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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os Fabulosos Killjoys


Gerard Way é um roteirista de quadrinhos.
Formado na Escola de Artes Visuais de New York, ele já ganhou um Eisner Award - o prêmio máximo da indústria de HQs - com a série The Umbrella Academy, criada em parceria com o desenhista brazuca Gabriel Bá. Os dois arcos lançados já são leitura obrigatória, recomendados inclusive por um dos maiores gênios do meio, Grant Morrison. Ah, e também por mim.
Sua nova série de quadrinhos, intitulada The True Lives of the Fabulous Killjoys, foi anunciada na ComicCon 2009. Desde então, nenhum outro detalhe foi divulgado.

Ah sim, Gerard Way também tem uma banda de rock, chamada My Chemical Romance.

Agora, o My Chemical Romance lança seu 4º álbum de estúdio, após o sucesso do insanamente sensacional The Black Parade (do qual eu já falei neste ótemo post AQUÊ!).
O nome do álbum: Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys.
E é onde o Gerard músico se mistura de maneira praticamente celular ao Gerard roteirista.

Num mundo kafkaniano em 2019, os Killjoys são um grupo de foras-da-lei, lutando contra mega-corporações malignas e vivendo à margem da sociedade, sem nenhuma esperança de vitória e apenas adiando o destino certo: a morte.
É nesse universo que Danger Days se situa, como uma seleção das músicas que tocariam em uma rádio pirata, comandada pelo DJ auto-denominado Dr. Death Defying.
Essa é a impressão ao ouvir o álbum. Como se fossem várias bandas diferentes em um mesmo contexto.

Esqueça a imagem "emo" dos álbuns anteriores da banda, maquiagens, melancolia e vocais teatrais, isso não existe aqui.
O que existe é apenas o rock, seja o punk (em pérolas como no genial primeiro single "Na Na Na", na acelerada "Party Poison" e na empolgante e crua "Vampire Money"), o épico (as grandiosas "The Only Hope for Me Is You" e "Save Yourself, I'll Hold Them Back") e até o dançante (na faixa "Planetary (GO!)", provavelmente a coisa mais diferente e interessante que o MCR já gravou). Sobra ainda referências a Beastie Boys, Rage Against the Machine (na pesada "DESTROYA") e algo próximo do Keane (na balada "Summertime").
Em cada música uma pegada completamente diferente da anterior.
Cada música, uma banda completamente diferente.

Voltando ao mundo nerd dos quadrinhos, podemos até tentar comparar este novo álbum com o trabalho anterior.
The Black Parade, com seus temas sobre câncer, arrependimentos e morte em uma história poética e direta, se encaixa em uma HQ autoral, filosófica, com cores pesadas e sombrias, criada para fazer seu leitor pensar e refletir sobre a vida e o fim dela.
Danger Days, com sua aparente despretensão e a impressão de que a banda só quis enfim se divertir, está mais para uma história de super-heróis, colorida e explosiva, que você lê, pensa "noooossa, que foda!" e esquece todo o mundo ao seu redor.
Dois estilos diferentes. E que, por isso mesmo, é impossível decidir qual dos dois é melhor.

A impressão é de que o My Chemical Romance pegou tudo o que aprendeu nos quase 10 anos de banda e criou essa obra.
Grandiosa, pesada, melódica, inteligente, criativa, legitimamente punk.

E principalmente muito, muito divertida!!!

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Uma Chance Ao Desfile Emo...


"If life ain't just a joke
Then why are we laughing?"


Pois é, e lá vou eu bancar o advogado do diabo...

Sabe, é difícil começar um texto desses.
Porque se eu critico a MTV, eu sei que muitos se interessarão em ler. Se eu critico o Charlie Brown Jr eu sei que muitos se interessarão em ler. Se eu falo bem de um Arctic Monkeys, ou de um Fratellis, ou de um Libertines, eu sei que muitos se interessarão em ler.

Mas e se eu falar bem de algo tão maldito quanto uma banda emo?
Principalmente quando eu não faço idéia de como transformar em palavras tudo o que eu senti escutando tal banda.
Bom, então eu já preciso dizer o que eu acho logo no começo:

The Black Parade, terceiro álbum do My Chemical Romance, é sem dúvida uma das melhores coisas que eu já ouvi na vida!!!


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Bom, se você continua por aqui, muito obrigado.
Sua audiência é muito importante para o Two Cold Fingers.

É engraçado ver que rotular um som é a mesma coisa que injetar um certo preconceito nas pessoas.
O fato é que é fácil discriminar uma banda sem ouvir, já tendo em mente que você não gosta do estilo dela.
Coisa diferente (e mais desafiadora) é dar uma chance à tal banda.
Coisa, aliás, que além de tudo ainda foi muito mais gratificante!

The Black Parade conta os últimos momentos da vida de um homem na fase terminal de um câncer. O disco passeia tanto pelas suas lembranças do passado quanto pelas suas conclusões do presente.
Mas ainda que deixe muitas vezes a melancolia tomar conta de suas músicas, o álbum trata de um assunto pesado e fúnebre com algo incomum, principalmente no selo “emo”:

Humor!

Apesar da tristeza sólida em músicas como “Cancer” ou “Famous Last Words”, Gerard Way e sua trupe destilam ironia e até mesmo alegria em boa parte das 14 faixas do álbum, como na dobradinha de abertura “The End” e “Dead!” (melhor faixa do album, na minha humilde opinião), ou na faixa bônus escondida “Blood”, por exemplo. Seja falando no Inferno, seja falando da guerra, seja falando da morte.
Além disso, a banda não se acomoda em seu som habitual. Apesar de manter uma certa fórmula em músicas como “I Don’t Love You”, The Black Parade mostra um My Chemical Romance corajoso, se arriscando e provando ter atingido um grau de maturidade do qual muita banda nunca provará.
As músicas trazem aquele amálgama perfeito entre letra e melodia. A carga poética do álbum é grande, tendo a morte retratada como a principal lembrança do moribundo... no caso, um desfile negro que assistiu quando era criança, ao lado do seu pai. Na turnê do álbum, o próprio My Chemical Romance se transformava nesse desfile, como um alter-ego. Uma espécie de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

A grandiosidade das músicas, baseada claramente na obra do Queen, não é apenas um capricho da banda.
A morte é, sem dúvida, o momento pelo qual todos nós vivemos. É quando finalmente somos as maiores estrelas da história, os verdadeiros protagonistas.
Nada mais justo que retrata-la em toda sua megalomania, seja pelo instrumental forte da banda, seja pela produção do Rob Cavallo (que já tinha "criado" o Green Day em Dookie e transformou-o em gente grande com o American Idiot), seja pelo vocal afetado e extremamente teatral do Gerard Way.

Como eu disse, quando se gosta tanto de algo, é difícil escrever sobre isso.

The Black Parade trata do fim de uma vida mostrando todo o medo, dúvidas, raiva, tristeza e alegria desse momento.
E por conseguir fazer algo tão complexo sem se levar tão a sério, o My Chemical Romance merece todo o meu respeito e admiração.

É emo.
É rock.
É música.

E é muito, muito bom!!!

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