domingo, 7 de setembro de 2008

Orloff Five: O Pré-Hives!!!

O post dessa segunda está sendo escrito pelo Brancatelli, visto que a Renatinha ainda está meio que em estado de choque depois da apresentação do Hives nesse último sábado, no festival Orloff Five. Por isso, enquanto ela ainda se recupera, vou falar do que teve antes do grande show da noite, preparando terreno para que a própria pobre garota dê suas impressões do show em si. Aproveitem...


A primeira banda da noite foi o Vanguart.
Vou ser sincero, a única coisa que eu tinha escutado deles foi a música Semáforo, que eu achei até bem simpática. Nada de mais, apenas simpática... do tipo que vc até se pega cantando no ponto de ônibus, mas depois de esquece.
Por isso posso dizer sem dúvidas que o show me impressionou, e MUITO!!!
O vocalista (que, como a Wikipedia me ensinou, se chama Helio Flanders) me provou ser um cara com um puta talento, de um jeito que eu realmente não esperava. As músicas remetem a um folk das antigas, agregando elementos pops atuais, sem se tornar cansativo ou mesmo chato. A banda extramamente entrosada dava a deixa pra que o garoto mostrasse, ainda que sem muita empolgação, o porque de serem conhecidos como uma das melhores coisas surgidas no Brasil nos últimos anos.
Prometo que vou atrás das músicas e comento mais sobre eles aqui no Two Cold Fingers...

A segunda banda... hmm...
Bem, digamos que eu posso dizer que o inferno que Dante pinta em A Divina Comédia não é nada se comparado a um show da banda norte-americana Melvins!!!
Aliás, as palavras "show" e "banda" não se enquadram muito bem... foi basicamente puro exibicionismo de 4 caras que acham que o que fazem pode ser chamado de música!!!
Sim, eles tem história.
Sim, eles eram uma das bandas favoritas do Kurt Cobain.
Sim, vc precisa fazer pelo menos 10 anos de aula de música para conseguir tocar qualquer coisa deles.
Mas ainda assim... qual a graça disso tudo??
Saber tocar um instrumento não significa que vc sabe fazer música!!
O vocalista Buzz Osbourn parecia querer ganhar o prêmio Diva 2008 com sua presença no palco, com o nariz empinado, olhando com desdém para o público. O baixista (que parecia saído do filme De Volta À Lagoa Azul, como bem lembrou a Renatinha) parecia estar apenas cumprindo contrato. Os bateristas (sim, eram dois) se divertiam fazendo barulhos sincronizados, mas sem a menor emoção.
Sinto muito, mas aquilo não é música... e se foi tudo uma grande piada, desculpa mas eu não peguei.
São 4 tiozões falando "olha gente, olha como eu toco bem!!".
Prepotência, o teu nome é Melvins!!!

(nota do Brancatrolhas: ou talvez os 18 reais em cerveja que eu já tinha gastado até aquele momento não me deixaram embriagado o bastante para entender o som dos caras... principalmente se levarmos em conta que a cerveja era 6 MALDITOS REAIS!!!!!)

A terceira e última banda de abertura da noite foi o Plasticines (que já teve um post por aqui, como vc pode ver neste link).
As 4 maravilhas criadas por Deus entraram no palco, empolgaram mesmo quem não se aguentava mais de ansiedade pelo último show, conversaram com o público, fizeram cover de Nancy Sinatra e levantaram toda a Via Funchal, que naquela hora já estava COMPLETAMENTE abarrotada de gente (3500 pessoas, como me disseram depois)!!!
Mas eu mal percebi tudo isso, pois estava ocupado demais me apaixonando por aquelas 4 francesas... aiai... =P

A outra atração da noite era o DJ americano Tittsworth, que não fez nada além de tocar algumas músicas nos intervalos dos shows.
Coisa que, pra ser sincero, até EU faria melhor!
Muito pouco para o aclamado "DJ mais quente da América"...

E foi quando um imenso H estilizado surgiu no centro do palco.
As luzes se apagaram, e a angustia do "meu Deus, já vai começar!!!" bateu forte.
A Stroll Through Hive Manor Corridors começou a tocar ao fundo, como se desse o ultimato:

ELES ESTAVAM ENTRE NÓS!!!!!

Mas sobre isso vcs lerão na quinta feira.
Eu só posso dizer uma coisinha...
Oh... my... fucking...God!!!!

