peso desaparece, fechando aqueles minutos com uma tensão única, como se fosse um medo de que tudo mude novamente.
É claro que é simplesmente impossível traduzir em palavras todos os sentimentos que uma música dessas traz.
E vocês podem até rir, mas eu sou o primeiro a admitir que é impossível escutar uma música dessas no volume máximo e não terminar com os olhos no mínimo um pouco molhados.
Mas da onde nós tiramos tanta tristeza de uma musica tão linda?

Pois é exatamente isso.
Nós tiramos do belo o triste.

Quando nos deparamos com a beleza de uma música, ou mesmo de um nascer do sol que seja, é como se apenas nós existíssemos naquele momento.
Como se o resto do mundo desaparecesse, e apenas você soubesse apreciar toda a beleza que se revela.
Você se sente completamente sozinho, e será que esse não é o mais triste dos sentimentos?
A solidão?

Na realidade, toda a tristeza que vemos no que é belo é apenas o medo da solidão.
Então será que não existe nada mais belo que a solidão?

Ou talvez isso tudo seja apenas um devaneio maluco da cabeça de um garoto que não consegue parar de ouvir Regina Spektor.
E que, por isso mesmo, se sente extremamente sozinho...

Vai saber...!