
Sei que já falei sobre fofocas e afins no post da quinta-feira passada, e juro que essa semana eu queria falar sobre alguma coisa nova... sei lá, alguma banda interessante, alguma música legal ou algum lançamento bacana...
Mas a Veja desse fim de semana me obriga a voltar ao assunto.
O nome da matéria era "
Uma Brecha A Menos Para A Censura", e falava sobre uma proposta de lei feita pelo deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que visa liberar a divulgação de informações biográficas sobre pessoas de notoriedade pública. Desse jeito, qualquer pessoa pode escrever uma biografia não-autorizada de qualquer político, artista ou celebridade em geral.
Óóóóóóóótimo! Acho justo e até legal que uma revista como a Veja informe seus leitores de uma lei que diz respeito à cultura e ao entretenimento... se não fosse o fato da revista resolver, na maior cara de pau, assumir um lado. E o que é pior, voltando a um assunto que já estava enterrado há alguns meses: a biografia
Roberto Carlos em Detalhes, lançada em dezembro de 2006 e recolhida 3 meses depois, devido a um processo aberto pelo cantor.
A revista Veja, ao invés de apenas noticiar os fatos, resolveu tentar se mostrar um "veículo de democracia" e acusou a ação do Rei de censura. Ficou o tempo todo ao lado do autor do livro, o biógrafo Paulo César de Araújo (que de fã resolveu se fazer de vítima), dizendo que a obra era uma biografia cuidadosa e que não atingia em momento nenhum a honra do biografado.
Certo, agora é a minha vez de perguntar:
Quem decide se algo atinge ou não a honra do biografado não seria... o PRÓPRIO biografado???
Eu posso estar errado, mas qualquer pessoa não deveria ter o direito de proteger sua vida particular do jeito que bem entender???
Na matéria publicada na última edição da revista, ela expõe seus argumentos...
Vamos a eles:
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"Roberto Carlos em Detalhes é uma biografia cuidadosa, que em nada atinge a honra do biografado..."Repito... o ÚNICO que pode saber se teve sua honra atingida é o próprio Roberto Carlos, que já disse que os assuntos que mais lhe desagradaram foram sobre o acidente que lhe custou uma perna e a morte de sua esposa, Maria Rita. Sinceramente, se eu tivesse sofrido um acidente traumático ou se minha esposa tivesse morrido depois de tanto sofrimento, a última coisa que eu iria querer é que todos esses momentos viessem à tona em um livro sem o meu concentimento.
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"Sua proibição (do livro)
deve-se, em parte, a uma aberração contida no artigo 20 do Código Civil de 2002, que protege a honra e a imagem das pessoas..."
Oi?
Então uma pessoa não deve ter o direito de proteger sua honra e imagem de todas as formas possíveis?
A lei em questão diz que "a ultilização da imagem de uma pessoa pode ser proibida se for destinada a fins comerciais"... perdoem minha rebeldia, mas eu não ia aceitar muito bem se alguém estivesse ganhando dinheiro às custas da MINHA vida pessoal.
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" 'essa brecha na lei impede o acesso público à história', diz araújo (...) 'Não se pode proibir que se escreva a história do Brasil', diz Palocci..."
Quer escrever a história do Brasil? Então escreva sobre acontecimentos marcantes para o país. Escreva sobre datas históricas, momentos que mudaram os rumos da nossa nação. Escreva sobre a ditadura. Escreva sobre música, e até cite as personalidades que deixaram sua marca nessa história.
Só não vejo a necessidade de expor a vida pessoal de alguém para isso. De que interessa se Tiradentes traia sua namorada de escola, ou se Pedro Álvares Cabral se envolveu em uma briga numa pizzaria e machucou o dedinho anos antes de chegar ao Brasil? História é uma coisa... violação de privacidade é outra, bem diferente.
A liberdade que o conhecimento traz parece estar afetando a cabeça de alguns jornalistas. Eles sentem que têm a vida pessoal de qualquer pessoa nas mãos, seja de uma Britney Spears, seja de um Roberto Carlos, seja a minha, seja a sua. A mesma Veja que semana passada colocou em sua matéria de capa o escândalo envolvendo o jogador Ronaldinho não deu espaço em NENHUMA de sua páginas nessa última semana para informar que os mesmos travestis que antes acusavam o jogador agora confessavam que estavam mentindo. Talvez porque a verdade nunca será tão interessante quanto um escândalo.
Toda pessoa tem o direito de guardar os "detalhes" de sua própria vida para si.
Ao contrário do que a revista quer que acreditemos, a "censura" a essas informações é o verdadeiro ato de democracia.
PS: 8 das 10 faixas do próximo CD do Weezer vazou na Internet nos últimos dias. Eu queria escrever nesse post minhas primeiras impressões, mas vou deixar para falar sobre isso no dia 3 de junho, quando o "Red Album" for devidamente lançado.
Basta dizer que... bem... é um Weezer BEM diferente do que estamos acostumados a ouvir...
E, na minha opinião, isso é simplesmente ÓTIMO!
Estou orgulhoso deles...