Um bjo nas crianças...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Como se Comportar

O mais difícil de ser um viciado em música é que, do total de CDs que você escuta durante o ano, apenas uns 20% realmente prestam.
É quando você gasta 30 reais em um lançamento qualquer e sente que enfiar a mão no bolso realmente valeu a pena.
Quando você sai da loja de cabeça erguida, coloca o album no toca-cd (!!) e, 40 minutos depois, se encontra com um sorriso satisfeito nos lábios.
E foi esse mesmo sorriso que eu encontrei no meu rosto depois de escutar todas as 12 faixas de Como Se Comportar, novo album do Moptop.

Se o primeiro album serviu para apresentar a banda ao grande público, esse novo age como uma espécie de reforço da marca.
Todas as músicas poderiam ser facilmente encaixadas no album de estréia sem causar um desequilibrio ou algo do gênero.
Tudo que tornou o Moptop uma das bandas mais celebradas do rock nacional está lá: guitarras a la Strokes, letras indecifráveis, gemidos e risadas irônicas simetricamente posicionadas no decorrer das músicas, riffs marcantes e melodias poderosas...

Mas com um "algo" a mais!
É palpável a evolução da banda, tanto dela como um todo quanto dos integrantes separadamente.
Os vocais do Gabriel Marques estão mais seguros de si, e as músicas não são mais cópias descaradas do estilo de um certo quinteto de Nova York, para citar apenas alguns avanços.
As letras também esquecem a primeira pessoa para se focar nos "outros", fugindo das conversas embriagadas para falar dos sentimentos. Tudo parece mais autêntico, mantendo a identidade que a banda contruiu durante 5 anos de carreira.

As faixas são daquelas que você só sente toda a força lá pela terceira audição... mas daí não tem mais volta. As melodias grudam na cabeça e você provavelmente se pegará cantarolando coisas como "já lhe disse que não vou ficar, já lhe disse que não vou mudar..." na fila do supermercado.
A "trindade suprema" do album, aliás, está na sequência Malcuidado, Beijo de Filme e Adeus. As três criam o ponto alto de um CD que praticamente não tem pontos baixos.

As influências são as mais diversas. Bom Par, por exemplo, tem um início que evoca algo do Legião Urbana... mas é só o vocal começar que você sente estar ouvindo uma música tirada do Yours to Keep, primeiro album do Albert Hammond Jr.
Outras trazem referências que vão desde Los Hermanos até Pretenders, mas sempre mantendo sua base ligada às bandas do chamado "novo rock", que por sua vez pegam emprestados diversos elementos do rock mais antigo.

Confuso?
Pois é esse o som do Moptop!
Uma gororoba que, de tão complexa, acaba soando simples.

E é exatamente esse o maior mérito da banda.
Criar uma música direta, simples e afiada, que não deve em nada ao som ouvido lá fora.
O tipo de música que pode agradar tanto os que amam o pop nacional quanto os que acham que só presta o que vem do exterior.

Ao contrário do que o primeiro grande sucesso da banda dizia, o rock NÃO acabou.
Basta que apareçam mais bandas como o Moptop.

Vida longa ao Moptop.

domingo, 31 de agosto de 2008

A garota polêmica

Resolvi falar do assunto que hoje em dia dá mais discussão que religião ou política...

Vou falar sobre Mallu Magalhães.

Experimente soltar esse nome numa mesa de bar cheia de gente e você terá as mais diversas opiniões sobre a garota prodígio... "Ela é maravilhosa!", "Um saco. Odeio...",... Mas dificilmente você vai encontrar alguém que não tenha nenhuma idéia de quem é.

A Mallu acabou de completar 16 anos e da noite pro dia virou a artista mais comentada do Brasil. Ela toca violão, gaita, banjo... e compõe as próprias músicas (a maioria em inglês). Nas entrevistas vemos uma garota fofinha, simpática, mas MUITO tímida.

Todos ficaram empolgados porque a Mallu é diferente de tudo que vem surgindo no Brasil e para completar faz bem feito.

Só que aí mídia, sedenta de sangue novo no mercado, resolveu apelar... onde você olhava via Mallu... tv, rádio, revista, internet... Só a MTV passava a cada intervalo uma vinheta dela fazendo um cover de Johnny Cash (e vestida como tal). Nessa época meu sentimento ao ver o comercial era o mesmo de quando eu via os comerciais das Casas Bahia, aqueles do "Quer pagar quanto?". A mídia gastou tanto a imagem dela e 'endeusou' tanto a garota que ela ganhou além da legião de fãs, uma legião de pessoas que a odeiam.

As pessoas pegaram birra, acham que ela é valorizada demais, "muito hype" pra pouco talento, acham que o sucesso da garota é só jabá...

Minha opinião? Eu acho a Mallu boa e recomendo. Ela tem uma voz muito gostosa de ouvir e canta folkzinho muito batuta!
Concordo que ela seja umas das melhores coisas que andam surgindo no mercado musical brasileiro... Mas também sou a favor de ter gastarem menos a imagem dela... antes que isso faça ela perder o brilho... ou pior, fazer a tímida garota resolver sair dos holofotes e parar de cantar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Orgulho em ser careta.

Hoje eu ia postar uma crítica sobre o novo CD do MopTop, mas aconteceu uma cosa tão legal ontem que eu precisei mudar de assunto...
A crítica fica pro próximo post.

Ontem de noite aconteceu um evento bacana (e até inovador) lá no Studio SP, na Augusta.
O MySpace e a HotPocket produziram um show gratuito da Mallu Magalhães e pediu para os internautas decidirem a banda de abertura... o resultado foi que acabaram escolhendo o pessoal do Ecos Falsos (banda sobre a qual vcs ainda vão ler muito por aqui).
Apesar do atrazo e de um encurtamento do show do Ecos, foi tudo bem bacana. Depois do show, o vocal e guitarrista da banda, Gustavo Martins, até veio conversar com a gente, perguntou o que tinhamos achado das músicas, do som, puxou um papo...

Cara, foi daí que eu fiquei pensando com os meus botões...
Enquanto certas bandas que eu prefiro não citar o nome (a-a-atchimNXZero) xingam o público e agridem jornalistas (atchimassistamessevídeoaqui), outras saem de um show e vão conversar com os fãs como se fossem um de nós.
E ainda assim, enquanto certas bandas fazem sucesso, outras ainda dependem desses mesmos fãs para fazer um show ou outro.

É muito louco isso... estavamos lá, conversando com o vocalista de umas das bandas que eu mais escuto... e era a coisa mais natural do mundo.
E não foi apenas oportunismo, do tipo "E aí, tava legal? Tava? Que bom... ta, tchau!". É até normal chegar mais cedo em um show desses e passar um tempo bebendo com o pessoal do Ecos, ou com o pessoal do Daniel Belleza... é a diferença entre falsidade e acessibilidade.
E ainda assim, as bandas que fazem sucesso continuam sendo as que xingam o público e agridem jornalistas...
A pseudo-rebeldia é a coisa mais comercial dos nossos tempos.
A autenticidade é careta.

E ainda assim, eu vou continuar escutando bandas que ficam à vontade em meio ao seus fãs.
Porque, mais que ídolos, eu prefiro escutar os meus amigos.
Por mais careta que isso seja...

domingo, 24 de agosto de 2008

Plastiscines

[Primeiro preciso me desculpar pela ausência do meu post segunda, aposto que muitos de vocês choraram por horas quando entraram no blog e não encontraram nada...NOT! Eu passei mal domingo e não tive como escrever, sabe como é né?! Deixei pra última hora e me ferrei! Desculpa mesmo, galere.]






Entonces, o Orloff Five Festival está chegando e borboletas se mudaram para o meu estômago. Mas resolvi me lembrar que existirão outras bandas além do meu amado Hives no festival e ouvir com atenção algumas delas... e por que não vir aqui contar pra vocês o que achei de uma delas?! :)

Quando li pela primeira vez que uma banda de garotas francesas, Plastiscines, ia tocar o festival, eu muito imaginei uma coisa meio aquela música que tocava no Presença de Anita... Sabe? Aí resolvi nem daria muita atenção pra elas e que depois procuraria algo... acabei esquecendo. (Minha memória é deprimente)

Quando finalmente escutei o cd me surpreendi... De chato e paradão não tem nada...
As 4 garotas francesas são bonitas, se vestem bem e fazem um rock despretensioso influenciado por bandas como Strokes , Ramones e YYY's. A banda que nasceu durante um show do Libertines não se encontra no posto de [lucioribeiro] nova salvação do rock [/lucioribeiro], mas com certeza é no minimo divertido de ouvir.

O primeiro e único cd lançado em 2007 se chama LP1 e traz músicas onde elas misturam inglês e francês, e com uma parte instrumental simples.

As minhas favoritas são: Loser, (Zaiz Fait de La) Bicyclette [essa ficou na minha cabeça o dia TODO!] e Mister Driver.

Então fikdik musical pra quem vai no festival e pra quem gosta de um rockzinho simples feito por garotas! ;)


terça-feira, 19 de agosto de 2008

É Doce Morrer no Mar...

"Uma incelença entrou no paraíso
Adeus, irmão, adeus..."

Morreu o Dorival.
O Dorival do mar, o Dorival do samba.
O Dorival da jangada, o Dorival de Itapoã.
O Dorival da Dora, o Dorival da Maricotinha.
O Dorival da Anália, o Dorival da Marina, o Dorival da morena.
O Dorival da rosa, o Dorival da nega, o Dorival da morte.
O Dorival louco, o Dorival negro, o Dorival milagreiro.
O Dorival dos pescadores, o Dorival das sereias, o Dorival das viúvas.
O Dorival da jangada, o Dorival dos valentões, o Dorival do adeus.
O Dorival do samba, o Dorival de Maracangalha.
O Dorival da baiana, o Dorival da Bahia.
O Dorival do Brasil.

Morreu Dorival Caymmi.

O sujeito que, quem não conhece,
Ou é muito ruim da cabeça,
Ou é bem doente do pé.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Os Heróis de Hoje

"Nossos ídolos ainda são os mesmos..."
Belchior - Como Nossos Pais

Alguém aí se lembra de uma época em que nossos heróis eram realmente bons exemplos?
Engraçado perceber que os nossos “Super Homens” e “Mulheres Maravilha” de ontem são os “Pete Dohertys” e “Amy Whinehouses” de hoje.
Nossos heróis agora são drogados, de ética e hábitos questionáveis, rebeldes ou simplesmente “perdidos”.
Nossos heróis deveriam ser pessoas a serem seguidas... não deveriam?

Não é de hoje que elevamos essas pessoas à categoria de “heróis românticos”.
É só você pensar em quem seriam os nossos heróis no passado.

James Dean nos anos 50?
Jim Morrison nos anos 60?
John Lennon nos anos 70?
Steven Tyler nos anos 80?
Kurt Cobain nos anos 90?

Por que será que vemos o ato de se drogar, ou de ir contra o sistema, como algo romântico?
Por que será que adotamos pessoas assim como exemplos, ao invés de pessoas em quem realmente devíamos nos espelhar?
Afinal, estamos falando de pessoas que morreram no auge devido aos seus excessos, drogados e suicidas. E até hoje nós copiamos suas aparências, seus modos e estilos de vida.
Será que realmente não existiam exemplos melhores?
O que são, afinal, esses “heróis românticos”?

Na nossa visão, o herói romântico é aquele ser trágico, perturbado, que parece não se encaixar no mundo. O sujeito deslocado, que transpira poesia e arte.
Pete Doherty, por exemplo, parece um personagem saído de um livro do Oscar Wilde.
A imagem que passa é de uma alma sensível, poética, genial e livre, mas também amargurada, dolorida, auto-destrutiva e fora da realidade, vivendo em um mundo que criou, o único lugar no qual realmente se sente a vontade.
Uma espécie de Rimbaud atualizado, um Lord Byron, um John Wilmot.
Tudo isso em uma pessoa só.

Por que alguém iria querer ser assim?

A resposta é simples.
Todos esses espíritos rebeldes têm uma coisa especial em comum.
Todos esses “heróis românticos” atuais tiveram uma coisa fundamental para torná-los eternos...

Coragem.

Coragem de nadar contra a corrente, de andar contra o fluxo determinado, por mais clichê que seja.
De fazer aquilo que tem vontade, a hora que tem vontade.
Sem se importar com a opinião de ninguém.
A coragem de apenas ser o que quiser ser, ser aquilo que você é de verdade, sem ligar se é taxado de “estranho”.
Pq são os estranhos que se tornarão os exemplos de amanhã, sejam rebeldes ou não, sejam drogados ou não.
Os estranhos que se tornarão os heróis.

Um herói não é um herói por ser perfeito, sem falhas.
Um herói é um herói POR CAUSA de todas suas falhas.
São seus defeitos que o tornam o que o é.

E entender isso é o primeiro passo para se encontrar os verdadeiros exemplos a serem seguidos...